4.11.09

Aumento no preço do álcool torna uso de gasolina mais vantajoso

Aguirre Peixoto e Sidnei Matos, do A TARDE

O preço médio do álcool nos postos baianos cresceu 7,09% no mês de outubro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com isso, está se tornando mais econômico voltar para a gasolina – em 46 postos visitados pela reportagem de A TARDE nesta terça, somente em dois o álcool se mostrava mais vantajoso.

O aumento do etanol segue uma tendência nacional e deve continuar pelos próximos dois meses, opina o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis da Bahia (Sindicombustíveis), Walter Tannus. Na primeira semana de outubro, a ANP registrou o valor médio de R$ 1,747 nos postos do Estado, enquanto que, na semana passada, o preço já era de R$ 1,871.

“Com a quebra da safra da cana-de-açúcar na Índia, o mercado internacional ficou desabastecido e os usineiros brasileiros preferiram produzir açúcar, ao invés de etanol, por lucrarem mais. Como continua a demanda por álcool no mercado interno, mas a produção caiu, o preço acaba subindo. As distribuidoras estão nos repassando aumentos quase que diariamente”, explica Tannus, que contabiliza essa subida de preços desde agosto.

Fernando Vivas / Agência A TARDE
Posto na Av. Bonocô, onde é cobrado R$ 1,76 pelo litro do álcool, um dos mais baixos da cidade
Posto na Av. Bonocô, onde é cobrado R$ 1,76 pelo litro do álcool, um dos mais baixos da cidade

Nesse cenário, optar pela gasolina acaba saindo, em muitos casos, mais barato – vantagem para quem tem carros bicombustíveis. “O preço do litro da gasolina é maior, mas ela rende mais do que o álcool. Quando 70% do preço da gasolina no posto é mais barato que o valor total do litro álcool, é melhor optar pela gasolina”, afirma Tannus. Esse cálculo é simples de ser realizado: multiplica-se o preço da gasolina por 0,7. Se o resultado é menor do que o valor do litro do álcool, sai mais barato abastecer com gasolina.

Realizando esse cálculo com a média de preços da semana passada, levantada pela ANP, o valor médio obtido pela gasolina é menor que a média do álcool, tanto para os postos da Bahia como de Salvador. Na capital baiana, o litro do álcool subiu de R$ 1,765 no início do mês para R$ 1,872 na semana passada (crescimento de 6%). A média da gasolina é de R$ 2,657.

O engenheiro civil Rodrigo Araújo, 29 anos, abastecia no Posto Namorado (Itaigara) e reclamou dos preços. “O álcool deu um salto gigantesco. Abasteci pouco agora, para colocar mais em outros locais mais baratos”, disse Araújo. O litro no posto estava a R$ 1,94.

Meio ambiente - Apesar do preço em ascensão, o álcool tem a vantagem de poluir menos. “A gasolina vem do petróleo, cuja extração significa o lançamento de gás carbônico na atmosfera. A cana-de-açúcar, fonte do álcool, retira gás carbônico da atmosfera através da fotossíntese, mantendo um nível equilibrado”, explica o professor Luiz Pontes, coordenador do laboratório de pesquisa em combustíveis da Universidade Salvador (Unifacs). Mas ressalta: “O consumidor está mais preocupado com o bolso, então os produtores de cana-de-açúcar vão inibir o consumo caso os preços aumentem mais”.

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