20.11.09

BB e Caixa ganham com menor inadimplência

DCI (SP)

José Guerra


SÃO PAULO - A diferença entre bancos públicos e privados verificada no volume de crédito liberado este ano aparece também nos níveis de inadimplência. E isso deve trazer vantagens para as instituições de capital público, já que é esperado um aumento de operações em atraso no início de 2010.

Os bancos afirmam que a inadimplência atingiu o pico ao fim do terceiro trimestre, com média do sistema financeiro nacional de 5,8% em setembro, segundo dados do Banco Central, e deve começar a cair. Das cinco maiores instituições no País, apenas as do governo federal registraram quedas no índice em setembro, ante junho. Apesar da alta da inadimplência geral, de 0,3 ponto, a 3,6%, o Banco do Brasil apresentou queda na pessoa jurídica e física, de 0,1 e 0,5 ponto percentual, respectivamente, a 3,1% e 5,2%. Já a Caixa Econômica Federal teve baixa de 0,3 ponto no geral, a 3,6%, com queda de 0,3 ponto em empresas, a 2,1% e de indivíduos caiu 0,2 ponto, a 5,2%.

Entre os privados, o Santander apontou crescimento de 0,7 ponto, a 7,7%, com alta de 0,4 ponto em pessoa jurídica, a 6,1%, e de 0,9 ponto na física, a 9,7%. O Itaú Unibanco registrou um total de 5,9%, 0,5 ponto superior a junho, com estabilidade em 8,1% no índice para indivíduos e aumento de 0,1 ponto nas empresas, a 4,1%. O Bradesco chegou a 5% no período, e registrou um aumento de 0,4 na física e de 0,6 ponto na jurídica, a 7,6% e 5,1%, respectivamente.

Em relação aos meses subsequentes de 2010, os analistas divergem sobre a tendência, se é de alta ou de queda.

Paras o consultor da Fipecafi, Luiz Jurandir Simões, o aumento da atividade econômica e do consumo devem levar à estabilização da inadimplência por volta "dos 6% ou 7%". "A inadimplência no Brasil nunca se estabiliza muito baixa. As pessoas tendem a se comprometer mais do que deveriam, sem qualquer planejamento orçamentário", justifica.

Já Felisoni, da FIA, acredita em uma média menor que a atual, em função do aumento de volumes. "Não há uma tendência de crescimento. Com o aumento do emprego e da massa de salários, melhora a distribuição das vendas e deixa a inadimplência diluída", justifica o acadêmico.

Para o diretor de Novos Negócios e Desenvolvimento da SysOpen, empresa especializada em recuperação de crédito, Wellington Gomes, no fim do ano há entrada de um maior volume de dinheiro na economia, principalmente devido ao 13º salário. Em compensação, há um retorno da elevação nos índices no primeiro trimestre do ano seguinte. "As compras de fim de ano são expressivas. No entanto, em janeiro, além das parcelas dessas compras, há obrigações tributárias como Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)."

"As pessoas tendem a quitar suas pendências no fim do ano, a limpar o nome, para usufruir do crédito nesse período", completa o raciocínio, o coordenador do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), Cláudio Felisoni.

Segundo Gomes, o crescimento do índice de calotes deverá ser puxado principalmente pela pessoa física, uma vez que a inadimplência da pessoa jurídica tende a diminuir. "As empresas dependem do crescimento econômico. Com a perspectiva de uma retomada mais intensa da atividade econômica em 2010, esse segmento tende a se equilibrar." Como ele explica, a pessoa jurídica estaria "lastreada" na física, dependendo do aumento da empregabilidade e da massa salarial.

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