17.12.09

PIB depende do Estado em 34% dos municípios

17 de dezembro de 2009

Folha de S.Paulo (SP)

Dados do PIB dos Municípios do IBGE são relativos a 2007 e foram divulgados ontem

Levantamento confirma a tendência de concentração econômica, com cinco cidades responsáveis por 25% da economia do país

PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO

O PIB brasileiro cresce, diversifica-se, fica mais voltado para o setor de serviços e menos para indústria e agropecuária -tendências já vividas pelo mundo desenvolvido-, mas persiste no país uma enorme dependência do Estado.
Os investimentos e os gastos com a máquina e a produção em saúde, educação e outras áreas típicas de governos das três esferas de poder correspondem a pouco mais de um terço (34%) do PIB de 33,8% das cidades do país, que simplesmente não se sustentariam sozinhas sem a presença do Estado.
Tal realidade surge dos dados do PIB dos Municípios referente a 2007, divulgados ontem pelo IBGE. Eles confirmam um retrato antigo de concentração econômica: apenas cinco cidades abocanham 25% da economia do país. As 50 cidades de maior PIB produzem metade de todas as riquezas do país.
Pelos dados do IBGE, entre os 5.564 municípios do país, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR) eram, nessa ordem, os de maior PIB. Respondiam, juntos, por um quarto da economia.
A concentração também se dá nas capitais, que geravam 34,4% do PIB em 2007. Outro dado: a maior parcela das economias de cada um dos Estados estava concentrada em cinco de seus municípios. Exceto em Santa Catarina, o PIB da capital era o mais importante.
Com esse quadro, o IBGE diz que o PIB do país mantém uma trajetória de concentração estável, que pouco se alterou nos últimos anos.
Parte dessa tendência se explica pelo avanço do setor de serviços, mais concentrado nas capitais e cujo peso no PIB só fez crescer nos últimos anos, segundo o IBGE. Em quase todas as capitais, o setor corresponde a mais de 70% do PIB.
Ou seja, em 2009, quando os serviços reagiram à crise, há a possibilidade de ampliação do cenário de concentração.
Segundo Sheila Zani, gerente do PIB dos Municípios, a expectativa para os próximos anos é de migração de atividades de serviços -especialmente do setor financeiro e do comércio- para cidades distantes das capitais. "Isso já começa a ocorrer em algumas cidades."
Ela cita Osasco (SP), Jundiaí (SP), Paranaguá (PR) e Itajaí (SC), cujo PIB cresce de modo acelerado e avança em participação na economia graças à expansão dos serviços.
Ainda assim, Zani avalia como exagerada a dependência do Estado em muitas cidades. Tal situação ocorre mais em municípios menores e do Norte e Nordeste, principalmente no Piauí, na Paraíba, no Acre, em Rondônia, em, Roraima, no Amapá e no Tocantins.
O maior peso da administração pública, porém, é o de Brasília -48,3% do PIB. Em Boa Vista e em Macapá, o percentual está em torno de 40%.

PIB per capita
São Francisco do Conde (BA) tinha o maior PIB per capita, e Jacareacanga (PA), o menor -R$ 239.506 e R$ 1.566, respectivamente.
Vitória (ES) liderava o ranking das capitais e Teresina (PI) estava na lanterna -com PIB per capita de R$ 60.592 e R$ 8.341, respectivamente.
Em geral, os maiores PIBs per capita estavam em cidades focadas em refino ou produção de petróleo, geração de energia hidrelétrica, petroquímica ou fabricação de veículos.
Em comum, tinham população relativamente pequena, associada à presença de uma grande indústria. "É muita produção concentrada para pouca população", diz Zani.

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