O Estado de S.Paulo (SP)
Global 2019, com vencimento em 10 anos, foi emitido com retorno de 4,75%
Adriana Fernandes, BRASÍLIA
Um ano depois do ápice da crise financeira global, o governo brasileiro conseguiu ontem vender US$ 500 milhões no mercado internacional de títulos vinculados ao dólar pagando a menor taxa de juros da história para um bônus da dívida externa brasileira. O Global 2019, com prazo de vencimento de 10 anos, foi emitido com taxa de retorno ao investidor de 4,75%. A demanda pelos papéis brasileiros superou em quatro vezes a oferta inicial de US$ 500 milhões.
Os juros pagos pelo Tesouro brasileiro ontem já estão no mesmo patamar das taxas que eram pagas pelo Tesouro dos Estados Unidos, em agosto de 2007, para papéis com prazo de vencimento de 10 anos.
Antes da crise, em maio do ano passado, o Tesouro Nacional vendeu um título de prazo semelhante com taxa de juros de 5,29%, até então a taxa mais baixa obtida numa operação de captação externa.
Foi a quinta emissão externa deste ano em que o Brasil chamou atenção dos investidores estrangeiros por ter saído mais rápido da crise financeira.
Para integrantes do Ministério da Fazenda, a posição no mercado externo do Brasil sai ainda mais fortalecida com a operação.
O governo conseguiu uma "janela" de oportunidade para a nova captação com a melhora do mercado um dia depois que Abu Dabi concedeu US$ 10 bilhões a Dubai numa ajuda para o conglomerado estatal Dubai World.
A operação também foi feita num momento simbólico, com o rebaixamento do México pela agência internacional de classificação de risco de crédito Standard & Poor"s. É que o Brasil, no passado recente, era sempre comparado negativamente com o México, país que obteve o grau de investimento das agências internacionais muito antes. Segundo apurou a Agência Estado, a emissão teve com objetivo permitir uma comparação melhor do desempenho dos papéis brasileiros antes e pós-crise.
REFERÊNCIA
A nova captação servirá de referência para as empresas brasileiras captarem recursos no exterior com prazos semelhantes e taxas mais baixas do que pagam hoje.
Com o aumento do apetite dos estrangeiros pelo Brasil, muitas empresas estão montando operações de emissões de papéis no exterior e estavam demandando que o Tesouro fizesse uma captação com prazo de 10 anos.
Com a emissão de ontem, o Tesouro já emitiu este ano US$ 4,07 bilhões. Em 2008, foram apenas US$ 525 milhões. Na última emissão externa, deste ano, o Tesouro lançou US$ 1,27 bilhão do Global 2041, títulos com prazo de vencimento de 30 anos e que foram vendidos com taxa de retorno de 5,80% ao ano.
O Global 2017 foi vendido ontem com spread de 113,9 pontos-base acima do título do Tesouro norte-americano com prazo de 10 anos. A emissão foi liderada pelos bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley.
O Tesouro vai estender hoje a operação de venda ao mercado asiático em até US$ 25 milhões. O dinheiro captado entrará nas reservas internacionais brasileiras no próximo dia 22.
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