Bloomberg
A China não vai desvalorizar sua moeda em relação ao dólar, contrariando os pedidos feitos pela Europa e Japão, até que as suas exportações se recuperem, segundo especialistas do governo.
Na avaliação Zhu Baoliang, economista-chefe do Centro Estatal de Informação, de Pequim, é improvável que as autoridades monetárias permitam que o yuan volte a se apreciar este ano depois de manterem o câmbio quase inalterado em cerca de 6,83 yuans por dólar desde julho de 2008.
A China vai continuar adotando uma "posição dura" em relação à moeda, concorda Zhang Ming, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais.
O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, e o vice-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, cobraram na semana passada a valorização do yuan.
Em outubro, o Departamento do Tesouro dos EUA disse que a "falta de flexibilidade" na taxa de câmbio na China e o aumento de reservas em moedas estrangeiras "ameaçam desfazer alguns dos progressos no sentido de reduzir os desequilíbrios".
"A pressão estrangeira não vai levar o governo a retomar a valorização", disse na segunda-feira Zhu Baoliang. "Não há pressão doméstica para que o yuan se valorize, porque as exportações ainda estão tendo um declínio [na comparação] ano a ano." O Centro Estatal de Informação, onde Zhu trabalha, é uma instituição afiliada à Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a principal agência de planejamento econômico do país.
O presidente do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, reagiu na semana passada às cobranças europeia e japonesa dizendo que a pressão internacional pela valorização "não é assim tão grande".
Zhou ganhou um apoio do economista-chefe do Banco Mundial, Justin Lin, que numa palestra na Universidade de Hong Kong, na segunda-feira, disse que a China não deveria ser forçada a valorizar sua moeda porque isso poderia atrasar a recuperação mundial, segundo relatou o " Wall Street Journal".
O governo da China evita que sua moeda se valorize porque desde outubro de 2008 as exportações estão em queda. Economistas acreditam que o resultado do mês passado - que será anunciado hoje - será o de uma queda de 13% em relação a outubro do ano passado. Se se confirmar, seria a menor retração deste ano.
A economia chinesa cresceu 8,9% no terceiro trimestre - o ritmo mais acelerado do ano. O governo prevê que o país feche o ano com uma expansão de 8%.
O presidente americano, Barack Obama, que visita Pequim na próxima semana disse que o câmbio será um dos temas da viagem. Ontem, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse ontem no comunicado diário que a política chinesa será "proativa, controlada e gradual". E acrescentou que o governo precisa "aumentar a flexibilidade da taxa de câmbio".
Nos três anteriores à decisão do governo de manter o câmbio em 6,83 yuans, a moeda chinesa havia registrado uma valorização de 21%. Nos últimos seis meses - enquanto o dólar se enfraquecia, o yuan se desvalorizou 11% em relação ao euro e 10% em relação ao yen do Japão.
Para Zhang Ming, da Academia Chinesa de Ciências Sociais pode mesmo ser persuadido a permitir uma valorização em 2010 de cerca de 5%. Mas se isso ocorrer, abrirá uma disputa com o comércio externo. "Mesmo que o banco central queira mudar sua política em relação ao yuan, será preciso lidar com a pressão do Ministério do Comércio e com governos regionais de áreas costeiras" disse Zhang.
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