BRASÍLIA - O economista Emílio Garófalo Filho afastou-se da carreira do Banco Central para assumir suas novas funções de assessor para câmbio e comércio exterior no gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
As duas áreas estão sob a administração dos secretários Nelson Barbosa (Política Econômica) e Marcos Galvão (Assuntos Internacionais).
Garófalo é considerado, em Brasília, um especialista em assuntos relacionados a câmbio. Durante cinco meses, entre 1992 e 1993, ele foi diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), durante a gestão de Gustavo Loyola na presidência da instituição.
Mantega o convidou porque pretende desenvolver estudos para diminuir a valorização do real frente ao dólar.
Nos últimos anos, Garófalo vinha atuando na iniciativa privada. Em maio deste ano, retornou ao Banco Central, onde passou a trabalhar no Departamento de Organização do Sistema Financeiro.
No fim de outubro, Mantega disse ao Valor que o câmbio vai continuar flutuante, mas o Brasil não pode fazer " papel do bobo " enquanto os países asiáticos agem como bem entendem com suas moedas e desequilibram os fluxos de capital pelo mundo.
O comentário foi feito antes da reunião do G-20 financeiro, em Saint Andrews (Escócia), e refletia sua preocupação com o que chamou de " excesso de liquidez " provocado pelas medidas anticrise adotadas pelo mundo.
O câmbio flutuante funciona bem, na interpretação do ministro, quando todos o praticam. Sem essa condição de igualdade, o Brasil torna-se muito interessante porque tem perspectiva de crescimento sólido, mercado interno grande e normas claras.
O que vem agravando o ambiente de excesso de liquidez nos mercados, segundo Mantega, é que alguns países asiáticos não têm câmbio flutuante, o que provoca distorções.
Isso permite apostas na valorização de algumas moedas locais e nas bolsas de países mais seguros. Citou que Brasil, Austrália e Nova Zelândia estão nessa situação.
Para Mantega, a China deve seu excelente crescimento nos últimos 20 anos ao trabalho que fez tendo como base a moeda desvalorizada. A mesma estratégia funcionou para outros casos de sucesso como, por exemplo, Coreia do Sul, Alemanha no pós-guerra e Japão.
O ministro reconheceu que o Brasil se deu mal quando tentou manter o câmbio controlado, mas insistiu que o país não pode permitir que sua economia fique desequilibrada em função de excessos.
Há muita pressão do mercado por mudanças na recente tributação de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capitais estrangeiros de curto prazo, mas a postura de Mantega é, por enquanto, esperar para analisar os primeiros efeitos. Ele sabe que o IOF apenas " jogou água na fervura " , mas ressaltou que o objetivo principal é evitar descolamento dos bons fundamentos da economia com desequilíbrio entre produção e os ativos financeiros que a representam.
(Arnaldo Galvão | Valor)
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