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3.12.11

Redução de IPI e IOF ainda não atraem consumidor

Um dia após o governo anunciar medidas de incentivo à economia, lojistas e concessionários de veículos estavam animados com a novidade. Mas compras e negócios mesmo eram poucos.
O teste para a eficácia das ações será hoje --primeiro sábado do mês e com os trabalhadores com dinheiro na mão da primeira parcela do 13º salário.
Para produtos da linha branca, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) foi de 10 pontos para lava-roupas e 5 pontos para geladeiras. Fogões e tanquinhos ficam isentos até março de 2012, quando vence a medida do governo.
Para estimular a venda de veículos, o governo reduziu meio ponto percentual sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) --de 3% para 2,5%. O imposto incide sobre os financiamentos dos carros, que no Brasil correspondem a 60% das vendas.
"[O IPI] É um argumento a mais para o vendedor abordar o cliente. A verdade é que as vendas do varejo vinham desacelerando e essas medidas podem dar um fôlego pontual para o Natal", disse Cesar Felizoni, coordenador do Provar.
O presidente do Sincodiv (sindicato dos concessionários e distribuidores de São Paulo), Octavio Leite Vallejo, afirmou que o governo "se adiantou às possibilidades de queda ou estagnação do segmento que mais emprega".
No Estado de São Paulo são 2.112 revendas de veículos autorizadas pelas montadoras. Só na cidade de São Paulo são 559 lojas. "Ainda não sentimos aumento nas procuras e nas vendas com a redução do IOF. Mas isso vai acontecer aos poucos", disse Vallejo.
"A redução do IOF é, por si só, mais eficaz que a redução de juros e suficiente para manter a procura por veículos a níveis adequados", disse o presidente da Fenabrave (federação da distribuição de veículos), Sérgio Reze.
Dados divulgados ontem pela federação apontam que, até novembro, a venda de automóveis e comerciais leves cresceu 4,34% no ano. "Esperamos crescer 0,5% acima do PIB", disse. Ao todo, foram 3,096 milhões de unidades emplacadas no período.
**SHOPPINGS*
A Folha percorreu ontem os shoppings Bourbon (zona oeste), Center Norte (zona norte), Aricanduva (zona leste) e Anália Franco (zona leste) para conferir a receptividade às medidas.
Nas redes de varejo como Casas Bahia, Magazine Luiza, Carrefour, Extra, Ponto Frio e Fast Shop, os preços de produtos da linha branca ficaram até 10% mais baratos.
O movimento era maior nas lojas da periferia do que nas da região nobre da cidade. "[O incentivo fiscal] É uma preocupação saudável do governo de se antecipar e não esperar como fez em 2008", disse Altamiro Carvalho, da Fecomercio-SP. 

Redução de IPI é reivindicação antiga da indústria de eletrodomésticos

As medidas anunciadas pelo governo para estimular o consumo no Brasil foram motivo de comemoração para a indústria de eletroeletrônicos. “A decisão é muito apropriada. No momento em que houve uma desaceleração econômica, o governo mostrou que tem se mantido muito atento e tomou providência”, disse Lourival Kiçula, presidente da Eletros, associação que representa o setor.
Dentre as medidas que entraram em vigor ontem, está a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de linha branca, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar. Segundo Kiçula, essa é uma reivindicação antiga do setor. “Faz tempo que temos discutido com o governo que IPI de 20% para uma lavadora é uma alíquota muito elevada.”
Há pelo menos dois anos os fabricantes negociam uma redução permanente do IPI para produtos como geladeira e máquina de lavar. Os itens de linha branca chegaram a ter a alíquota reduzida em 2009, quando o setor sofria com os efeitos da crise financeira internacional, mas voltaram a ter o imposto elevado após sinais de recuperação nas vendas.
“O IPI para a linha branca da forma como tem sido cobrado está errado. Os produtos de linha branca são itens essenciais para a vida das pessoas de menor poder aquisitivo e por isso deveriam ter imposto reduzido de modo permanente”, afirmou Benjamin Sicsul, vice-presidente de novos negócios da Samsung. “Uma máquina de lavar, hoje em dia, não é luxo, é uma necessidade para a dona de casa que trabalha fora e ainda tem que cuidar das tarefas domésticas.”
Sicsul acredita que a redução do IPI vai impulsionar as vendas desses produtos. “Assim como aconteceu quando o governo cortou o imposto em meio à crise, esperamos grande aumento do consumo. Existe um impacto direto porque reduz o preço final para os consumidores”, afirmou. O executivo espera que a redução do IPI se torne permanente – a medida anunciada pelo governo valerá até março de 2012.
Para Armando Valle, vice-presidente de relações institucionais e de sustentabilidade da Whirlpool, uma eventual prorrogação da medida estaria condicionada às necessidades de arrecadação federal e outras decisões de política econômica. “Seria ideal, mas a gente entende que tem todo um problema de arrecadação ao longo do ano”, afirmou Valle.
Para ele, a redução do IPI anunciada ontem é uma “boa medida”. “A intenção do governo é entrar o ano com a economia acelerando. Ou poderia começar 2012 desacelerando”, disse. Segundo Valle, embora o setor não esteja vivendo uma crise, o mercado de linha branca tem sofrido desaceleração nos últimos meses, acompanhando o desempenho da economia brasileira.
“O setor sentiu o impacto, mas ainda assim a previsão era fechar o ano com crescimento de 5%, um número razoável, embora não igual ao desempenho de 2010”, afirmou. Além de impulsionar as vendas, o executivo afirma que as medidas dão confiança para a Whirlpool realizar seus investimentos previstos para o Brasil no ano que vem.
Ele acredita que além de contribuir para elevar as vendas de linha branca, as medidas também incentivam o varejo e outros setores produtivos da economia. “Isso gera um grande movimento, que é bom para tudo que está dentro das lojas, já que o consumidor compra também outros produtos”, disse. “Essa é uma das maiores cadeias produtivas, junto com veículos, e tem poder de trazer impacto para diversos setores.”
A Electrolux disse, em nota, estar otimista com a redução de IPI e espera um “crescimento significativo do setor de linha branca já neste final de ano”. A empresa estima que a demanda pelos produtos cresça mais de 25% enquanto a medida estiver em vigor, considerando um avanço de 3% a 4% do PIB brasileiro. “A atual perspectiva da economia brasileira só tem a contribuir para que nossos investimentos cresçam.”


