15.12.09

Lula antecipa viagem para reforçar posição do país

Valor Econômico - 15/12/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu antecipar em 24 horas a viagem a Copenhague. A delegação brasileira na capital da Dinamarca é chefiada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que dedicou o dia de ontem a negociações com representantes dos países em desenvolvimento. Oficialmente, Lula antecipou a viagem numa tentativa de reforçar a posição brasileira na CoP-15.

Ao longo do dia, Dilma conversou com os representantes dos países em desenvolvimento, os mesmos que integram os Bric, com exceção da Rússia e a inclusão da África do Sul. Teve ainda uma conversa com o representante da China. À noite, um jantar com os delegados dos emergentes.

A agenda em comum negociada por Dilma demanda respeito ao Protocolo de Kyoto e, sobretudo, a rejeição da noção de que os emergentes e os ricos têm responsabilidade igual. "Essa conta é dos desenvolvidos", disse a ministra.

Os eventos brasileiros tiveram boa receptividade do público presente à CoP-15. Dilma falou para um auditório lotado por 250 pessoas. O governador de São Paulo, José Serra, também teve boa audiência ao falar sobre biocombustíveis. Também teve reuniões bilaterais com chefes de Estado que já chegaram a Copenhague. Hoje Serra tem uma reunião particular com Arnold Schwarzenegger. Como governador da Califórnia, o governador foi uma espécie de precursor na adoção de medidas para controlar as emissões.

A senadora Marina Silva defendeu que Lula contribuísse com US$ 1 bilhão para o fundo de financiamento. Acha que isso, ao menos, deixaria constrangidos os países desenvolvidos. Marina registrou a presença de três possíveis candidatos na CoP-15. "Vejo isso como positivo, se não for apenas uma atitude de conjuntura", disse. "Se for para mudanças estruturais, acho legal que todos se envolvam. Este não é um lugar para competir, e sim para se comprometer."

As gafes ficaram por conta de Dilma, em quem se concentram todos os holofotes. Foram duas. Na primeira disse que Blairo Maggi era governador do Mato Grosso do Sul. Mas se corrigiu a tempo. Na segunda, disse que "o meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável", para a incredulidade dos jornalistas brasileiros. Para os demais, estrangeiros, passou como erro de tradução.

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