18.12.09

Indústria pretende investir mais em 2010

18 de dezembro de 2009

Valor Economico (SP)

De Brasília


As indústrias pretendem investir 23% mais no próximo ano e o valor médio aplicado no aumento da capacidade, na modernização dos processos e no lançamento de produtos deve subir de R$ 3,52 milhões, em 2009, para R$ 4,35 milhões. Apesar disso, os empresários brasileiros estão dando cada vez menos importância às exportações, o que tem preocupado os economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Essas são as principais informações da Sondagem Especial sobre Investimento, realizada pela CNI, e que entrevistou, de 20 de novembro a 4 de dezembro, representantes de 350 empresas. Desse total, 24 são pequenas (até 99 empregados), 146 médias (de 100 a 500 empregados) e 180 grandes (com mais de 501 empregados).

O maior problema apontado pelos empresários, segundo a CNI, é a perda de espaço que o mercado externo vem sofrendo desde 2005. Naquele ano, 35,2% dos investimentos eram dirigidos às exportações, mas essa participação deverá cair para 25,5% em 2010. Em 2009, foi de 28,4%.

Na avaliação do economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, o câmbio desfavorável é o principal motivo dessa perda de foco nas exportações porque os outros "gargalos" da competitividade no Brasil, como, por exemplo, deficiências de infraestrutura e alta carga tributária, também não foram resolvidos.

O problema, para o economista, é a perspectiva da competitividade e o país pode ficar para trás quando a demanda internacional se recuperar. As economias continuarão integradas e o Brasil não pode se isolar. "O esforço para ganhar mercados no exterior, feito na primeira metade desta década, pode estar sendo perdido", avisou.

O gerente-executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, reconheceu que a crise econômica mundial também pressionou os empresários a procurarem ganhos no mercado doméstico, mas ele argumentou que o real excessivamente valorizado vem prejudicando as exportações em geral e principalmente as de produtos manufaturados. Para esses itens de maior valor, os concorrentes asiáticos têm ocupado muito espaço.

Outro ponto negativo captado pela pesquisa da CNI é o pequeno apoio que os bancos privados vem dando aos investimentos. Para 2010, as respostas indicaram que 55% das intenções de investimento terão recursos próprios como a principal fonte. Os bancos oficiais de desenvolvimento ficaram com 27% e as instituições financeiras privadas apareceram com apenas 8%, quase o mesmo peso dos bancos comerciais públicos (7%). Castelo Branco disse que esse é, praticamente, o mesmo quadro apresentado em 2002, o que mostra "estagnação".

A sondagem da CNI também mostrou que 61,8% das empresas ouvidas planejam aumentar suas compras de máquinas e equipamentos no próximo ano, apesar de as respostas terem indicado que apenas 15,8% acreditam que a capacidade instalada é insuficiente para atender à demanda prevista para o ano que vem. Isso, segundo afirmou Castelo Branco, mostra que há folga na indústria e, portanto, não existem sinais de pressões inflacionárias. (AG)

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