Diário do Comércio (MG)
Resultado do PIB pode ser afetado.
LUCIANE LISBOA
Embora a perspectiva de crescimento da economia brasileira em 2010 seja bastante positiva, com o Produto Interno Bruto (PIB) ficando na casa dos 5%, os graves problemas de infraestrutura existentes no país e, principalmente, a falta de investimentos na área, afetam seu crescimento sustentável e podem resultar em números menos expressivos do que os previstos para o ano. Tais projeções foram feitas por entidades e economistas ouvidos pela reportagem.
De acordo com o presidente do Conselho de Política Econômica Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves Fernandes, caso não seja investido, urgentemente, um grande volume de recursos em infraestrutura, o país e, conseqüentemente, Minas Gerais, irão sofrer as conseqüências.
"Sem os devidos investimentos estruturais - como a ampliação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (RMBH), a transposição ferroviária, as novas linhas de metrô e a reforma do Anel Rodoviário, somente exemplificando a demanda da Capital mineira -, o resultado do PIB do Estado poderá ser até 1,5 ponto percentual menor do que o previsto. No caso do Brasil, pode ficar até 1 ponto percentual menor", afirmou.
Segundo Fernandes, os investimentos em infraestrutura, que deveriam ser priorizados pelo governo federal, são pouco valorizados, apesar da propaganda oficial que é feita em cima do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que já está indo para a sua segunda edição.
"O problema da falta de infraestrutura transcende a questão do PAC, até porque o programa é desenhado como prioridade mas não é executado dessa forma na prática, já que nem 20% do previsto no país foi realizado. E o presidente Lula já disse que vai lançar o PAC 2", ressaltou o representante da Fiemg.
Retomada - O professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, concorda com a opinião de Fernandes. Segundo ele, apesar de a maior parte dos segmentos que integram a economia brasileira já mostrar sinais claros de retomada (principalmente no âmbito do mercado interno), a falta de investimentos em infraestrutura impossibilita um crescimento sustentável.
"Hoje o volume de investimentos no Brasil representa cerca de 17% do PIB. Para crescer bem nos próximos anos, seria necessário pelo menos 25%. Este ano, talvez, pelo fraco desempenho econômico de 2009 em função da crise, consigamos manter o crescimento na casa dos 5%, mas nos próximos anos isso não irá se manter", ressaltou.
Uma pesquisa divulgada no final do mês passado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o consumo interno está mesmo puxando a recuperação da indústria. Em novembro do ano passado, conforme a sondagem, a produção e o emprego cresceram no país e o uso da capacidade instalada na indústria brasileira atingiu 81,4%, sendo o maior patamar alcançado desde outubro de 2008, quando chegou a 82,4%.
No entanto, mesmo com o aumento da utilização da capacidade instalada, ainda há ociosidade nas empresas. Isso quer dizer que mesmo que a produção se mantenha aquecida nos próximos meses, o setor industrial ainda consegue atender às demandas futuras sem necessidade de fazer novos investimentos.
"Para haver investimentos no setor privado, o público tem que fazer a sua parte, que é grantir a infraestrutura. Sem isso, vamos continuar perdendo para a China e o Brasil vai crescer menos do que precisa, esse impulso desenvolvimentista acaba ficando com os chineses", afirmou o consultor exonômico, doutor em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), Roberto Luiz Trostes.
Segundo ele, não é que a indústria brasileira deixe de crescer nos próximos anos. "A grande questão é que o crescimento continuará sendo prejudicado pelos gargalos verificados no país, principalmente se a infraestrutura for deixada de lado", observou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário