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26.3.13

Disputa entre China e Índia pela África expõe diferença nos Brics

Os números impressionam: o comércio entre China e África do Sul passou de 1,5 bilhão para 60 bilhões de dólares em 15 anos. Os investimentos chineses no país chegam a 10 bilhões de dólares. A África do Sul é hoje, de longe, o maior parceiro comercial da China na África.
Com um sistema bancário e financeiro de primeira categoria e uma excelente infraestrutura, a África do Sul é a porta de entrada ideal para a China num continente africano em expansão. Além disso, o portfólio e o engajamento chineses entre a Cidade do Cabo e o Cairo crescem constantemente. E incluem um volume de negócios na ordem de 100 bilhões de euros, obras gigantescas de infraestrutura e programas de apoio de bolsas de estudo.Foto: Stringer/AFP
A China ainda está na liderança na África. Mas, em segundo lugar, a Índia se aproxima, com um volume comercial de 33 bilhões de dólares. Até 2015, a cifra de aumentar para 90 bilhões. Quando o primeiro-ministro indiano, Manhoman Singh, anunciou no ano passado “uma nova era nas relações indo-africanas”, estava mandando, ainda que indiretamente, uma mensagem a Pequim.
A Índia, afirmou Singh, pretende empregar trabalhadores locais – uma referência velada à prática chinesa de usar a própria mão de obra na África. De forma parecida se manifestara também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante seu governo, ao dizer que o Brasil não agiria como uma potência hegemônica, mas como um parceiro da África.
Pela primeira vez, a crítica sobre a política chinesa repercute na própria África. No início de março, o presidente do Banco Central da Nigéria, Lamido Sanusi, declarou ao jornal Financial Times que a China contribui significativamente para a “desindustrialização e o subdesenvolvimento” da África.
“Essa também foi a essência do colonialismo. A África se abre voluntariamente agora para uma nova forma do imperialismo”, afirmou Sanusi, que defendeu que, por esse motivo, o “romance” da África com a China deve ser “substituído por um brutal calculismo econômico.”
Comércio desigual
Devido às vozes cada vez mais críticas, o alarme soou em Pequim, e o governo chinês procura agora promover uma imagem mais positiva na África. Houve certamente alguns problemas de crescimento, como disse recentemente o embaixador chinês Tian Xuejun em artigo no jornal sul-africano The New Age. No texto, Tian defende que as relações sino-africanas devem ser observadas de forma “objetiva”, porque, segundo ele, a África pode “escolher de forma independente” seus parceiros de desenvolvimento. E isso soou mais uma vez como a posição original da China.
Economistas sul-africanos advertem, no entanto, sobre uma balança comercial injusta. Os chineses estariam explorando os recursos naturais da África, processando-os na China e vendendo os produtos derivados novamente para a África do Sul. O círculo vicioso estaria, segundo eles, levando a uma troca comercial desequilibrada.
Com a intenção, provavelmente, de abordar o assunto, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, recebeu o presidente chinês, Xi Jinping, já antes do início do encontro dos Brics, iniciado nesta terça-feira (26/03) em Durban. Os sul-africanos anseiam por investimentos chineses no setor manufatureiro, transferência de tecnologia e uma cooperação na área do meio ambiente.
“Mas a relação política entre os dois países é assimétrica”, disse o analista dos Brics e cientista político Mzukisi Qobo. “A África do Sul pressiona muito pouco por concessões.”
Velhos amigos CNA e PCC
O fato de o novo presidente Xi Jinping ter escolhido justamente o encontro dos Brics para a sua estreia no cenário internacional é visto na África do Sul como um sinal das estreitas relações entre o Congresso Nacional Africano (CNA), atualmente no governo do país, e o Partido Comunista Chinês (PCC), que desempenhou um papel importante na luta antiapartheid. Embora a China e a África do Sul só mantenham relações diplomáticas há 15 anos, a ligação ideológica é muito mais antiga.
Por esse motivo, em Durban, Xi enfatizou a máxima de seu governo: “China e África: bons irmãos, bons amigos, bons parceiros.”
No encontro em Durban, a Índia – parceiro da China no grupo dos Brics e concorrente na exploração dos recursos naturais africanos – tem uma vantagem histórica de localização. O herói nacional indiano Mahatma Ghandi viveu e trabalhou por muitos anos na África do Sul. Além disso, a comunidade indiana no país já foi bastante grande.
Ainda hoje, templos hindu, riquixás e restaurantes que servem caril picante próximo ao local do encontro são testemunhos da grande influência que imigrantes indianos exerceram em Durban há 150 anos. Embora o navegador chinês Zheng He já tenha aportado na África no século 15, foi necessário esperar mais cinco séculos para o potencial econômico ser descoberto por seus descendentes.
 

