Diário do Comércio (MG)
Expectativa é que governo possa editar novas medidas para segmento.
LUCIANE LISBOA.
O fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as indústrias de bens de capital, e também a elevação da taxa de juros para financiamentos cobrada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a 10,25% ao ano - a alíquota foi reduzida, em junho, para 4,5% -, a partir de 1º de janeiro do ano que vem, preocupa o setor. E, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, trata-se de um retrocesso que poderá comprometer o crescimento do parque industrial brasileiro.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), tais ações do governo são preocupantes tendo em vista que a previsão para o setor em 2009 é de queda no faturamento de cerca de 19% em relação a 2008.
"Em janeiro, no auge da crise, estávamos com uma queda no faturamento de 35%. Hoje estamos com 22% de redução nos negócios. E vamos fechar o ano com queda de cerca de 19%", afirmou o assessor Econômico da Presidência da Abimaq, Mario Bernardini.
Para ele, diante do mau desempenho do setor no ano, a sobrevivência das próprias empresas está em jogo. "Há um risco grande de desestruturação do setor de máquinas e equipamentos no país, que pode refletir no desenvolvimento futuro das indústrias de bens de capital. O governo precisa entender isso", ressaltou.
Juros - Segundo ele, a preocupação maior não é com a redução do IPI para 70 itens como válvulas industriais, árvores de transmissão, já que tratou-se apenas de uma equiparação promovida pelo governo para o setor, já que cerca de 90% da produção brasileira já contava com o benefício.
"Esses 70 itens estavam dentro dos 10% que não eram desonerados. No entanto, a redução só contemplou metade dos itens restantes, e a volta não vai comprometer os demais. O pior será o aumento das taxas de juros cobradas pelo BNDES. Os investimentos no parque industrial do país, que ainda estão muito impactados, deverão demorar ainda mais para voltar", disse.
Por outro lado, Bernardini acredita que o governo poderá rever esse posicionamento no ano que vem. "Nossa expectativa é que quando o governo estiver com uma maior folga de caixa, editará novas medidas para o setor", observou.
Além da queda dos investimentos, a perda no mercado externo em função da queda das exportações devido à valorização do real frente ao dólar, garante ao setor uma queda de 10% no faturamento. Em 2008 a Abimaq fechou o ano com uma participação inferior a 60% no consumo aparente de bens de capital no país. E, para este ano, a perspectiva é ainda pior. Além disso, com o real valorizado as indústrias do setor perde um pouco do mercado interno, já que as importações tornam-se mais baratas.
Sem auxílio - O professor de economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cláudio Gontijo lembrou que as indústrias de bens de capital, que foram muito prejudicadas pela crise, não contaram com muitas medidas de auxílio por parte do governo federal.
Gontijo explicou que o governo julga não precisar interferir tanto nas indústrias de máquinas e equipamentos pelo fato de o setor ser movido exclusivamente pela demanda.
"Como a indústria atende por encomendas, a elasticidade dos preços é baixa, interferindo pouco nas negociações. Por exemplo, se uma empresa aumentar em 10% o preço de uma máquina, o comprador não deixará de fechar o negócio. Mas se o setor de bens de consumo, como a indústria automotiva, fizer o mesmo, o comprador desiste na hora. Por isso, a preocupação do governo em evitar crises nessas áreas."
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