2.12.09

Crescimento do comércio pode chegar a 7% em 2010

02 de dezembro de 2009

Diário do Comércio (MG)

Expansão do crédito impulsiona vendas.


MARA BIANCHETTI, especial para o DC.

A perda de força da crise financeira mundial e as projeções de que a economia brasileira continuará a crescer, com a alta estimada do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% em 2010, levam representantes do comércio varejista de Minas Gerais a apostar em um ano positivo para o setor. Segundo eles, fatores como o acesso ao crédito para classes consumidoras menos favorecidas tendem a impulsionar a expansão do varejo, que pode chegar a 7% no próximo ano.

De acordo com especialistas, apesar de o setor fechar 2009 com aumento de 2% na inadimplência em relação à taxa registrada no ano passado, desde o início do segundo semestre o calote segue em queda e a tendência é que a redução continue no próximo exercício.

Conforme a coordenadora do Departamento de Economia da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas), Silvânia Araújo, o crédito é sempre visto como uma alavanca para o crescimento econômico e influenciará na expansão do comércio varejista para 2010. "O avanço do crédito tem estimulado não só uma inclusão social, mas permitindo que a economia cresça de uma forma mais diversificada, gerando, inclusive, a competição entre os comerciantes", observou.

"Apesar do crescimento da economia, nossas taxas de juros continuam elevadas, o que acaba por oferecer riscos de inadimplência ao setor. Mas ainda assim temos percebido queda. Dados da nossa última Pesquisa de Endividamento do Consumidor (PEC) mostra que nos meses de setembro e outubro a inadimplência foi 8,3% contra 8,7% no bimestre anterior. E essa queda deve continuar em 2010", afirmou.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), José César da Costa, também aposta que a taxa de inadimplência continuará em baixa. "Hoje ela está na faixa de 5%, o que significa um percentual suportável pelo mercado", observou.


Empregos - O dirigente disse que, ao liberarem o crédito para o consumidor, os lojistas esperam que mais pessoas tenham poder de compra e um maior movimento no mercado. "Maior poder de compra gera maior demanda de produtos no mercado, o que, conseqüentemente, gera mais empregos. Só neste fim de ano foram disponibilizados mais de 14 mil empregos temporários e a expectativa é que cerca de 50% destes sejam efetivados para 2010. E isso só será possível se a demanda continuar", afirmou.

De acordo com o economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, a crise financeira mundial deixou comerciantes e consumidores mais cautelosos, o que tem influenciado na situação econômica do varejo. "Apesar de existir a expansão do crédito, dados nos mostram que a inadimplência dos empréstimos está menor. Só no mês de novembro tivemos uma diferença de 2,9% em relação ao mesmo período, no ano anterior", afirmou.

Para Solimeo, facilitadores de compras como cartões de crédito e crédito consignado só representam armadilhas para o comércio quando não há consciência por parte do consumidor. "Não há informação especial para que se evite o superconsumo, então fica difícil evitar o endividamento. Para se ter uma ideia, a inadimplência, em 2009, no saldo financiado dos cartões de crédito já está superior a 34%", disse.

Já para o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, atualmente os requisitos para a liberação de crédito são levados em consideração por lojistas e financeiras, que não querem correr o risco de um negócio instável. "As grande empresas aprenderam a ceder o crédito somente depois de uma conferência na situação cadastral do consumidor. Além disso, é preciso considerar a ponderação do consumidor, que está maior nos últimos meses, devido à crise mundial", disse.

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