11.12.09

Com a demanda aquecida empresas contratam mais

11 de dezembro de 2009

Diário do Comércio (MG)

Mão de obra especializada ainda é um entrave.


MARA BIANCHETTI, especial para o DC.

O setor da construção civil em Minas Gerais encerrará o ano com um alto índice de contratação. A crise financeira global, que gerou perdas para diversoss segmentos, não trouxe reflexos negativos para o setor, que foi beneficiado pela queda dos juros e aumento da oferta de crédito, elevando o número de lançamentos.

O grupo Habitare iniciou o ano com cerca de 900 empregados. Hoje, a empresa soma 1,8 mil. De acordo com a coordenadora de Recursos Humanos, Laudeline Campos, apesar da alta rotatividade da mão de obra no setor, a grupo teve um volume maior de contratações frente os desligamentos, de forma a encerrar o ano com o dobro de funcionários.

"Por se tratar de um serviço pesado e muitas vezes contar com colaboradores de cidades do interior, a construção civil acaba lidando com um baixo índice de adaptação ao trabalho e com muitas desistências, em virtude de outras oportunidades profissionais". explicou.

Segundo Laudeline, a Habitare tem tomado algumas medidas com o objetivo valorizar e incentivar os funcionários. Entre elas está o fornecimento de benefícios e qualificação da mão de obra. "Fomos a primeira empresa do setor a conceder plano de saúde à área operacional. Além disso, focamos na qualificação dos profissionais, de forma que eles se sintam valorizados", disse.

Só no segundo semestre mais de R$ 20 mil foram investidos em cursos de aperfeiçoamento pela empresa. Para 2010, estão previstos mais R$ 70 mil de investimento para qualificação.

A construtora também conta com uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que visa formar os profissionais que ingressam na empresa, já que algumas funções estão desaparecendo do mercado. "Temos dificuldade em contratar bombeiros hidráulicos e carpinteiros, pois são profissões que exigem maior qualificação", analisou.

A Habitare possui cinco novos empreendimentos que serão entregues ainda nos primeiros meses de 2010. Cerca de 200 vagas não foram preenchidas, grande parte para carpinteiro.

Na Patrimar Engenharia os números também são positivos. De acordo com a gerente administrativa, Patrícia Maria Bernardino, a empresa deve encerrar o atual exercício com 600 funcionários, contra 200 em 2008. "Houve contratações no setor administrativo e no financeiro, mas a maior demanda por mão de obra ocorreu no setor operacional", afirmou.

Ainda segundo a gerente, a falta de qualificação é um fator negativo que a empresa tem trabalhado, oferecendo treinamentos em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). "Há também a qualificação dos profissionais dentro da própria obra, que permite que eles ingressem como serventes e terminem como pedreiros ou carpinteiros", disse.

Em 2009, as vendas dos empreendimentos aumentaram em aproximadamente 50%, principal motivo que incentivou a contratação de pessoal. "Para o próximo exercício, as expectativas seguem nesta mesma ordem, quando teremos um aumento de cerca de 100% no quadro de funcionários", apostou.

Já para o diretor de Recursos Humanos da Construtora Atrium, Paulo Henrique Faleiro, apesar de 2009 ter sido um ano prejudicado pela crise, o desempenho do setor foi satisfatório. Segundo ele, a partir do segundo semestre houve um crescimento de 100% nas contratações da empresa em relação ao início do ano. Hoje, a empresa conta com 250 funcionários, sendo que 80 deles foram contratados somente em novembro.

"Apesar da grande sazonalidade que encontramos no setor operacional, em virtude da demanda de novas obras e da falta do serviço especializada no mercado, a empresa trabalha para que os profissionais estejam satisfeitos com o trabalho que realizam", explicou.

Conforme Faleiro, os investimentos da Atrium em qualificação foi intensificado a partir de 2007, quando a empresa começou a apostar em cursos de alfabetização e benefícios hospitalares para os funcionários. "Só em 2009, investimos cerca de R$ 15 mil em desenvolvimento de pessoas, voltando as ações de recursos humanos para a qualificação, fidelização e qualidade de vida no trabalho", garantiu.

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