O preço médio do álcool nos postos baianos cresceu 7,09% no mês de outubro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com isso, está se tornando mais econômico voltar para a gasolina – em 46 postos visitados pela reportagem de A TARDE nesta terça, somente em dois o álcool se mostrava mais vantajoso.
O aumento do etanol segue uma tendência nacional e deve continuar pelos próximos dois meses, opina o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis), Walter Tannus. Na primeira semana de outubro, a ANP registrou o valor médio de R$ 1,747 nos postos do Estado, enquanto que, na semana passada, o preço já era de R$ 1,871.
“Com a quebra da safra da cana-de-açúcar na Índia, o mercado internacional ficou desabastecido e os usineiros brasileiros preferiram produzir açúcar, ao invés de etanol, por lucrarem mais. Como continua a demanda por álcool no mercado interno, mas a produção caiu, o preço acaba subindo. As distribuidoras estão nos repassando aumentos quase que diariamente”, explica Tannus, que contabiliza essa subida de preços desde agosto.
Nesse cenário, optar pela gasolina acaba saindo, em muitos casos, mais barato – vantagem para quem tem carros bicombustíveis. “O preço do litro da gasolina é maior, mas ela rende mais do que o álcool. Quando 70% do preço da gasolina no posto é mais barato que o valor total do litro álcool, é melhor optar pela gasolina”, afirma Tannus. Esse cálculo é simples de ser realizado: multiplica-se o preço da gasolina por 0,7. Se o resultado é menor do que o valor do litro do álcool, sai mais barato abastecer com gasolina.
Realizando esse cálculo com a média de preços da semana passada, levantada pela ANP, o valor médio obtido pela gasolina é menor que a média do álcool, tanto para os postos da Bahia como de Salvador. Na capital baiana, o litro do álcool subiu de R$ 1,765 no início do mês para R$ 1,872 na semana passada (crescimento de 6%). A média da gasolina é de R$ 2,657.
O engenheiro civil Rodrigo Araújo, 29 anos, abastecia no Posto Namorado (Itaigara) e reclamou dos preços. “O álcool deu um salto gigantesco. Abasteci pouco agora, para colocar mais em outros locais mais baratos”, disse Araújo. O litro no posto estava a R$ 1,94.
Meio ambiente - Apesar do preço em ascensão, o álcool tem a vantagem de poluir menos. “A gasolina vem do petróleo, cuja extração significa o lançamento de gás carbônico na atmosfera. A cana-de-açúcar, fonte do álcool, retira gás carbônico da atmosfera através da fotossíntese, mantendo um nível equilibrado”, explica o professor Luiz Pontes, coordenador do laboratório de pesquisa em combustíveis da Universidade Salvador (Unifacs). Mas ressalta: “O consumidor está mais preocupado com o bolso, então os produtores de cana-de-açúcar vão inibir o consumo caso os preços aumentem mais”.
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