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15.4.12

Custo Brasil?


Sempre, no Brasil, quando são lançadas algumas medidas de estimulo econômico como fez recentemente o governo brasileiro, vem à tona a discussão a respeito do custo Brasil.

No início deste mês, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apresentou uma pesquisa que resultou em um livro: Progressividade da Tributação e Desoneração da Folha de Pagamentos – elementos para reflexão.

O livro é a segunda publicação fruto da parceria entre o Ipea, o Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal) e o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). A primeira obra resultado da cooperação foi a cartilha A Progressividade na Tributação Brasileira: por maior justiça tributária e fiscal.

Uma das primeiras constatações abordada pelo estudo demonstra que em 2009 os 10% mais pobres gastaram 32% de sua renda em tributos diretos e indiretos, enquanto os 10% mais ricos gastaram 21%. Para começar a compreender essa disparidade, a pesquisa destaca que o Brasil tem uma estrutura tributária muito complexa, com muitos tributos incidentes sobre a mesma base. O problema é especialmente relevante no caso dos tributos indiretos sobre bens e serviços. Enquanto a maior parte dos países tem um ou dois tributos indiretos, o Brasil tem seis, com grande diversidade de legislações, que estão em permanente alteração.
Por exemplo, somente na esfera federal são quatro tributos e três regimes tributários diferentes. O ICMS, de competência estadual, apresenta 27 diferentes legislações, com enorme variedade de alíquotas e critérios de apuração. No caso da tributação do lucro das empresas, há dois tributos distintos: o imposto de renda (IR) e a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL).
No que diz respeito aos tributos sobre a folha de salários resulta não apenas da contribuição previdenciária e do FGTS, mas também do financiamento de programas que não tem qualquer relação com o salário dos(as) trabalhadores(as), como as ações do Sistema “S” e a educação básica (financiada pela contribuição para o salário educação).
Entretanto, não quer dizer, que a carga tributária, expressada através da relação entre o volume de recursos, que o Estado extrai da sociedade para financiar as atividades que se encontraram sob sua responsabilidade, e o produto ou a renda nacional de um determinado país. Essas atividades, entretanto, são diversas e podem envolver desde as tarefas vinculadas às funções básicas do Estado – primordialmente financiadas por tributos – às decorrentes de seu papel de avalista ou administrador de determinados contratos – como o da Previdência Social, por exemplo – ou ainda de mobilizador de recursos para viabilizar atividades consideradas relevantes do ponto de vista econômico e social. Na realidade a carga tributária brasileira é injusta e regressiva e extremamente complicada para, inclusive, criar artifícios para a sonegação.
As realidades tributárias estão espalhadas pelo Brasil afora. O IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) de maneira geral, as favelas e casas de pessoas de menor renda, pagam, proporcionalmente, impostos maior do que as mansões. Outro aspecto injusto, ou estranho é o IPVA (Imposto sobre Veículos Automotores), quem têm automóveis, por exemplo, pagam tributos, os proprietários de avião, helicópteros, lanchas, iates, não pagam. E mesmo o IR (Imposto de Renda), que poderia ser muito mais progressivo, na medida em que a alíquota maior é 27%. Já tivemos, por exemplo, durante o regime militar alíquotas bem maiores e progressivas.
Neste sentido, é mais do que urgente uma reforma tributária, não para reduzir impostos, mas sim, desenvolver regras claras, para inclusive tornar a sonegação quase nula e que na somatória da carga tributária, o tributo direto seja muito maior do que o tributo indireto.
Segundo a pesquisa, uma reforma tributária, justa, progressiva e desburocratizada, pode criar condições para que, nos próximos vinte anos, o PIB cresça cerca de 0,5 pontos percentuais ao ano a mais do que cresceria na ausência da Reforma. Ou seja, se sem a Reforma a tendência fosse de crescimento de 5% ao ano, com a reforma esta taxa subiria para 5,5% ao ano.
A tendência é que: com o aumento do crescimento ganham todos: trabalhadores, empresas, Estados e Municípios e a própria União, que, mesmo assumindo o custo da reforma, no final da transição estará com uma situação fiscal mais sólida que no início.

