Crise: Premiê Merkel defende corte de impostos e manutenção de gastos
Bertrand Benoit, Financial Times, de Berlim
A premiê da Alemanha, Angela Merkel, defendeu a decisão de seu governo de estimular o crescimento ao cortar impostos, em vez de tentar uma consolidação fiscal.
Ela entretanto reconheceu que a iniciativa traz riscos e disse: "Se cometermos erros pelo caminho, não haverá como corrigi-los. Mas, se fizermos as coisas certas, daremos uma nova força à Alemanha".
Discursando no Parlamento pela primeira vez desde que assumiu seu segundo mandato, 13 dias atrás, Merkel disse que seu governo iria adiante com os cortes de impostos de empresas e de consumo, mesmo com o déficit orçamentário a caminho de quase € 90 bilhões (US$ 135 bilhões) no ano que vem, mais que o dobro do recorde no pós-guerra.
Ela disse que os cortes de impostos vão garantir que a Alemanha emerja "rapidamente" da crise econômica dos últimos dois anos. "Sem crescimento, não pode haver investimentos, novos empregos, dinheiro para educação e assistência social."
Merkel disse que o governo pretende estender o programa de emprego temporário, que subsidia as empresas para que mantenham durante a crise os empregados que consideram dispensáveis. O programa, que já dura dez meses, evitou uma alta muito grande no desemprego.
Ela pediu ao Parlamento que acelerasse as discussões sobre a "lei de aceleração do crescimento", apresentada por seu gabinete na segunda. O primeiro pacote de medidas para estimular o crescimento inclui os cortes de impostos para famílias e empresas.
Frank-Walter Steinmeier, líder do Partido Social Democrata (SPD, na sigla em inglês, o maior de oposição), acusou Merkel de trair a tradição alemã de prudência fiscal e de complacência, ao apostar no aumento da arrecadação assim que a crise acabar. "Esse truque nunca funcionou", disse Steinmeier. "Você sabe que não funciona e mesmo assim vai em frente com ele."
A premiê disse que apoiar o crescimento é uma das facetas de sua ambiciosa agenda de cinco pontos formulada pelo governo para superar a crise econômica, fortalecer o vínculo entre os cidadãos e o Estado, gerenciar melhora tanto a diminuição quanto o envelhecimento da população, combater as mudanças climáticas e procurar um melhor equilíbrio entre segurança e liberdade.
Sob pressão doméstica depois do colapso da ajuda estatal à montadora Opel, controlada pela americana General Motors, Merkel se defendeu: "Se não tivéssemos feito nada, a Opel não existiria mais".
Berlim concordou em injetar € 4,5 bilhões na companhia e providenciou um empréstimo-ponte para cobrir os custos de operação da empresa. O acordo foi desfeito quando a GM se negou a cumprir uma condição central - a venda da Opel para um consórcio russo-canadense -, numa decisão que Merkel classificou de "altamente lamentável".
Merkel disse que compareceria à reunião sobre mudanças climáticas patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhague no mês que vem para melhorar as chances de sucesso da cúpula.
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