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3.12.11

Zona do euro poderá ter década perdida, diz Lagarde

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse nesta sexta-feira (2) que a zona do euro poderá ter uma década perdida caso não seja tomada uma ação rápida e coletiva para combater a crise da dívida que atinge os países do bloco.
A francesa, que assumiu o comando do FMI este ano,  esteve na sede paulista da Rede Globo nesta sexta, em São Paulo, e falou a uma plateia de convidados.
A entrevista da diretora do FMI vai ao ar na Globo News, no programa Globo News Painel, neste sábado (3), às 23h.
A passagem por São Paulo faz parte de visita que a dirigente iniciou na segunda-feira (28) a países da América Latina. Na quinta-feira (1), Lagarde foi recebida pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Na visão de Lagarde, a demora para se chegar a uma solução para resolver a crise da dívida que atinge os países europeus é parte do processo democrático, "que precisa envolver todas as partes em todos os passos".
Mas, segundo a dirigente do fundo, a Europa já sofre forte pressão dos mercados, para quem, na avaliação de Lagarde, “não faz diferença emprestar à Grécia ou à Alemanha".
“Se não houver uma solução rápida e abrangente e coletiva, logo a zona do euro -  e não só sou eu a dizer isso, posso ter sido a primeira - corre o risco de ter uma década perdida. (...) a avaliação do mercado é de que a zona do euro é uma zona econômica também, não faz diferença emprestar à Grécia e à Alemanha", disse.
‘Não vimos a crise se formando’
Lagarde disse que, assim como “praticamente todos” os órgãos internacionais do mundo, o FMI falhou em prever a crise de 2008, cujo marco inicial foi a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers.
“Nós, assim como muitos outros, falhamos em reconhecer a crise precocemente. Não me conforta o fato de que praticamente todos não anteciparam, apenas um ou outro economista no mundo. (...) Nós não vimos a crise que estava se formando”, disse a diretora.
Lagarde destacou pontos positivos da postura do FMI no reconhecimento, ainda que tardio, da crise.

“Fomos honestos o suficiente para reconhecer, e buscamos pessoas que têm a tendência a criticar para que dissessem a nós o que fizemos de errado, pedimos que nos apontassem por que não vimos a crise chegar. Fizemos um relatório que ‘levantou a pele’ do FMI e o levamos a público, nos arriscamos. Muitos outros não fizeram isso”.
A diretora disse que o objetivo do FMI é ser eficiente, mesmo que de forma mais discreta.
"Eu estou muito feliz que o FMI esteja no meio disso, mas de forma efetiva, não necessariamente de uma forma visível", disse Lagarde.
Risco de contágio é concreto
Lagarde destacou a posição atuante do FMI no combate à crise citando os exemplos de Itália, Portugal e Grécia, que atualmente estão sob programas do Fundo.
“Dois desses três (países) estão procedendo conforme o plano; o caso da Grécia é muito mais complicado do que pensávamos inicialmente. O risco de contágio (para outros países europeus) que todos temiam agora é uma coisa concreta”. Para Lagarde, a dificuldade que países como a Alemanha têm enfrentado nos leilões de títulos é uma evidência de como a crise se estendeu.
Brasil melhor que outros
Sobre a situação do Brasil na crise, Lagarde elogiou as políticas tomadas pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e citou o alto volume das reservas brasileiras como um dos pontos fortes do país contra a crise.
“Não acho que qualquer país possa ficar imune se a crise crescer e não for tratada, mas acredito que o Brasil está em situação melhor do que outros”, na opinião de Lagarde, o país já enfrentou uma crise de forma bem-sucedida e está habilitado a resistir a choques.
Questionada sobre se os líderes europeus não deveriam se preocupar mais em resolver a crise da dívida imediata do que em discutir como evitar que o problema volte a ocorrer no futuro, Lagarde disse acreditar que é importante tratar das três questões.
“Não se pode concentrar energia em um dos pontos. Concordo que a dívida deva ser a prioridade, mas depende também do que se faz em termos de consolidação fiscal e estimulo à economia (...). E também medidas que permitam o crescimento, porque sem crescimento é muito difícil resolver a dívida”, afirmou.
Países no FMI
Questionada sobre as críticas que recebe de que o FMI é considerado um órgão de liderança majoritariamente europeia, Lagarde disse que, como dirigente do fundo, é o que define como "animal do FMI". "Somos uma espécie única", brincou a diretora, bem-humorada.
"Eu me levanto todo dia e penso nisso, quando vejo as 177 bandeiras no hall do FMI, que tenho que trabalhar por todos eles”, afirmou. "O conselho do FMI, no entanto, representa seus respectivos países, e temos todos os interesses representados", afirmou.