8.3.12

Tesouro mostra que pode atuar no mercado cambial

Órgão pode quitar integralmente dívida externa que vence até 2015, resgatando mais US$ 15 bilhões em títulos

O Tesouro Nacional mostrou que está alinhado com o governo para enfrentar a "guerra cambial" e conter a excessiva valorização do real. O secretário do órgão, Arno Augustin, indicou nesta quinta-feira que pode ir a mercado para adquirir mais US$ 7,5 bilhões para quitar o vencimento integral da dívida externa que vence até 2015, ou até mesmo mais longe, a partir de 2016. Também podem vir emissões externas em real.

O Tesouro já possui US$ 7,4 bilhões em caixa para pagar 49% da dívida externa a vencer até 2015, como consta no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2012, divulgado nesta quinta-feira. Neste momento, a dívida externa brasileira vencendo nos próximos quatro anos é de aproximadamente US$ 15 bilhões.
"Não consideramos que haja limites. Se acharmos que é o caso de irmos mais rápido, podemos ir. Se for necessário, podemos comprar mais (títulos)", afirmou o secretário, ao comentar o Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro de 2012.
A atuação do Tesouro no mercado pode ocorrer a qualquer momento, constituindo-se em mais uma arma do governo contra a valorização cambial. Segundo Augustin, o prazo dos títulos para a recompra antecipada pode ultrapassar o limite atual de 2015 e abranger também os papéis que vencem a partir de 2016.
"O governo pode alongar o prazo de recompra de títulos para um prazo superior a quatro anos para impedir valorização excessiva do real", comentou o secretário. O governo tem atuado com força para evitar mais altas do real frente ao dólar, como as intervenções do Banco Central no mercado cambial e limitações em financiamento à exportação. Até mesmo a presidente Dilma Rousseff já afirmou que, se necessário, o governo tomará novas medidas para impedir esse movimento.
Para efetivar essa possível atuação, o Tesouro terá, no entanto, que aprovar no Conselho Monetário Nacional (CMN) pedido de ampliação do prazo atual de quatro anos para a recompra antecipada. Augustin disse que o critério será a maior ou menor volatilidade do câmbio, negando-se a quantificar qual o montante total dos dólares que podem ser adquiridos.
"Jamais diremos quanto o Tesouro vai comprar no mercado de câmbio", afirmou ele.
Emissões em real
Augustin afirmou ainda que num momento de "guerra cambial", emissões soberanas externas em real ajudam. Isso porque elas dão ao investidor a opção de estar posicionado em um título brasileiro sem gerar entrada de dólares no país. Ele adiantou ainda que, nas próximas semanas, haverá emissão externa.
"(Isso) direciona o investidor a ficar no exterior sem necessidade de entrar com dólares no país", afirmou Augustin. Segundo o secretário, o Tesouro poderá fazer ainda neste semestre a troca de cerca de R$ 35 bilhões em LFTs, títulos remunerados pela Selic, em mãos do Fundo Garantidor do Tempo de Serviço (FGTS), por dívida prefixada e atrelada à índice de preços.
Essa operação vai acelerar a velocidade de redução da dívida interna corrigida por taxa flutuante e aumentar a parte mais previsível. Para Augustin, a troca é facilitada por esse momento da flexibilização da política monetária.
O secretário do Tesouro afirmou que, apesar da Selic ter chegado a 9,75% ao ano, próximo ao patamar da remuneração da poupança, não vê movimento de saída de investidores de aplicação em renda fixa. "Demanda de fundos de investimento por títulos da dívida pública não diminuiu com queda da selic", afirmou.
Financiamento
Os comentários do secretário sobre o potencial de intervenção do Tesouro foram feitos durante a apresentação do PAF de 2012. No relatório, o governo informa que a necessidade líquida de financiamento da dívida pública federal, que abrange a dívida interna e externa em títulos federais, totaliza R$ 362,34 bilhões.
O estoque da dívida pública federal (interna e externa) deve fechar este ano entre R$ 1,95 trilhão e R$ 2,05 trilhões, segundo meta fixada pelo Tesouro. Em 2011, o estoque fechou em R$ 1,866 trilhão.
A banda de variação do estoque da dívida prefixada esperada pelo Tesouro é de 37% a 41% no fim do ano, enquanto que para os papéis remunerados por índice de preços é de 30% a 34%. Já os papéis atrelados à Selic têm mínimo de 22% e máximo de 26% e os ligados ao câmbio, de 3% a 5%.
No documento divulgado nesta quinta-feira, o Tesouro salienta que o objetivo para este ano é fazer o percentual de títulos prefixados somados aos papéis indexados à inflação fique acima de 65% do estoque, numa projeção conservadora. E num cenário otimista, o estoque deve ficar superior a 70%.

