25.2.10

Copa do Mundo vai trazer 13 grandes hotéis para capital

25 de fevereiro de 2010

O Tempo (MG)

Boom. Setor imobiliário se agita e especulação já valoriza terreno na região Centro-Sul em mais de 100%


Investimentos já previstos e em estudo podem chegar a R$ 100 mi

ZU MOREIRA


Belo Horizonte está prestes a receber 13 novos hotéis de padrão médio para luxo. Os empreendimentos visam atender a Copa do Mundo de 2014, mas já deixam o mercado imobiliário agitado desde agora. A especulação pode até a ameaçar este boom do setor hoteleiro.

Para Rodrigo Magerotti, superintendente da Arco, administradora de hotéis, a especulação imobiliária é inerente ao momento. Segundo ele, entre 2001 e 2003 houve carência de oferta de apartamentos. "Com o crescimento econômico, foi necessária uma readequação, mas não do jeito que está se processando. A construtora vende o imóvel alto e depois, com o aumento da oferta, quem sofre são as administradoras hoteleiras", disse.

Ele ressalta que os investimentos estão concentrados no padrão executivo. Em parceria com a Construtora Bitarães, a Arco tem dois empreendimentos em cursos. Em fase de aprovação na PBH, o San Diego Pampulha vai oferecer 72 leitos. A previsão é que a obra, com investimentos de cerca de R$ 15 milhões, seja iniciada em abril e seja concluída em um prazo de 18 meses. Já o segundo hotel, com capacidade para 85 apartamentos, está em fase de construção na região de Vespasiano, a um custo de cerca de R$ 10 milhões.

Já o Grupo Paranasa/Maio Empreendimentos, em parceria com a rede francesa Accor, está construindo o Ibis Belo Horizonte Savassi. Com investimento previsto de cerca de R$ 40 milhões, o hotel terá 208 apartamentos, com abertura prevista para o primeiro semestre de 2011. Outro exemplo é a Concreto Empreendimentos que vai erguer um hotel na região da Pampulha, previsto para ser entregue em 2012, mediante aporte de R$ 20 milhões.

Na avaliação de José Francisco Couto de Araújo, vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), tem havido "exagero" por parte do mercado na cotação de terrenos na região Centro-Sul da cidade, que deve receber alguns dos empreendimentos previstos. De 2008 até o início deste ano, segundo ele, a alta do custo do metro quadrado chega a 100%.

Nova oferta pode abrir 3.000 leitos em Belo Horizonte


Segundo a presidente da Abih-MG, Silvânia Capanema, a região da Savassi não comporta mais empreendimentos voltados para o setor hoteleiro. "O lotes são pequenos para a construção de hotéis", completa. O único empreendimento em andamento é o Ibis Savassi, do grupo Accor. Na sua avaliação, os investimentos previstos devem ser direcionados para a região da Pampulha e em pontos da avenida do Contorno. De acordo com ela, a especulação imobiliária não deve inibir os negócios no setor hoteleiro. "O que manda é o mercado".
No momento, um dos focos da entidade é a qualificação profissional. Com os novos empreendimentos em cursos, que irão acrescentar cerca de 3.000 apartamentos no setor hoteleiro, cerca de 2.000 empregos serão gerados. (ZM)

Entenda
Operação Urbana. O objetivo do instrumento é viabilizar intervenções de maior escala em atuação conjunta do poder público e da iniciativa privada, visando a integração e a divisão de competências e a obtenção de recursos para a execução de projetos comuns. Pode-se considerá-lo uma forma de urbanização consorciada, na qual o Estado faz concessões à iniciativa privada mediante o oferecimento de contrapartida.

Valorização

Metro quadrado por R$ 10 mil


Uma nova onda de especulações começa a surgir com o projeto de lei enviado pela Prefeitura de Belo Horizonte à Câmara Municipal, que incentiva a participação da iniciativa privada na construção de hotéis, hospitais e equipamentos culturais para atender a demanda na época da Copa do Mundo, em 2014. A chamada “Operação Urbana” prevê, entre outros benefícios, o aumento do coeficiente de aproveitamento do terreno, passando dos atuais três para cinco vezes a área construída. Ou seja: em um terreno de mil metros quadrados, a área construída líquida pode ser de até 5.000 metros quadrados, segundo o Sinduscon.

Em função do projeto, especula-se no mercado que “os bons terrenos na zona sul já estão cotados a R$ 10 mil o metro quadrado”. O representante do Sinduscon-MG já até ouviu falar desse valor, mas admite que, na região, o metro quadrado de um terreno comprado a R$ 4.000 em 2008 pode valer hoje cerca de R$ 8.000.

O padrão básico de um lote na zona Sul é de 400 metros quadrados. Para a construção de um hotel, são necessários, no mínimo, três lotes. Para ele, a especulação pode travar ou inviabilizar alguns negócios. “Se o terreno dobra de preço, o incentivo deixa de existir. O mercado é que vai ditar isso. O empreendedor deve avaliar com cautela. Se todo mundo começar a construir hotéis podem sobrar vagas após a Copa”, disse.

A presidente do Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG), Silvânia Capanema, disse que, com a aprovação do projeto, os empreendimentos já existentes poderão ser ampliados. Segundo a assessoria da Câmara Municipal, o projeto de “Operação Urbana” está pronto para ir a plenário para aprovação em primeiro turno. O que pode acontecer na semana que vem.

O mercado, no entanto, teme que, com o aquecimento do setor hoteleiro, haja uma superoferta de leitos em Belo Horizonte e região após o término do maior evento esportivo do mundo. (ZM)

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