Valor Economico (SP)
De Paris
O aumento no déficit público de países como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (os chamados PIGS) é um dos principais riscos para a economia internacional e para as companhias neste momento, na visão de Yves Zlotowski, economista-chefe da Coface. Esses países terão de passar por restrições de orçamento público que reduzem o crescimento econômico em um ano no qual o seu Produto Interno Bruto deverá ainda se retrair, 0,6% em Portugal, 0,8% na Irlanda, 0,4% na Espanha e 0,7% na Grécia, segundo estima ele.
"A crise de dívida de um país da zona do euro como a Grécia é uma situação muito nova, que traz muitas incertezas", comentou ele, durante almoço. "Não sabemos como os outros países da União Européia vão se comportar, como o Fundo Monetário Internacional vai atuar", afirma. Para complicar, há instabilidade política forte e oposição aos planos de aperto fiscal do governo, o que reduz sua capacidade de fazer o que precisa ser feito para pagamento dos credores, comenta Zlotowski.
Não é à toa que a Grécia foi um dos cinco países do mundo com os quais a Coface atua que teve sua classificação de risco de crédito piorada pela seguradora no início deste ano. De uma escala de "A1" a "D", a Grécia teve a sua nota "A3" colocada em perspectiva negativa. A nota de crédito da Coface dada para um país mede o risco médio de não-pagamento de companhias nesse país. Leva em consideração perspectivas para o crescimento econômico e político do país, o clima para negócios e experiências passadas de pagamento das empresas.
A nota do Brasil é "A4" pela Coface e não foi alterada durante toda crise de crédito, apesar do aumento da inadimplência de empresas no país. Segundo Zlotowski, a nota "A4" já prevê instabilidade de pagamentos. "O país sofreu, mas se saiu bem, no contexto, graças à atuação dos bancos públicos que ampliaram sua atuação no crédito para as companhias", disse. A nota da China e da Índia é "A3" e também não mudou na crise, enquanto países como os Estados Unidos, França, Japão e Alemanha, que eram "A1" antes da turbulência financeira, passaram para "A2". "Os emergentes, sem dúvida, foram os ganhadores na crise", diz.
Para Zlotowski, o mundo ainda apresenta uma recuperação frágil, com capacidade ociosa da indústria em níveis recordes, e há risco de bolhas de investimento na China. Para o Brasil, além da instabilidade vinda de fora, um dos grandes perigos, segundo ele, é a perda de competitividade no comércio internacional por causa da moeda forte em relação a países como por exemplo a China.
O mercado financeiro já vê risco maior de moratória dos governos da Grécia, de Portugal e da Irlanda do que do Brasil. O prêmio de risco do swap de crédito (Credit Default Swap - CDS) de cinco anos do Brasil era de 144,1 pontos básicos na sexta-feira, contra 399,2 da Grécia, 151,6 da Irlanda e 161,7 de Portugal.
A repórter Cristiane Perini Lucchesi viajou a convite da Coface
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