Valor Economico (SP)
Crédito: Volume alcançou US$ 8,8 bi em janeiro, ante US$ 38 bi em 2009
Nicole Bullock e Anousha Sakoui, Financial Times, de Nova York e Londres
Empresas pesadamente endividadas e com classificação de crédito de risco especulativo estão encontrando facilidades cada vez maiores para conseguir novos empréstimos, à medida que um dos epicentros do aperto do crédito volta à vida.
Os novos empréstimos alavancados vendidos aos investidores somaram US$ 8,8 bilhões nos EUA em janeiro, na comparação com US$ 38 bilhões em todo o ano de 2009, representando o melhor mês desde que a falência do Lehman Brothers congelou os mercados, segundo a Standard & Poor´s, que monitora os empréstimos.
"O mercado de empréstimo deverá ser um tema central de 2010 porque ele esteve fechado na sua maioria em 2009", diz Tim Donahue, responsável por mercados de capitais alavancados no J.P. Morgan. "As pessoas estão começando a considerar isso de novo como uma fonte de financiamento para uma série de coisas."
Os empréstimos alavancados desempenharam um papel nos dias que antecederam a crise financeira, superando US$ 500 bilhões durante o auge das compras alavancadas (LBO, na sigla em inglês) em 2007. À medida que os patrocinadores precisavam de recursos, o crescimento na popularidade de produtos estruturados que compravam créditos, denominados carteiras de títulos lastreados em crédito (CLO), proveram a demanda. No entanto, quando os mercados de crédito travaram, a criação dos CLOs estancou, e os preços médios das transações com empréstimos caíram para o seu menor valor, de US$ 0,64 para o dólar em dezembro de 2008.
Desde então os preços se recuperaram para US$ 0,93, à medida que taxas de inadimplência abaixo do esperado e uma enxurrada de dinheiro que migrou para CLO e outros investidores procedentes de refinanciamentos estimularam os compradores. Os investidores também direcionaram dinheiro vivo a fundos mútuos que compram empréstimos, de acordo com a Lipper FMI Americas. Os fundos de empréstimos bancários testemunharam desde então nove semanas seguidas de ingressos de capital, atingindo um total de mais de US$ 1,3 bilhão.
Isso está levando as companhias a considerar financiamento de empréstimos alavancados.
"O mercado está aberto para emissores a um preço convidativo", diz AJ Murphy, diretor para as Américas de mercados de capitais de empréstimo alavancado no Bank of America Merrill Lynch. "Tesoureiros e diretores financeiros de companhias sentiram que tinham de ir ao mercado de bônus se quisessem captar dólares de dívidas na maior parte de 2009."
Os títulos especulativos ("junk bonds") dominaram as finanças alavancadas, com as emissões chegando a níveis recordes no passado, à medida que os patrocinadores de private equity refinanciaram empréstimos de alto risco do tempo da expansão econômica com dívidas e prazos mais longos.
Mathew Cestar, co-responsável por mercados de capitais de crédito na Europa, Oriente Médio e África no Credit Suisse, diz: "A recuperação do mercado de empréstimos pode seguir o modelo que vimos nos mercados de bônus, com nomes bem-conhecidos retornando primeiro ao mercado".
Na Europa, os bancos estão preparando até € 4 bilhões em dívidas para prover recursos para uma proposta de compra para a Kabel Deutschland, maior operadora a cabo na Alemanha, no que poderá ser a maior compra alavancada em dois anos. A KKR usou sua unidade de mercado de capitais para ajudar a subscrever um pacote de dívida de 450 milhões de libras esterlinas para a sua aquisição da "Pets at Home" no mês passado.
No entanto, num sinal de que a recuperação permanece frágil, Warner Chilcott, uma companhia farmacêutica, descartou tentativas de revisar o preço de um empréstimo a uma taxa de juros inferior à do acordo original obtido no mês passado. "Isso demonstra que existe uma linha que os investidores não cruzarão", diz Steven Miller, sócio diretor do S&P LCD.
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