2.2.10

Setor industrial pelo mundo dá mais sinais de recuperação sólida

02 de fevereiro de 2010

Valor Economico (SP)

James Politi e Justine Lau, Financial Times

A recuperação da economia global após a crise financeira e a forte desaceleração no comércio exterior vem sendo puxada pela indústria, da Ásia e Europa aos EUA.

Dados divulgados ontem mostraram que a atividade industrial em várias economias-chave vem ganhando força, com as empresas encolhendo seus estoques em um ritmo menor do que o visto na recessão e as indústrias começando a voltar a produzir mercadorias.

A alta da atividade industrial é o mais recente indicador a apontar uma recuperação sólida, o que reduz o temor de que poderia haver uma "recessão com recaída", em que após uma ligeira recuperação há uma nova retração econômica.

"Os fortes aumentos em janeiro são uma confluência da melhora, em linhas gerais, na atividade econômica nos EUA e em vários mercados-chave de exportações", disse Brian Bethune, da IHS Global Insight, referindo-se à inesperada alta no índice de atividade industrial do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês).

Muitos economistas, contudo, sustentam que, embora os números recentes tenham sido encorajadores, ainda precisam ser seguidos por aumentos no emprego e nos gastos dos consumidores, particularmente depois que os governos começarem a retirar os estímulos fiscais e monetários.

O setor industrial asiático vem fazendo a sua parte. A China anunciou atividade industrial recorde em janeiro, enquanto os índices da Índia, Coreia do Sul e Taiwan também apresentaram fortes avanços.

Coreia do Sul, Índia e Indonésia registraram crescimento nas exportações, tendência que vem ocorrendo nos EUA e partes da Europa à medida que o comércio mundial se recupera.

O índice HSBC China PMI, compilado pela Markit Economics, subiu para 57,4 pontos, em janeiro, contra 56,1 pontos verificados no mês anterior. Foi o segundo maior aumento do indicador desde que a pesquisa começou a ser realizada, em abril de 2004, e o décimo mês seguido de expansão da atividade industrial. Leitura acima de 50 pontos indica expansão do setor.

O economista-chefe do HSBC na China, Hongbin Qu, afirmou que o sólido crescimento da atividade industrial sinaliza que haverá grande expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. "O aumento nos preços dos insumos e da venda, no entanto, também indica que haverá maiores pressões inflacionárias", advertiu.

O índice HSBC PMI da Índia avançou de 55,6 pontos, em dezembro, para 57,7 pontos, em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2008.

"A parte mais impressionante dos [números] foi a elevação de mais de 5 pontos no índice de novas encomendas de exportações [dos 54,6 para os 59,8 pontos], que o levou para o maior patamar desde outubro de 2007 e indicou que a recuperação, de forma alguma, depende apenas da demanda doméstica", afirmou Robert Prior-Wandesforde, economista-sênior do HSBC na Ásia.

Embora a Coreia do Sul tenha anunciado crescimento de 47,1% nas exportações de janeiro, para US$ 31,1 bilhões, em relação ao mesmo mês de 2009, o país teve seu primeiro déficit comercial em um ano, pois as importações de petróleo aumentaram, influenciadas pelas baixas temperaturas.

O país também registrou crescimento na atividade industrial, com o índice HSBC PMI passando de 52,8 para 55,6 pontos, entre dezembro e janeiro.

Em Taiwan, o índice HSBC PMI avançou para os 61,7 pontos, em janeiro, em comparação aos 58,7 pontos verificados em dezembro.

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