Diário do Comércio (MG)
Recuperação da economia brasileira ajudou a melhorar os resultados do primeiro mês deste exercício.
JULIANA GONTIJO
As consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) cresceram 42,3% no mês passado, em comparação a janeiro de 2009. Apesar da alta expressiva, o resultado ficou dentro do esperado, segundo a economista da entidade, Ana Paula Bastos. "É importante lembrar que no mesmo período do exercício anterior havia a crise. O cenário agora é outro", observou.
Segundo ela, a recuperação da economia, que se tornou mais evidente no segundo semestre de 2009, ajudou a melhorar os números do primeiro mês deste ano, além das promoções realizadas por diversas lojas da cidade. "As empresas voltaram a contratar e a taxa básica de juros da economia, a Selic, se manteve em 8,75% ao ano. O cenário é positivo", salientou Ana Paula Bastos.
De acordo com a economista, excluindo a típica agenda tributária desta época do ano - marcada pelo pagamento de matrículas escolares e impostos - as dívidas com o Natal e os gastos com viagens interferem no orçamento do consumidor e, logo, no desempenho das vendas. Para ela, as famílias acabam optando por viajar na segunda quinzena do primeiro mês do exercício, o que pode ter ajudado no recuo de 12,4% nas consultas entre os dias 15 e 17 de janeiro, contra igual intervalo da semana anterior (08 e 10) do mesmo exercício.
Ela ressaltou que a retomada do crédito também deve ter ajudado no desempenho de janeiro e dos demais meses do ano passado. Em 2009, o volume de operações de financiamento aumentou 14,9% no Brasil, totalizando R$ 1,41 trilhão, segundo dados do Banco Central (BC). Apenas em dezembro, o incremento foi de 1,6%. O crédito direcionado - que inclui financiamentos habitacionais, rurais e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - apresentou expansão de 3,2% de novembro para dezembro e de 28,4% no ano.
Já o crédito com recursos livres, onde entra a maioria das linhas para pessoas físicas e jurídicas, teve crescimento de 0,8% no último mês de 2009 e de 9,4% no exercício. O montante de crédito concedido em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país foi de 45% em dezembro de 2009, contra 41,1% do mês anterior. No final do ano passado, essa modalidade representava 39,7% do PIB.
Para a economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, o aumento de 9,67% do salário mínimo, que passou para R$ 510, também deve beneficiar os resultados do varejo da Capital em 2010. A importância das classes populares para o setor é atestada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). De acordo com a entidade, o consumo dos públicos C e D vem crescendo no país, graças principalmente aos programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, do governo federal. Entre 2003 e 2008, 25,9 milhões de pessoas ingressaram na classe média brasileira.
De acordo com Ana Paula Bastos, as vendas em dezembro de 2009 apresentaram expansão de 16,3% ante novembro do mesmo exercício. Já na comparação com igual mês de 2008, o incremento foi de 5,2%. "Foi um bom resultado diante do cenário de retração econômica que dominou boa parte do ano passado", ressaltou.
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