http://economia.ig.com.br/mercados/tesouro-mostra-que-pode-atuar-no-mercado-cambial/n1597669796247.html

11.12.11

Redução de IPI na linha branca gera empregos na indústria


 Empresas negociam também redução de férias coletivas de fim de ano

A indústria de geladeiras, fogões e lavadoras volta a contratar trabalhadores e negocia redução de férias coletivas de fim de ano. A reação das empresas, que chegaram a cogitar demissões em outubro, ocorre uma semana após o governo ter cortado o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre esses eletrodomésticos. É uma injeção de ânimo para a indústria e o comércio, com impacto nas vendas do Natal, mas principalmente no primeiro trimestre de 2012.

A Whirlpool, por exemplo, dona das marcas Brastemp e Consul e de 40% do mercado de eletrodomésticos, acaba de abrir 1.100 vagas para as fábricas de Rio Claro (SP) e Joinville (SC). As contratações correspondem a quase 10% do quadro de trabalhadores da empresa na linha branca.
O presidente para a América Latina, José Drummond, disse que os efeitos já estão sendo percebidos.
- Já sentimos muito mais motivação do varejo por aquisições não só para dezembro, mas planejando as compras do primeiro trimestre.
O executivo calcula um acréscimo das encomendas para o Natal entre 15% e 20% em relação à previsão feita antes do corte do IPI. Para o primeiro trimestre, ele projeta crescimento de até 30% nos volumes, dependendo da categoria de produto.
As concorrentes Electrolux e Mabe também estão reavaliando a produção para os próximos meses. Segundo Lourival Kiçula, presidente da Eletros, que reúne a indústria do setor, a direção da Electrolux negocia com os sindicatos de trabalhadores de São Carlos (SP) e Curitiba (PR), onde estão as suas fábricas, a redução das férias coletivas de fim de ano para acelerar a produção.
- A empresa também avalia contratações para no início de 2012.
Ele acrescenta que a Mabe, que produz eletrodomésticos com as marcas Continental e Dako, também considera a possibilidade de admitir trabalhadores.
A Latina, que fabrica lavadoras semiautomáticas, mais conhecidas como tanquinhos, vai ampliar a produção aumentando o número de horas extras.
O presidente da empresa, Valdemir Dantas, conta que a negociação com os fornecedores também já foi feita.
- Já conseguimos negociar com os fornecedores de componentes um acréscimo de 5% no volume de produtos para atender o aumento das encomendas das lojas.
Já a Esmaltec, que fabrica fogões e geladeiras em Maracanaú, no Ceará, condiciona as contratações ao aumento do consumo. A superintendente da empresa, Annette de Castro, disse em comunicado que caso haja crescimento da demanda, "responderemos com agilidade".
Multiplicador

Com mais ou com menos intensidade, as grandes redes varejistas já detectaram crescimento nas vendas de geladeiras, fogões e máquinas de lavar na última semana. Além de ampliar o volume de negócios, os varejistas destacam o efeito multiplicador de vendas que o corte de IPI provoca em outros setores da loja.

18.9.11

Brasil quer aumentar em 60% o investimento público em saúde

Valor equivale a R$ 30 bilhões a mais por ano. Para especialistas, ainda é pouco

Camila Neumam e Marina Novaes, do R7



A Câmara dos Deputados pretende votar, na próxima quarta-feira (21), a Emenda Constitucional 29, uma proposta que fixa percentuais mínimos de investimentos públicos na saúde da União, dos Estados e municípios. Enquanto o governo argumenta que não tem mais dinheiro disponível - e que precisa criar uma fonte nova de financiamento -, especialistas ouvidos pelo R7 alertam para a necessidade urgente de aumentar a verba destinada à área.


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De acordo com o líder do governo na Câmara Federal, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), o Brasil precisa de, pelo menos, mais R$ 30 bilhões por ano para resolver os maiores problemas do setor - considerando apenas os investimentos federais. O valor representa 41,6% do que a União deve investir em 2011 (R$ 72 bilhões), segundo previsão do parlamentar, e quase 62% do que o Ministério da Saúde investiu em 2008 (R$ 48,7 bilhões), quando foi feito o último balanço geral de investimentos públicos no setor (com Estados e municípios).

