Shamim Adam, Bloomberg News, de Cingapura
A economia mundial enfrenta riscos no ano que vem, uma vez que o crescente desemprego deverá prejudicar os bancos e as bolhas dos ativos na Ásia poderão solapar a confiança, afirmou ontem o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick. "A boa notícia é que os mercados financeiros interromperam a queda e que existe uma sensação de renascimento nesses mercados", disse Zoellick em discurso em Cingapura. "A maioria das expectativas aponta para um processo de crescimento relativamente lento. Estou, na verdade, relativamente tranquilo quanto às perspectivas para este ano, mas, ao pensar em 2010", prevemos alguns riscos, disse ele.
As economias em desenvolvimento como a da China e a da Índia poderão ser motores mundiais de crescimento e neutralizar os efeitos do enfraquecimento do consumo nos EUA, disse Zoellick. O yuan chinês pode vir a se tornar a moeda de reserva mundial dentro de 20 anos, uma vez que a divisa vai se internacionalizar mais em 10 anos a 15 anos, disse ele.
A Austrália elevou as taxas de juros por duas vezes neste trimestre e a Índia começou a enrijecer a política monetária com a volta dos riscos de inflação em meio à nascente recuperação mundial. A produção industrial e o superávit da balança comercial da China aumentaram em outubro, e as encomendas por maquinário japonês cresceram em setembro a um ritmo superior ao dobro do estimado pelos economistas, segundo mostram relatórios divulgados ontem.
A recuperação não será uniforme em todo o mundo, disse Zoellick. Os governos mundiais devem dar prosseguimento a suas medidas de incentivo atuais, embora novos pacotes de estímulos possam não ser necessários, disse ele em outra mesa-redonda em Cingapura. Os países asiáticos ainda poderão ter tempo até terem necessidade de enrijecer a política econômica, apesar de que a região - que deverá crescer de forma mais acelerada que outras partes do mundo, segundo se prevê - deverá enfrentar pressões inflacionárias, disse Zoellick.
A região precisa ficar atenta à formação de bolhas de ativos, e as soluções não serão fáceis de adotar, disse ele. As autoridades devem estudar a possibilidade de empregar outros instrumentos antes de elevar as taxas de juros para conter a escalada dos preços dos ativos, acrescentou. A recuperação mundial foi alimentada, em parte, pela confiança, que será solapada pelas bolhas de ativos, disse Zoellick. Os bancos do mundo inteiro também enfrentam novos riscos, com a alta das taxas mundiais de desemprego, que dificulta a quitação dos empréstimos, disse.
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