5.2.10

Para FMI, Grécia vai precisar de ajuda

05 de fevereiro de 2010

Valor Economico (SP)

Agências internacionais

O diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou ontem que o órgão socorreria a Grécia, embora espere que a UE (União Europeia) se ocupe da situação do país, que "é séria".

"Se pedirem, interviremos. Mas entendo que os países da UE deveriam resolver o problema entre eles", declarou Strauss-Kahn em entrevista à rádio RTL. Apesar de ter dito que não acredita na possibilidade de o país quebrar, o francês destacou que "a situação da Grécia é séria" devido a décadas de deficit. Strauss-Kahn afirmou que "confia bem mais" na hipótese de a situação se resolver, já que "os europeus tomaram consciência do problema" e o governo grego adotou "políticas sérias".

Em termos mais gerais, o diretor do Fundo ressaltou que o grande problema da UE foi ter sido incapaz de materializar a estratégia de Lisboa, que visa transformar a economia do bloco mais competitiva a partir de investimentos em pesquisa e inovação. O diretor do FMI disse ainda que a recuperação "extremamente frágil" da economia, sobretudo nos países europeus e os Estados Unidos, não significa o fim da crise.

A esse respeito, Strauss-Kahn destacou que a posição do FMI é a de que os países não devem ainda pôr fim às medidas de estímulo. "É preciso reforçar esses estímulos na política de geração de empregos", recomendou, destacando que, "a médio e longo prazo", também será necessário solucionar outros problemas, como o desequilíbrio nas contas públicas, parcialmente gerado pela injeção de dinheiro no sistema financeiro.

O comissário da UE para Assuntos Econômicos, Joaquín Almúnia, disse ontem que o plano do governo da Grécia para reduzir o deficit do país nos próximos quatro anos é "factível", mas sua implementação "não será fácil".

O deficit orçamentário do país atingiu 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado - o limite para países da zona do euro é de 3% -, e sua dívida total passou dos 120% do PIB, considerada alta demais. A expectativa é de que o deficit chegue a 2% em 2012.

Almúnia disse que não será necessário recorrer a conselhos ou financiamento do Fundo Monetário Internacional porque a UE dispõe de "instrumentos suficientes para resolver o problema". "Se essas medidas forem implementadas, elas serão bem-sucedidas e a confiança do mercado vai refletir o que o governo grego está fazendo", afirmou.

Em março a Grécia vai relatar à Comissão Europeia - o órgão executivo da UE - o que pretende fazer neste ano para reduzir o deficit a 8,7% neste ano, e vai encaminhar um relatório de progresso em maio e a cada trimestre depois disso.

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