Entretanto, para os especialistas Áquilas Mendes, professor de economia da saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), e Lígia Bahia, diretora da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), as estimativas do governo estão muito aquém da realidade.

Citando um estudo de 2008 da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), da ONU (Organização das Nações Unidas), Mendes diz que seriam necessários R$ 83 bilhões a mais por ano para a saúde. A presidente da Abrasco vai ainda mais além nas contas.

- Esse cálculo [de R$ 30 bilhões] é até modesto. [...] Teríamos que fazer um cálculo assim: quanto per capita queremos usar com saúde, não no termo voluntarioso, mas para ter melhor saúde. [Seriam necessários] Mais R$ 150 bilhões – mais que o dobro do que se gasta hoje. Essa estimativa foi feita com países com mesmo PIB [Produto Interno Bruto, ou a soma de todas as riquezas do país].

A divergência nas previsões varia de acordo com o que se pretende melhorar na saúde e, justamente por isso, é praticamente impossível definir um “número mágico” de quanto é preciso investir, diz o diretor da Cpes (Centro Paulista de Economia da Saúde) e professor do departamento de medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Marcos Bosi Ferraz.

- Não existe um número mágico. Mas, o que dá para dizer é que, em alguns países desenvolvidos que possuem sistema universal de saúde, [...] o financiamento público está na ordem de 60% a 70% de tudo o que é investido. Aqui no Brasil, o investimento público é em torno de 47%. [...] Quando a gente compara o que esses países investem com o que a gente investe aqui, nós temos uma defasagem de 30 anos.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil investiu, em 2008, cerca de 3,6% do PIB em saúde. Somando os gastos do setor privado (planos de saúde e gastos particulares com saúde), esse total chega a 8,4%, ou seja, quase a metade da proporção investida pelos Estados Unidos (16%) e abaixo da média dos países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – que aplicam 9% de suas riquezas na área.

Leila Posenato Garcia, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), concorda que a necessidade de verba para o setor depende do que se pretende fazer com esse dinheiro. De acordo com dados do instituto, a população que utiliza os serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) avalia que as maiores demandas por melhora são referentes ao atendimento em hospitais (urgência e emergência) e em postos de saúde – as filas de espera ainda são as maiores reclamações.

Propostas

Ao todo, União, Estados e municípios destinaram quase R$ 109 bilhões em saúde em 2008, ainda segundo o governo federal (últimos dados gerais disponíveis).

Para aumentar os recursos destinados ao setor, a emenda propõe, entre outras coisas, obrigar o governo federal a investir 10% de sua receita corrente bruta em saúde. Atualmente, não existe uma regra que fixa um percentual mínimo de aplicação, mas a União deve investir sempre o mesmo valor do ano anterior, mais a variação do PIB (Produto Interno Bruto, ou a soma de todas as riquezas produzidas no país). Já os Estados e municípios, desde 2000, já precisam destinar 12% e 15% da renda, respectivamente, na área.

Entretanto, a fixação de um percentual mínimo pode não ser suficiente para atingir o mínimo de R$ 30 bilhões considerados necessários. Por isso, o Congresso debate a possibilidade de criar um novo imposto sobre movimentações bancárias, a CSS (Contribuição Social para a Saúde), semelhante à extinta CPMF, para injetar cerca de R$ 15 bilhões no sistema público de saúde anualmente.

De acordo com o pesquisador da USP, porém, caso alguns pontos da Emenda 29 sejam aprovados - como a DRU (Desvinculação de Recursos da União), que dá mais liberdade ao governo para direcionar a verba para outras áreas -, o valor arrecadado com a CSS cai para R$ 8 bilhões, em média.

- Portanto apesar dos vários esforços de criar uma nova contribuição social, essa aportaria só R$ 8,2 bilhões. Não precisamos de 83 bilhões? Esse projeto é um engodo.

A criação de um novo tributo, bem como manter a proposta de DRU, ainda dividem parlamentares, tanto na Câmara quanto no Senado - para onde o texto será encaminhado após a aprovação pelos deputados. Criar um novo imposto também não é consenso nem dentro do governo, que sabe que a medida é impopular.

fonte: http://noticias.r7.com/brasil/noticias/governo-precisa-investir-ao-menos-60-a-mais-para-melhorar-a-saude-no-brasil-20110921.html