Mostrando postagens com marcador Economia Brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Economia Brasileira. Mostrar todas as postagens

9.4.13

Brasil ocupa o 100º lugar em ranking de liberdade econômica


O país obteve 57,7 pontos e classificou-se na categoria "maioria não livre", de acordo com o estudo divulgado nesta terça-feira, pelo Instituto Liberdade (IL)


Bandeira do Brasil rasgada

São Paulo - O Brasil perdeu uma posição no ranking global que mede anualmente o Índice de Liberdade Econômica e passou a ocupar o 100º lugar neste ano.

O País obteve 57,7 pontos e classificou-se na categoria "maioria não livre", de acordo com o estudo divulgado nesta terça-feira, em Porto Alegre (RS), pelo Instituto Liberdade (IL).
O levantamento mundial analisa dez questões para compor o índice como a liberdade fiscal, empresarial, trabalhista, monetária, do comércio, do investimento e a financeira, além do direito de propriedade, combate à corrupção e o tamanho do governo na economia de cada País.
De acordo com Ricardo Sondermann, presidente do Instituto Liberdade, o Brasil está nos últimos cinco anos entre a 113ª a 100ª posição.
"Estamos sempre no meio da tabela e não conseguimos evoluir. E já somos a 6ª economia do mundo", afirma. Para ele, é preciso unir capacidade e oportunidade para que o País possa crescer no ranking."O Brasil teve a oportunidade de exportar commodities, mas uma hora a oportunidade acaba ou fica mais restrita e vamos precisar da capacidade, como em infraestrutura, por exemplo, para investir. Mas nossa condição e capacidade de fazer a longo prazo é nula."
Ele avalia ainda que a alta carga tributária do País, a participação excessiva do governo para construção do PIB e as questões trabalhistas locais são fatores responsáveis para a colocação do Brasil no ranking, na medida em que dificultam a vida do empresário e do trabalhador. "O empregado precisa ser protegido, mas a lei como é hoje encarece muito (as contratações)."
Embora esses quesitos continuem impedindo a melhora da classificação do País, no item liberdade financeira o Brasil figura na 40ª posição, por conta da realidade das instituições bancárias.
"Nosso sistema bancário é considerado bom, eficaz. Além disso, ele tem um sistema nacional e integrado. Até mesmo os grandes bancos estatais operam com uma cabeça privada, com políticas e governança eficientes", destaca Sondermann.
O levantamento avaliou a situação em 177 nações. Segundo o IL, o índice demonstra que, quanto maior o nível de liberdade econômica, melhores são as condições em quesitos como: saúde, crescimento econômico, renda per capita, educação, proteção ao meio ambiente e bem-estar geral. Na centésima posição, o Brasil ficou atrás de nações como: Zâmbia (93ª), Líbano (91ª), Guatemala (85ª), Paraguai (80ª), Mongólia (75ª), Colômbia (37ª) e Uruguai (36ª).
Entre os Brics, bloco que reúne ainda Rússia, Índia, China e África do Sul, o País é o segundo melhor, perde apenas para os sul-africanos, que estão na 74ª posição. A Rússia é a pior colocada no 139º lugar, seguida por China (136º) e Índia (119º).
Entre os 29 países das Américas Central e do Sul, o Brasil ocupa a 19ª posição, "à frente da Argentina (160ª) e da Venezuela (174ª), por exemplo", ressaltou.
O líder da lista de 2013 é Hong Kong, com 89.3 de pontuação, na frente de Cingapura, que obteve 88 pontos e Austrália, com 82.6. Os Estados Unidos, que já ocuparam o topo do ranking, ficaram em 10º lugar, com 76 pontos. Segundo o IL, os norte-americanos têm registrado declínio consecutivo em liberdade econômica, com escore de perda acumulada de cinco pontos ou mais desde 2008.
O estudo classifica cada país em até cinco divisões: "livre", com escores combinados de 80 pontos ou mais; "maioria livre", atingindo de 70 a 79,9 pontos; "moderadamente livre", países que ficam entre 60 e 69,9 pontos; "maioria não livre", com escore de 50 a 59,9; ou "reprimido", abaixo de 50 pontos.
O Índice de Liberdade Econômica é calculado anualmente pelo centro de estudos norte-americano Heritage Foundation e pelo The Wall Street Journal, com dados de diversos órgãos internacionais como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI), vários bancos centrais do mundo, entre outros. No Brasil, quem traduz e é responsável pela divulgação é o IL, com apoio do Instituto de Estudos Empresariais (IEE).
O Instituto Liberdade, com sede em Porto Alegre, é uma organização não governamental (ONG) que desenvolve estudos, pesquisas e propostas em políticas públicas. Já o IEE, também no Rio Grande do Sul, tem como intuito formar jovens lideranças empresariais e defender "manutenção dos valores da economia de mercado e da livre iniciativa". O órgão conta hoje com 150 associados, entre 20 e 35 anos.

