11.12.09

Crescimento brasileiro fica longe do asiático

11 de dezembro de 2009

Folha de S.Paulo (SP)

Puxadas pela China, economias asiáticas, como Coreia do Sul, lideram retomada global, com forte crescimento no 3º tri

Efeitos da retomada chinesa e volta do avanço dos EUA explicam por que 80% do PIB global cresceu no 3º tri, ante 50% nos três meses anteriores

ÁLVARO FAGUNDES
DA REDAÇÃO

O crescimento do PIB brasileiro no terceiro trimestre foi o oitavo maior entre as grandes economias do planeta, superior ao registrado pelas nações ricas, mas distante do avanço dos países asiáticos, que, puxados pela China, vêm liderando a recuperação global.
Em alguns casos, o crescimento acelerado se deve aos fortes tombos que esses países sofreram no final do ano passado e nos primeiros meses de 2009, mas não é o caso tanto de Coreia do Sul e Indonésia (economias, que ao contrário do Brasil, evitaram a recessão).
Boa parte da explicação para os bons resultados asiáticos se deve à recuperação da economia chinesa, a terceira maior do mundo e que está com um ritmo de avanço próximo ao de antes da crise. Com isso, voltou a comprar dos vizinhos, reaquecendo as suas indústrias e alimentando os PIB locais. Taiwan e Malásia são outros exemplos de países com forte crescimento no segundo e no terceiro trimestres -mas vinham de quedas expressivas, casos também do México e da Turquia, líder no avanço entre as principais economias globais.
Mesmo a Austrália, tradicional exportadora de commodities (como minerais e alimentos), vem sendo beneficiada pelo avanço chinês e já voltou a subir os juros, reduzindo o estímulo para a economia. Até o momento, a decisão australiana de elevar a taxa foi seguida por poucos países, como Noruega e Israel.
Os efeitos da retomada chinesa e o fato de grandes economias como EUA e Itália terem voltado a crescer explicam por que mais de 80% do PIB global se expandiu no terceiro trimestre em relação aos três meses anteriores, quando essa taxa foi de aproximadamente 50%.
Embora o presidente Lula e outros membros do governo insistam em dizer que o Brasil foi o primeiro a sair da crise, Coreia do Sul e Indonésia não apenas não entraram em recessão como também tiveram resultados melhores que o brasileiro nos três primeiros trimestres.
A Austrália (que divulga na semana que vem o PIB de julho a setembro) e a Polônia também são países que não entraram em ciclo recessivo. Casos também de China e Índia, não consideradas no levantamento porque não divulgam a comparação do PIB com os três meses imediatamente anteriores.

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