25.9.11

Dólar caro é encrenca para o governo, diz ex-secretário do Ministério da Fazenda

Economista Roberto Macedo acredita que será difícil o BC cumprir a meta de inflação



o Paulo – A alta repentina do dólar virou uma encrenca para o governo no combate à inflação. Na avaliação do ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda Roberto Macedo, a desvalorização cambial terá impacto nos preços.

“O governo se meteu numa encrenca. O Banco Central fez uma jogada muito arriscada (redução dos juros) porque acreditou na queda da inflação, e não está acontecendo nada disso. O câmbio se desvalorizou por caminhos tortuosos, vai acabar impactando a inflação e atrapalhando o Banco Central”, diz Macedo, que é pesquisador da Fipe e professor da Faap.

Nesta semana, uma reportagem de EXAME.com mostrou que se o dólar chegar aos R$ 2,00 no quarto trimestre, a inflação pula para 7,2% neste ano.

Entre os fatores que pressionam a moeda americana, o professor cita um externo e um interno. “No cenário internacional, prevalecem os problemas na Grécia e a possibilidade de outros países seguirem o mesmo caminho. No plano interno, o governou andou mexendo com a tributação da entrada de capitais e principalmente com aquelas posições vendidas no mercado de câmbio. Muitos agentes passaram para posições compradas (apostas na valorização do dólar).”

Em entrevista a EXAME.com, Roberto Macedo diz que a alta na cotação da moeda americana pressiona vários itens da economia. “Nas empresas, depende dos insumos que elas usam. Nas famílias, pressiona o preço de alimentos como trigo, pão, óleo de soja e outras coisas. Afeta até os produtos chineses que as famílias compram na 25 de março (famosa rua de comércio popular em São Paulo).”

A inflação poderia piorar ainda mais se a Petrobras reajustasse o preço da gasolina, mas isso não deve ocorrer, segundo ele, porque "a Petrobras é hoje um departamento governamental”.

O economista ressalta que o Banco Central “tem bala” para segurar o câmbio. “Se a Grécia quebrar, (o dólar) vai dar um pulo para cima.”

Tripé frouxo

Roberto Macedo avalia que o tripé econômico do Brasil – sistema de metas de inflação, câmbio flutuante e ajuste fiscal – está “frouxo”.

“A coisa fiscal é toda cheia de maquiagem. A gente não sabe muito bem que rumo tomou. Eu não confio muito em ajuste fiscal, pois o que eles fazem é apenas gastar num ritmo menor que o do crescimento da arrecadação. A inflação esse ano já era. O Banco Central, para fazer jus ao nome, vai aumentar os juros em algum momento ou o governo vai mexer no câmbio. O tal tripé está balançando.”

IPI para importados

Macedo, que esteve no Ministério da Fazenda no governo Collor, quando foi feita a abertura econômica, avalia que foi um equívoco a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Você não pode ficar mudando muito a regra do jogo porque você perde a credibilidade. Isso também vale para a queda dos juros que aconteceu abruptamente, sem uma pausa para meditação.”

O economista conclui: “Suponha que você tenha montado uma importadora de automóveis. Como empresário, você fica furioso. Por que só a indústria automobilística? Cheira muito a lobby. Por que não a indústria têxtil ou a metalmecânica? Tem um monte de gente (setores) com problema.”


fonte: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/dolar-caro-e-encrenca-para-o-governo-diz-ex-secretario-do-ministerio-da-fazenda?page=2&slug_name=dolar-caro-e-encrenca-para-o-governo-diz-ex-secretario-do-ministerio-da-fazenda