18.11.11

Standard & Poor's eleva classificação de risco do Brasil para BBB

País continua no grupo de nações consideradas mais seguras para investir, com pequena chance de calote, mas melhorou de nota

A Standard & Poor's Ratings Services informou nesta quinta-feira que elevou a classificação de risco soberano de longo prazo do Brasil de BBB- para BBB. O risco de longo prazo da moeda também melhorou, passando de BBB+ para A. A agência também reafirmou os ratings de curto prazo para país de A-3 para moeda estrangeira e A-2 para a moeda local. A perspectiva do país é estável.
Neste nível, o Brasil mantém o chamado "grau de investimento", conquistado em abril de 2008, quando a  nota de crédito para moeda estrangeira subiu de BB+ para BBB- com perspectiva estável. Com esta nova nota, o país entrou no grupo de nações consideradas mais seguras para investir, com pouca probabilidade de inadimplência. Isso significa que o Brasil passa a ser visto como de baixo risco para aplicações financeiras de estrangeiros.
Em agosto deste ano, a S&P já havia elevado a perspectiva da nota soberana do Brasil em moeda local de estável para positiva. A perspectiva em moeda estrangeira havia sido elevada para positiva em 23 de maio. Segundo a agência, a elevação refletia as alterações adotadas em sua metodologia de avaliação de ratings soberanos, adotadas a partir de 30 de junho.
A mudança na perspectiva da nota representava o primeiro passo antes de uma elevação efetiva do rating. A agência afirmou em agosto que a perspectiva positiva considera que os fatores que garantem a estabilidade macroeconômica do país continuarão se fortalecendo nos próximos anos, com redução gradual das limitações fiscais e do risco a choques externos.
Outras duas agências de risco já melhoraram a nota brasileira. A Fitch elevou a nota do Brasil para "BBB" no início de abril, também segundo degrau dentro da classificação de "grau de investimento." A Moody's também fez o mesmo movimento em junho, ao elevar a nota brasileira de "Baa3" para "Baa2".
Compromisso fiscal
Segundo a Standard and Poor´s, em comentário sobre a elevação da nota brasileira nesta quinta-feira, a administração da presidenta Dilma Rousseff demonstrou seu compromisso com metas fiscais, alargando o escopo para usar os instrumentos de política monetária para influenciar a economia doméstica.
"Esperamos que o governo busque políticas monetária e fiscal cautelosas, combinadas com o resiliente crescimento econômico do país, possa moderar o impacto de choques externos potenciais e sustentar boas perspectivas paaa o crescimento de longo prazo", disse a agência em comunicado.
A classificação de risco é uma ferramenta usada pelos investidores estrangeiros na hora de decidir em que país irão colocar suas aplicações. Ela reflete o risco que um país tem de não honrar o pagamento de seus títulos. Quanto melhor é a avaliação, menor é o risco e, portanto, maior é a capacidade do país de atrair investimentos.
A partir de um determinado patamar de classificação de risco o país é considerado "grau de investimento". Ou seja, o risco de calote é muito baixo. Muitos fundos de investimento estrangeiro direcionam recursos apenas para países que têm esta classificação. Parte deles é mais exigente, aplicando apenas em países que são considerados "grau de investimento" por ao menos duas das três grandes agências.
iG São Paulo, com Valor Online

 http://economia.ig.com.br/mercados/standard-poors-eleva-rating-do-brasil-para-bbb/n1597372602256.html

11.11.11

Com eventual divisão do Pará em três, maior estado teria o menor PIB

Estimativa se baseia em estudo divulgado pelo governo do Pará.
Tamanho do PA é argumento pró-divisão; custo de manutenção pesa contra.

A divisão do Pará, que acontecerá caso a decisão seja aprovada em plebiscito estadual marcado para o dia 11 de dezembro, daria origem a três estados muito desiguais tanto em tamanho quanto em extensão territorial: Pará, Carajás e Tapajós.
Atualmente, as principais forças da economia do Pará são a extração de minério e de madeira, com destaque para o ferro, bauxita, manganês, calcário, ouro e estanho; além da agricultura, pecuária, indústria e turismo.
Como se dividirá a riqueza do Pará, caso o estado seja dividido em três (Foto: Editoria de Arte/G1)
Estudo realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) aponta que, caso a divisão se tornasse realidade, Tapajós teria mais de três vezes o tamanho do Pará já dividido, e apenas um quinto do seu Produto Interno Bruto (PIB).
Conforme estimativas divulgadas em junho no "Retrato da Divisão do Estado, com a divisão, Tapajós teria uma área territorial de 732.509,5 Km², o que equivale a 59% da área total do atual estado do Pará, e teria um PIB de R$ 6,4 bilhões, ou 11%.
Já o Pará dividido teria 218.776,4 Km² de área (17%) e PIB de R$ 32,5 bilhões, o que corresponde a 55,6% do total. Carajás ficaria com uma área de 296.664,1 Km² (24%), com PIB de R$ 19,6 bilhões, ou 33,5%. A grande extensão territorial do Pará atual é justamente o motivo principal citado pelos defensores do desmembramento da área em três. O alto custo de manutenção de mais dois novos estados, no entanto, é o argumento usado para criticar a proposta de divisão.
 
