11.12.09

Setor de máquinas promete ser o motor da retomada

11 de dezembro de 2009

DCI (SP)

Fernanda Guimarães Fernanda Bompan


SÃO PAULO - O momento é de investir e de discutir junto à matriz as possibilidades para expansão no Brasil. Essa é a avaliação do presidente da Terex da América Latina, André Freire, em entrevista ao DCI. "A hora é de aportes no Brasil. Estamos trabalhando para ver como iremos investir no País. Antes, o Brasil era o último da lista e agora está junto com China e Índia", afirmou Freire, salientando que atualmente a participação do Brasil nos negócios do Grupo é de 7%, contra a média histórica de 2,5%. Entre as possibilidades de crescimento no País, o executivo citou a expansão de sua planta, construção de uma nova unidade ou aquisição.

A fabricante americana, que atua em segmentos como plataformas aéreas, guindastes, além de equipamentos para mineração, ainda encontra dificuldades em outras regiões em que atua, como Europa e Estados Unidos. No Brasil, a situação é outra, conta Freire, que adianta que a subsidiária brasileira já tem a carteira de pedidos fechada para os meses de janeiro e fevereiro, conquista que há poucos meses soava como improvável. Os pedidos devem, ainda, ser ampliados com a continuidade da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além da prorrogação da linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Após um primeiro semestre complicado - com o desaparecimento de novos pedidos - a Terex no País fechará o ano com queda de 10%, retração bem menos expressiva da que está sendo projetada pela Abimaq (associação que reúne as fabricantes de máquinas e equipamentos), de mais de 20%. "A partir de julho começamos a ter uma retomada bem forte. Em julho, as empresas resolveram investir em massa e passei a não ter equipamentos para entregar", disse o presidente da Terex para a América Latina. Na esteira do cenário mais positivo, um setor que surpreendeu a companhia foi a mineração, que após abrupta queda no início do ano, apresentou boa recuperação por conta das operações da Vale.

Já a fabricante Dedini estava otimista para o retorno dos investimento mesmo antes do anúncio do governo. "Já existem projetos que estão sendo desengavetados. Vemos 2009 como um ano muito bom", afirmou o presidente da fabricante, Sérgio Leme. A companhia, que em 2009 deve fechar com um desempenho aproximadamente 30% inferior ao observado no ano anterior, projeta para 2010 expansão de 10%. "Mas em 2010 e 2011 vai haver uma retomada dos investimentos. Por isso temos expectativas de voltar a crescer 30% ao ano", disse. No entanto, segundo ele, a sua expectativa não é que o crescimento seja no mesmo ritmo do observado em 2008, "ano fora da curva". "Eu acho que todos os investimentos voltarem - os que foram suspensos ou cancelados durante a crise - é muito difícil. A retomada deve ocorrer de forma mais conservadora", afirmou o presidente da Dedini.

O diretor da fabricante de transmissores mecânicos Woodbrook, José Velloso, também aguarda melhora em 2010 por conta de setores como saneamento, siderurgia e mineração. A projeção é de alta entre 15% e 20%. "Vai haver retomada e iremos acompanhar a melhora da indústria", disse Velloso, que também é diretor da Abimaq. A Abimaq agora, depois de ter conquistado junto ao governo a manutenção dos incentivos, almeja que eles sejam permanentes, em um processo de desoneração dos investimentos.

Retomada

Segundo o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o crescimento do setor de bens de capital é a forma de tornar sólido o crescimento da economia brasileira. "O crescimento do setor de bens duráveis é da maior importância. Para se falar em crescimento sustentável, sem criar gargalos, é preciso sempre aumentar a oferta, e isso só ocorre com investimentos. E o setor de bens de capital está por trás disso", afirmou o economista do Iedi, Rogério César de Souza. O economista salienta que em 2010 as medidas do governo deverão ser sentidas com mais força. "É hora de desonerar investimentos. Isso é importante e, nesse momento, o que o País precisa é reforçar a retomada do crescimento", afirmou. De acordo com Souza, o investimento da indústria crescia, antes da crise, a uma taxa de 17%. "Esse setor [bens de capital] tem que ser privilegiado. Com seu crescimento, a economia cresce qualitativamente melhor, criando melhores condições", concluiu.

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