3.2.10

'WSJ': déficit fiscal ameaça liderança global dos EUA e fortalece a China

03 de fevereiro de 2010

O Globo (RJ)

Para 'NYT', dívida pública elevada fará ruir influência do país no mundo

WASHIGTON. O problema do déficit fiscal americano — que deve chegar a US$ 1,3 trilhão em 2010, segundo projeções do próprio governo — foi tema de análises publicadas ontem nos dois jornais mais influentes dos EUA: “Wall Street Journal” e “New York Times”. Em ambos, ele é apontado como um desafio para que os americanos mantenham seu status de maior potência global, o que poderia estar abrindo caminho para uma reconfiguração do sistema internacional. E, nesse cenário, o fortalecimento da China é inevitável.

No artigo intitulado “Déficit torna-se ameaça à segurança nacional”, o chefe da sucursal do “Wall Street Journal” em Washington, Gerald F. Seib, afirma que os números, em geral discutidos como um problema doméstico, devem, agora, ser contextualizado num novo cenário: o impacto sobre a habilidade da América em continuar a exercer seu papel de player global.

Solvência é risco para segurança nacional

Seid baseia-se nos comentários de Richard Haass, presidente do Conselho de Relações Exteriores dos EUA e que serviu como conselheiro para assuntos de segurança nacional nos dois governos de George W. Bush.

“Nós chegamos a um ponto em que, agora, há uma íntima ligação entre solvência e nossa segurança nacional”, diz o especialista citado no artigo.

Pela proposta orçamentária apresentada na última segundafeira pelo presidente Barack Obama, a dívida pública federal — que fechou 2009 em torno de US$ 7,5 trilhões ou 53% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) — deve chegar a US$ 15 trilhões ou 67% do PIB.

Seid afirma que, diante desse quadro, o governo americano tomará emprestado este ano um dólar para cada três dólares gastos, e boa parte desse dinheiro virá de fora.

Isso enfraquece a liberdade dos EUA para agir, fortalece a China e outras potências, põe gastos de longo prazo com defesa em risco e torna questionável a ideia de que o sistema americano é o modelo a ser seguido por países em desenvolvimento, diz.

A análise publicada no “NYT”, intitulada “Déficit alto pode alterar política dos EUA e poder global”, segue a mesma linha. Nela o jornal diz que o déficit só voltará a níveis sustentáveis nos próximos dez anos. Com isso, há a possibilidade de que os EUA possam sofrer da mesma doença que afligiu o Japão na década passada. “O crescimento da dívida mais rápido que o da receita erodiu a influência do país no mundo

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