Argumentos a favor da divisão
Para o economista Célio Costa, descentralizar a administração é fundamental em estados que ele classifica como “superdimensionados”, como o Pará. Segundo ele, o Pará tem quatro vezes o tamanho da média dos territórios dos estados brasileiros e “não arrecada o suficiente para cuidar dos seus milhões de habitantes”.
"Do ponto de vista das finanças e da dimensão territorial, que é enorme, o Pará é inadministrável"
Célio Costa, economista
Números levantados por Costa apontam que, em 2010, o estado gastou R$ 110 milhões a mais do que arrecadou em 2010. O economista é responsável pelo estudo “Assimetrias Regionais no Brasil –Fundamentos para a Criação do Estado de Carajás”, encomendado pela Associação dos Municípios do Araguaia, Tocantins e Carajás (Amat Carajás), e também analisou as condições para a criação do estado de Tapajós.
"Do ponto de vista das finanças e da dimensão territorial, que é enorme, o Pará é inadministrável”, afirma Costa. "Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que têm os cinco orçamentos mais ricos do país, cabem dentro da área do Pará, que tem um orçamento para toda a região. Dá para entender a gravidade da situação? Como você ocupa e desenvolve uma região se não tem a efetiva presença do estado? O Pará está estagnado”, avalia.
Para Costa, a divisão do Pará “vai ser uma salvação”. “Vai ser bom para a Amazônia brasileira e para os novos estados. Vai ser bom para o pacto federativo, e bom para desconcentrar o desenvolvimento nacional. O Pará precisa de socorro, e esse é o momento para fazer um grande ajuste fiscal.”

Argumentos contra a divisão
Roberto Corrêa,  economista, cientista político e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), defende que o argumento da dimensão territorial não se sustenta. “Não é verdade que quanto menor o estado, maior o PIB”, rebate. “O que leva um PIB a se desenvolver é a racionalidade da gestão pública, estimulando a iniciativa privada.”
"Não é verdade que quanto menor menor o estado, maior o PIB"
Roberto Corrêa, cientista político e professor da UFPA
Na opinião de Corrêa, a tentativa de divisão do estado tem mais fundamento político do que econômico. “Vejo um terremoto federativo que não tem nada a ver com autonomia étnica ou cultural. É apenas de natureza casuística, política”, disse.
O professor da UFPA critica o que chama de “febre separatista oportunista". "A partir de 88, aumentou em 33% o número de municípios, para distritalizar votos", diz. Segundo Corrêa, os cidadãos  paraenses precisam vencer o desinteresse para evitar que um alto índice de abstenção no plebiscito do dia 11 de dezembro “chegue a ameaçar a vontade regional explícita contra a divisão”.
Na opinião de Corrêao desmembramento representaria uma grande desvantagem para o que ele chama de “Pará-mirim” – o Pará já dividido. O estado teria 56% do PIB total e ficaria com 64% da população. “Vamos cair num precipício de arrecadação per capita”, diz.
O processo migratório também poderia representar um risco para os novos estados. “Esses estados nascem com atrativo de migração muito grande, mas não têm recursos, nem política pública, nem capacidade administrativa para conter essa onda migratória. Haverá uma destruição dos rios, das fontes, dos lençóis freáticos”, defende.
Novos estados (Foto: Editoria de Arte/G1)
Manutenção cara
Cálculo feito em maio pelo economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Rogério Boueri, aponta que, considerando os dados mais recentes disponíveis, referentes a 2008, os estados de Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano. Diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões, somando ambos, a ser coberto pelo governo federal.
Em entrevista ao G1, concedida em maio deste ano, Boueri destacou que, em caso de divisão, os novos estados seriam economicamente inviáveis e dependeriam de ajuda federal para arcar com as novas estruturas de administração pública que precisarão ser instaladas.
O economista Célio Costa, porém, discorda. “Eu estou convencido que as receitas geradas pelos próprios estados, além dos fundos constitucionais, que são repassados pela União para todos os estados da federação, garantem a sustentabilidade da máquina dos novos estados”, enfatiza.
 
Outras divisões
Célio Costa também estudou e defendeu, há 22 anos, a viabilidade da divisão do estado de Goiás em dois, que deu origem a Tocantins. “Nós acertamos em defender a viabilidade de Tocantins. É certo que ainda tem problemas a serem solucionados, mas não se pode negar que houve melhorias no desenvolvimento econômico e social da região”, ressalta ele.
“Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são outro bom exemplo: a descentralização administrativa faz bem tanto ao estado que se emancipou, quanto ao estado de origem”, acrescenta.

Já na opinião de Roberto Corrêa, economista da UFPA, a comparação com os casos de Tocantins e Mato Grosso gera distorções. “Era outra época. A população era rarefeita nesses estados e não vivíamos uma democracia, vivíamos uma ditadura militar, e por questões de fronteira, entre outras razões, criaram isso.”

http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/11/com-eventual-divisao-do-para-em-tres-maior-estado-teria-o-menor-pib.html