Fonte:.globo.com/economia/noticia/2011/12/zona-do-euro-podera-ter-decada-perdida-diz-lagarde.html

14.10.11

Brasil poderá aumentar participação no FMI, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que o Brasil poderá aumentar sua participação no Fundo Monetário Internacional (FMI), cujos recursos poderão ser usados para conter a crise da dívida da zona do euro.

"Hoje nós temos recursos aplicados no Fundo Monetário. Possivelmente, inclusive, nós iremos ter uma maior participação", disse Dilma, durante assinatura do pacto Brasil sem Miséria com governadores da Região Sul, em Porto Alegre.

Ministros das Finanças do G20 reunidos em Paris neste fim-de-semana discutem propostas para dobrar o capital do FMI como forma de ajudar a Europa. O plano, contudo, enfrenta resistência dos Estados Unidos, que afirmaram que os recursos já disponíveis no Fundo seriam suficientes.

Os ministros preparam terreno para a reunião dos presidentes do grupo no mês que vem, que deverá ser dominada pela crise da zona do euro e como evitar um contágio maior.

Dilma voltou a criticar as medidas impostas pelo FMI quando o Brasil precisou recorrer aos recursos do Fundo e que, segundo ela, impossibilitaram o país de crescer.

A presidente afirmou que a virada se deu quando "nos livramos dele" ao pagar a dívida com a instituição, e afirmou que não aceitará que as mesmas exigências sejam impostas a outros países que necessitem de auxílio do Fundo.

"Jamais aceitaremos, como participantes do Fundo Monetário, que certos critérios que nos impuseram sejam impostos a outros países", disse.

A presidente declarou também que o Brasil tem capacidade maior de lidar com as turbulências. Ela ressaltou o mercado interno como uma das armas ante as dificuldades externas, mas disse que a redução do consumo em todo o mundo atinge o país.

"Nós não somos uma ilha, de uma forma ou de outra nós somos atingidos pela crise através da redução do consumo em todas as regiões do planeta".

"Nós iremos resistir equilibrando o nosso crescimento", disse ela, que tem se mostrado contrária à adoção de políticas fiscais que comprometam o crescimento.

(Por Hugo Bachega)

25.9.11

FMI pode não ter dinheiro suficiente para socorrer grandes, diz Lagarde

Relatos sugerem plano para Grécia não pagar dívida e seguir no euro.


O Fundo Monetário Internacional pode não ter dinheiro suficiente para fornecer pacotes de resgate financeiros para grandes economias da zona do euro, disse a diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde.

Ela disse que o FMI consegue cumprir com suas atuais obrigações, mas a situação pode mudar se a crise internacional se agravar.

Publicamente, lideranças políticas insistem que não há plano para uma moratória das Grécia, mas relatos sugerem que se estuda a possibilidade de o país não pagar suas dívidas e permanecer na zona do euro.

Acredita-se que lideranças europeias estão convencidas de que o caminho a ser trilhado é recapitalizar os bancos e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês)

O correspondente econômico da BBC Joe Lymam afirma que a meta é aumentar o dinheiro que o EFSF disponibiliza para ajuda financeira a bancos e membros de 440 bilhões de euros para 2 trilhões de euros.

Lymam diz que o plano permitiria ao Banco Central Europeu comprar mais bônus de Itália e Espanha, evitando que estes países necessitem de um pacote integral de ajuda.

O ministro grego para Relações Econômicas Internacionais, Constantine Papadopoulos, disse que deixar a zona do euro seria uma catástrofe para o país.

'Pessoalmente acho que deixar a zona do euro nos levaria de volta para os anos 1960 ou 70', disse ele à BBC, referindo-se a poder aquisitivo do país na época.

Nesta semana, o FMI e a União Europeia devem monitorar os progressos que a Grécia vem atingindo em seus planos para a redução de seu déficit.

A Grécia ainda recebe dinheiro de um pacote aprovado em maio do ano passado, embora a próxima parcela possa ser cancelada se os inspectores julgarem que o país não está cumprindo as metas de cortes estipuladas.

Analistas dizem que a possibilidade de isto ocorrer é grande. Sem a parcela deste mês, a Grécia não deve ser capaz de pagar sua dívida a partir do mês que vem.

Um segundo pacote do FMI e União Europeia foi aprovado para a Grécia em julho deste ano, mas este ainda precisa da ratificação de um número de países da zona do euro.

fonte :http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/09/fmi-pode-nao-ter-dinheiro-suficiente-para-socorrer-grandes-diz-lagarde.html