O Brasil
precisa voltar a crescer 5% ao ano. Para sustentar esse crescimento já a partir
de 2013 terá de aumentar a capacidade produtiva e recuperar o investimento de
25% do PIB que deixamos escapar nos últimos anos. Alcançar esse nível de
investimento vai depender fundamentalmente de ações de governo.
O setor privado brasileiro continua a
investir mais de 25% de sua renda líquida (PIB, menos impostos) e não mudou
nada nos últimos 30 anos. Quem investia e deixou de fazê-lo foi o governo, a
União principalmente. Os governos estaduais e municipais melhoraram a poupança
após a vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O PIB brasileiro cresceu à taxa anual de 7,5%
(1948-1980) porque a carga tributária bruta era de 24%, e o investimento
público era de 4% a 5%. Por que crescemos nos últimos 30 anos à média anual de
2,8%? A principal razão é que, com uma carga tributária bruta de 35% do PIB, o
investimento público se reduziu a 2%!
O governo federal se prepara agora para
acelerar o crescimento, mediante investimentos da ordem de 100 bilhões de reais
em projetos de infraestrutura, com taxas de retorno capazes de atrair o que há
de melhor e mais confiável na engenharia nacional. Nos próximos cinco anos,
esses empreendedores vão elevar os investimentos sem sobrecarregar o orçamento
federal (no qual não cabe o que já está lá dentro), fazendo crescer a renda e o
consumo imediatamente e a capacidade produtiva futura – a produtividade total
da economia – quando executados.
Não há dúvida de que o governo da presidenta
Dilma está a trilhar o caminho certo, ao trazer a cooperação das empresas
privadas para investir não apenas no setor estratégico da energia como também
na importantíssima tarefa de desatar os nós da logística, colocando em
concorrência os programas de concessões em rodovias, ferrovias e hidrovias e na
ampliação das instalações portuárias marítimas ou fluviais.
Para o País crescer realmente é preciso
multiplicar os estímulos à participação dos investimentos privados e ampliar os
públicos, sem permitir o aumento das despesas de custeio.
A presidenta lida com um sério problema de
tentativa de fortes reajustes na remuneração do funcionalismo público, que já
recebeu benefícios extraordinários. Sua renda cresceu, nos últimos seis ou sete
anos, o dobro do que cresceu o PIB. Tudo bem que o servidor público exerça
funções importantes, mas ele precisa entender que há um limite e que a greve
coloca a população contra as suas reivindicações. Ele parece não acreditar que
a greve possa ter custos, como advertiu o ex-presidente Lula, e pode levar à
suspensão do recebimento dos salários.
O
governo terá de balancear
isso, diante do fato de que, de um lado, estão os 196 milhões de cidadãos
brasileiros e, de outro, os 600 mil ou 700 mil funcionários cujos líderes se
portam como representantes de uma categoria especial, “exigindo” do governo
aquilo que não pode conceder. Se ceder, vai perder o objetivo a que se propôs
de voltar a investir nos projetos decisivos para a retomada do crescimento da
economia.
O momento exige uma grande responsabilidade
do governo, que deve manter o equilíbrio de suas contas para não pressionar a
elevação das taxas de juro pelo aumento do déficit fiscal, principalmente. Se
desejarmos crescer sem perder a estabilidade, não será possível transigir com
as reivindicações abusivas do funcionalismo sindical. Chegou a hora de mostrar
com clareza que eles são servidores, não senhores do público.
A presidenta tem razão quando diz que “não se
pode brincar com as finanças públicas”. Os 196 milhões de cidadãos brasileiros
“excluídos” desses benefícios devem apoiar fortemente, pela palavra e pela
ação, a disposição do governo de resistir.
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/economia/crescer-o-investimento/