Jornal do Brasil (RJ)
Adriana Diniz
O dólar – que em janeiro subiu 8% e fechou o mês cotado a R$ 1,885 para venda – deve estabilizarse entre R$ 1,80 e R$ 1,90 nos próximos meses, de acordo com analistas. A valorização da moeda americana, até o momento, é considerada positiva.
A tendência aumenta o preço das commodities (mercadorias com cotação internacional) e recupera o ganho com as exportações brasileiras, o que pode trazer de volta o saldo favorável da balança comercial.
– A princípio, devemos ter mais ganhos que prejuízos. Essa valorização é um alívio para as exportações. Os preços dos manufaturados ficam mais atrativos no exterior, estimulando o setor – avalia o diretor de macroeconomia da Mercatto Investimentos, Paulo Veiga.
O avanço do dólar no início do ano foi impulsionado por fatores externos, como o plano do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de regular o setor bancário, problemas fiscais em países da Europa, o aperto monetário da China e a surpresa positiva com o forte crescimento da economia americana no quarto trimestre de 2009.
Os mesmos motivos levaram à fuga de capital estrangeiro de R$ 2,01 bilhões em janeiro – o pior mês em investimento externo desde outubro de 2008. O resultado contribuiu para sucessivas quedas do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que perdeu 4,65% em janeiro, quando fechou aos 65.401 pontos.
– O investidor caiu na realidade.
Viu que muitas economias ainda não se recuperaram.
Mas isso é só um ajuste.
O prêmio de risco no Brasil é muito atrativo e os investimentos devem ser retomados – destaca Bernardo Moneró, analista da SLW Corretora.
Nos próximos meses, a previsão para o Ibovespa é de 70 mil pontos, podendo chegar aos 80 mil pontos no segundo semestre.
Ontem, tanto a Bolsa quanto o dólar deram sinais de reversão.
O dólar recuou 1,27% e fechou cotado a R$ 1,861, depois de nove altas seguidas. O Ibovespa subiu 1,79%, maior alta no ano, aos 66.571 pontos, com volume financeiro de R$ 5,7 bilhões.
Para o ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, ainda é cedo para julgar se o dólar continuará a trajetória de alta. Já a queda de ontem da moeda mostra que a economia brasileira sofre menos influência do cenário internacional que no passado.
“Haverá períodos de realizações de lucro, mas o dólar deve oscilar entre R$ 1,80 e R$ 1,90 nos próximos meses. A economia do Brasil está mais sólida, e o mercado brasileiro, mais atrativo.” As eleições neste ano podem, contudo, levar a novas altas do câmbio e baixas das ações. Incertezas dos investidores estrangeiros quanto ao futuro da economia brasileira tornam os mercados desenvolvidos mais atrativos para a aplicação de recursos.
E há boas perspectivas para a economia americana neste ano.
– Os papéis brasileiros estão caros, e as perspectivas de lucro são maiores quando há mais espaço para se recuperar. As oscilações do dólar e as incertezas das eleições deixam o investidor inseguro – explica Luiz Osório, professor do Ibmec-RJ.
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