11.3.12

Defesa legítima

Não restou dúvida que Dilma Rousseff soube aproveitar a oportunidade de sua visita à feira de ciências em Hannover e as conversas com a chanceler alemã, Angela Merkel, para sustentar com clareza que o Brasil não vai deixar de usar todo o arsenal de medidas que julgar adequado para defender sua economia dos danos colaterais causados pelo aumento de liquidez decidido pelos países desenvolvidos para livrar do sufoco suas combalidas economias.
Em entrevista à mídia internacional, a presidenta disse que manifestou diretamente a Merkel sua preocupação com a expansão monetária (o tsunami de liquidez) que ajuda a resolver problemas internos dos sistemas financeiros na Europa e também nos Estados Unidos, mas que resulta na desvalorização das moedas, com efeitos adversos para o comércio exterior brasileiro e de muitos outros países emergentes. A chanceler alemã já fizera circular que ia dizer a Dilma Rousseff que ela tem razão, explicando que as megaoperações de liquidez são para dar tempo aos países do euro de realizarem suas reformas. E que tais operações não mais se repetiriam.
O problema dramático é que a perspectiva do tempo para as reformas é de três anos no mínimo e o tsunami está aí e vai continuar produzindo destruição com o excesso de entrada dos dólares nos emergentes, dentre os quais o Brasil. Estamos recebendo muito mais capitais, a título de “investimento”, mas que na realidade são empréstimos intercompanhias ou pura especulação em busca de resultados pelo diferencial de juros. É certo que o processo de redução da Selic ajuda (a taxa caiu 0,75 na reunião do Copom da quarta-feira 7), mas ainda leva tempo para neutralizar a diferença.
Uma coisa é certa: o Brasil não tem outra saída a não ser se defender desse capital, porque a desvalorização do dólar tem um efeito prejudicial nas exportações de nossa indústria e afeta o emprego em todo o sistema produtivo. O Brasil precisa pensar em dar empregos de boa qualidade a 150 milhões de brasileiros em 2030 e não vai poder fazer isso com o atual sistema de exportação e sem expandir o setor de serviços. E não vai conseguir sem proteger a sofisticação da estrutura industrial que estamos permitindo ser destruída pela supervalorização cambial.
Um pouco disso é que eu penso que a presidenta Dilma foi dizer para Merkel: compreendemos os problemas europeus, o drama que vocês estão passando, mas os danos causados na indústria brasileira não são suportáveis. Então, não venha a Europa com essa história de que o Brasil toma medidas que violam as normas, as leis, a teoria… Eu estou simplesmente me defendendo dos efeitos de falsas teorias que vocês europeus desenvolvidos estão usando.
Aqui é preciso dizer sem receio que esse é um jogo de enorme cinismo: tanto os Estados Unidos quanto a Europa, esta com a cobertura do Banco Central Europeu, estão sim numa competição feroz para melhorar suas exportações. Os americanos pelo menos foram claros: o presidente Barack Obama, em campanha pela reeleição, disse aos trabalhadores que “estamos apoiando o setor exportador e pretendemos dobrar as exportações da indústria em cinco anos”, enquanto a Europa simplesmente está escondendo esse fato. O aumento das exportações da Grécia, da Itália, da Espanha e de Portugal é uma das poucas posssibilidades de minorar o seu sofrimento dentro do euro.
Agora, exportar para onde? Para mercados de países emergentes, como o brasileiro. Não para a China, que está surfando a taxa de câmbio que deseja, ligada a um “dollar standard”, e não dá a menor atenção para reclamações, sem vergonha e sem remorço. Nós só estamos tentando levar o real para um nível que permita defender a indústria, que está sendo alvo de um processo de destruição por conta da sobrevalorização cambial. Não estamos fazendo nada errado, não estamos violando nenhuma regra do comércio internacional, estamos nos defendendo. Quero que alguém aponte alguma violação importante sob quaquer aspecto. Aliás, seis meses atrás, o FMI ainda insistia que não se devia fazer controle de capital. Hoje, o mesmo Fundo Monetário Internacional diz o seguinte: os países emergentes têm, sim, o direito de recorrer a medidas que limitem o ingresso de capitais que não estejam identificados com investimentos na produção, com a necessidade de crescimento…
O governo tenta separar aquilo que é investimento que vai aumentar a produção daquilo que é pura especulação. Não é uma coisa simples, mas ele está fazendo isso com cuidado, usando medidas milimétricas.

fonte: http://www.cartacapital.com.br/economia/defesa-legitima/

11.12.11

Preço de alimentos e presentes de Natal ficou abaixo da inflação do ano, diz estudo da FGV


