BERLIM. Ainda que tenha admitido o risco de bolhas na economia brasileira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, rechaçou ontem a afirmação feita na véspera pelo Nobel de Economia de 2008, o americano Paul Krugman, de que o país poderia passar por um abalo financeiro semelhante ao que sacudiu o México na década de 90. Numa rápida entrevista concedida ontem no hotel de luxo da capital alemã onde ficou hospedada a comitiva da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Meirelles disse que o risco de bolha faz parte da tarefa do Brasil de administrar uma economia atraente para investimentos.
— O risco de bolha existe sempre, particularmente em situações de alta liquidez, mas não está apenas nos países emergentes. O Brasil hoje é considerado uma estrela por investidores porque as condições de sua macroeconomia saíram relativamente preservadas da crise, e hoje temos maiores possibilidades de sustentar o crescimento. Mas tudo que é exagerado tem desvantagens.
Alertas são úteis.
Meirelles disse ainda confiar na estrutura regulatória do sistema financeiro do país: — Investidores precisam tomar cuidado na precificação de suas compras, pois um dos problemas de bolhas foi de que se aceitaram níveis de preços insustentáveis. O Brasil já tem regulamentação prudencial forte, uma das mais rigorosas do mundo. Mas não estamos falando de uma bolha de crédito, daquelas que traria prejuízos fatais à economia. Mas os prejuízos aos investidores que compraram caro causaria volatilidade desnecessária.
Para Meirelles, pior seria se o Brasil não estivesse atraindo investimentos.
—É o que tenho falado muitas vezes: o grande desafio do Brasil é administrar o sucesso de maneira a não haver custos desnecessários. É bom o pais estar sólido e atraindo investimento, pois precisamos dele para crescer.
Mantega quer atuar com a Alemanha no G-20 Meirelles aproveitou para confirmar que o Brasil implementará as novas diretrizes do Comitê da Basileia (padrão internacional de regulação bancária) tão logo elas sejam aprovadas.
Ele discorda da opinião de alguns banqueiros, que argumentam que as novas regras, que incluem um maior controle sobre o nível de alavancagem dos bancos, dificultaria a capitalização das instituições financeiras: — Acredito que a estabilidade maior do sistema deve atrair um capital diferente, mais de longo prazo.
O ministro da fazenda, Guido Mantega, disse ontem após encontro com seu colega alemão Wolfgang Schäuble, que Brasil e Alemanha poderiam agir em conjunto no G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), principalmente na discussão sobre os efeitos econômicos globais do dólar fraco. A forte valorização do real foi outro problema para o Brasil citado por Krugman em sua visita ao país.
Mantega iniciou ontem com Schäuble um diálogo para a adoção de posições comuns no âmbito do G-20. Segundo o ministro brasileiro, um dos pontos importantes em comum entre o Brasil e a Alemanha é o problema cambial, já que o dólar fraco afeta as exportações dos dois paises.
— Nesse caso, só podemos agir no âmbito do G-20 — disse Mantega, acrescentando que o diálogo bilateral também poderá atrair investimentos alemães para o Brasil
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