Países tentam em vão impedir a alta de suas moedas para manter a competitividade das exportações
DA BLOOMBERG
Brasil, Coreia do Sul e Rússia estão perdendo a batalha para impedir a valorização de suas moedas e manter a competitividade das exportações. A demanda por seus ativos, puxada pelo dólar em queda, está se mostrando superior aos instrumentos dos Bancos Centrais para administrar a situação.
O vice-ministro da Fazenda da Coreia do Sul, Shin Je Yoon, disse que o país vai deixar sua moeda ao sabor das forças de mercado, após elevar em US$ 63 bilhões suas reservas cambiais em 2009, com o objetivo de desacelerar a alta do won.
O ministro da Fazenda do Chile, Andrés Velasco, informou que os parlamentares aprovaram o aumento das vendas de títulos do país para financiar os gastos, iniciativa que permitirá que o governo mantenha maior volume de suas recursos em dólar no exterior e desacelere a alta do peso.
Os governos de países emergentes estão acumulando reservas cambiais recorde, ao orientar seus Bancos Centrais a comprarem dólares para conter a queda da divisa americana e evitar que suas moedas se valorizem rápido demais, encarecendo as exportações.
Metade das 10 moedas de melhor desempenho do mercado de câmbio em 2009 são de mercados em desenvolvimento, que subiram em média 14%.
O won sul-coreano caminha para registrar seu ano de maior alta desde a valorização de 15% alcançada em 2004. A moeda já subiu 8,5% em 2009.
No Brasil, o real teve alta de 34,6% neste ano. Só em novembro, o dólar caiu 1,99% em relação ao real, mesmo após a adoção do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 2% sobre os investimentos estrangeiros em ações e renda fixa.
"Temos de ter cuidado para que o câmbio não se aprecie demais e desindustrialize o país. O setor de bens de capital tem sofrido muito", disse Marcos Veríssimo, do BNDES.
"Tenho visto uma série de ruídos denotando desconforto do governo com a apreciação do real. Há muito pouco que o Brasil sozinho possa fazer para conter a queda do dólar", afirmou Rodrigo Azevedo, ex-diretor do BC brasileiro.
O BC da Rússia elevou suas reservas cambiais em 15% desde 13 de março na tentativa de conter a alta do rublo, que subiu 2% em 2009. Mesmo assim, a disparada dos preços das commodities em 2009 poderá tornar ineficientes as medidas da Rússia de combate à alta da moeda, segundo o FMI. Commodities como petróleo e gás natural responderam por 69,5% das exportações russas.
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse que a recente queda do dólar é uma reação à alta anterior da moeda e à dinâmica do mercado, que dá aos EUA poucas opções para mudar o curso de sua moeda. Para Zoellick, a alta da moeda americana depende do grau de confiança nos ativos em dólar e também dos movimentos das outras moedas.
"O dólar está desvalorizando porque os EUA têm as taxas de juros de curto prazo mais baixas do mundo", disse Chris Low, economista da consultoria americana FTN Financial, especialista em câmbio de moedas.
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