Rio de Janeiro - Os gastos para as comemorações do Natal, divididos entre alimentos e presentes, subiram menos do que a inflação acumulada em 12 meses, encerrados em novembro passado. É o que mostra pesquisa divulgada hoje (9) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).
De acordo com o estudo, os itens considerados essenciais para a ceia de Natal subiram em média 4,65%, ficando abaixo, portanto, da inflação de 6,29%, apurada pela FGV para o período de dezembro de 2010 a novembro de 2011. Em relação aos presentes, o aumento foi 5,50%.
Na média, alimentação e presentes em geral subiram 5,03%. De acordo com análise do economista do Ibre/FGV, André Braz, a percepção é que, em média, a diferença de preço do ano passado não é tão grande. “Que, em termos reais, esses produtos não ficaram mais caros, porque perderam da inflação acumulada no mesmo período”.
André Braz advertiu, porém, que os preços “ficaram abaixo (da inflação), mas isso não quer dizer que não existam vilões”. No item da alimentação, um dos maiores aumentos foi no bacalhau, que aumentou 10,34%. Refrigerantes e cervejas também apresentaram majorações significativas de preços (10,82% e 14,16%, respectivamente). Em contrapartida, mostraram deflação o azeite de oliva (-9,08%), frango especial inteiro (-2,44%) e vinho (-1,17%).
No caso dos presentes em geral, os itens que subiram mais foram roupas infantis (12,31%), masculinas (8,64%) e femininas (7,71%). André Braz disse que os consumidores devem ficar atentos aos gastos, mesmo com as reduções de preços apresentadas em itens como celulares (-10,12%), aparelho de videogame (-9,66%) e televisores (-6,64%).
“Apesar de os eletroeletrônicos aparecerem na nossa lista de presentes como os mocinhos, aqueles itens que perderam para a inflação e até caíram de preço nos últimos 12 meses, é bom lembrar ao consumidor que só se deve investir nesses bens caso a pessoa tenha feito um preparo. Porque o computador, o celular, e mesmo a televisão de alta tecnologia, são itens caros”.
Braz esclareceu que a pesquisa não objetiva estimular o consumo de itens caros para os quais as pessoas não se prepararam para comprar. “Ela só mostra o que ficou um pouco mais caro ou mais barato em relação ao ano passado”.
Segundo o economista, mesmo as roupas, que subiram mais do que no Natal de 2010, continuam sendo uma boa opção de presente. “Porque ainda que elas tenham vencido a inflação média e ficaram mais caras em relação a 2010, o preço de uma peça de roupa é bem inferior ao de um computador ou uma televisão. Para quem não se preparou, mesmo que as roupas tenham ficado mais caras, vale a pena procurar esse tipo de artigo”.

4.12.11

Inclusão e ilusão na classe A


Um fato interessante, e pouco observado, no Brasil dos últimos tempos é a movimentação interna na classe A, sem dúvida a categoria mais confusa, e cheia de nuances, dentro da barafunda que é o nosso sistema de estratificação social. Segundo o IBGE, basta afirmar ter renda superior a 5 mil reais mensais por pessoa para uma família se considerar no topo da escala. E eis aí, talvez, o maior fenômeno de inclusão deste País: para fins estatísticos, o dono de uma empreiteira figura na tabela ao lado de seus engenheiros, como se guardassem a mais tênue semelhança de proventos ou de hábitos.
O orgulho que se segue ao ingresso na classe A acompanha a necessidade de apropriar-se de valores e sentimentos dos novos colegas de riqueza, que Mino Carta define muito apropriadamente como os “herdeiros da Casa Grande”. É justamente essa heterogênea fatia da população, verdadeira pirâmide dentro da pirâmide, a que tem acesso garantido a alguns serviços que consideram “básicos” desde o fim da escravidão: empregadas domésticas, babás, passeadores de cachorro, manobristas e equivalentes.

 

Daí as pressões crescentes contra cada aumento do salário-mínimo e pedido de ganho real nas datas-base de categorias trabalhistas que acompanham há décadas o desnível entre lucratividade e produtividade, com larga vantagem para a primeira. É para agradá-los que a mídia adota o discurso de que a “inflação dos serviços” traz de volta a ameaça de descontrole de preços. O encarecimento de certas atividades é um fenômeno inexorável, na verdade um reparo histórico.
Em qualquer país desenvolvido, certos serviços domésticos são prerrogativas de uma elite pequena. Não há tanta gente assim, lá fora, capaz de remunerar apropriadamente, por exemplo, o sacrifício de uma mãe que abre mão de cuidar dos próprios filhos, num sábado à tarde, para vigiar os da patroa, que quer mais tranquilidade durante uma festa de aniversário. Até porque não há tantas mulheres dispostas a vender seu tempo dessa maneira.
Há não muito tempo, uma colunista da Folha de S. Paulo sugeria aos indignados com a corrupção acrescentassem à causa a elevada carga tributária. Afinal, alegava a porta-voz da turma do Cansei (provavelmente os responsáveis pela marcha de 200 gatos pingados que “invadiram” a Avenida Paulista no último feriado e ganharam preciosos minutos de cobertura na Globo), nossas grávidas se vêem obrigadas a viajar até Miami para comprar, por preços mais justos, o enxoval de seus futuros rebentos…
Até os veículos mais insuspeitos volta e meia recaem no discurso das facilidades, tão caro à elite brasileira. O Valor Econômico, hoje um dos melhores jornais do País, trouxe no último dia 25 uma reportagem intitulada “Armadilhas da febre de Miami”, com dicas preciosas aos interessados em se aproveitar de uma nação em crise.