| Celso Ming - Celso Ming |
| O Estado de S. Paulo - 04/12/2009 |
(1) Que há exagero na euforia que o mundo demonstra pela economia brasileira; (2) que o despejo de recursos estrangeiros no País é um perigo porque tem todo o jeito de uma bolha financeira; (3) que a valorização do real é excessiva e perigosa; e (4) que essa distorção do câmbio deve ser atacada com taxação na entrada de capitais e compra de moeda estrangeira (formação de reservas) pelo Banco Central (BC). Nenhuma objeção em relação ao primeiro ponto. Há mesmo esse deslumbramento e, como acontece com todas as mitificações, a distância que vai da fascinação para a execração é quase imperceptível. Basta que algo de errado aconteça para que a euforia vire rejeição. Na arrumação prevalecente da economia brasileira há o que louvar e mais ainda a admirar se as condições forem comparadas com as dos países ricos e, mesmo, com as de alguns emergentes. É a tal história: quando me olho no espelho me deprimo, mas quando olho para certas caras à minha volta me alivio. Mas não se pode perder de vista as fragilidades, os riscos, os velhos problemas não resolvidos, as reformas por fazer, o altíssimo custo Brasil, o baixo índice de escolaridade, o enorme desperdício do setor público, a impressionante burocracia e por aí podemos avançar desfilando mazelas. No entanto, uma vez levada em conta toda a vulnerabilidade, nada há de errado em tirar proveito dessa euforia externa e surfar na bonança que rola no Planeta. Krugman também está certo quando diz que a forte entrada de recursos externos tem a ver com bolhas e com o criatório delas que está nos países ricos. O problema é saber o que fazer para evitar os riscos associados a essas bolhas, especialmente o principal deles, que é o de que, a qualquer momento, os capitais batam em retirada. Não dá para confiar demais em um modelo de crescimento excessivamente dependente dos recursos externos que, de resto, compõem o tal criatório de bolhas. A saída está em aumentar a poupança nacional para que o País possa dispensar esses recursos quando eles fizerem mais mal do que bem. Nada também a objetar quanto ao terceiro ponto: a valorização do real é excessiva e perigosa. E aí chegamos ao quarto ponto. A receita de Krugman para enfrentar o excesso e o perigo é pobre e inadequada. Cobrar IOF na entrada de capitais pode até funcionar - o que é duvidoso. O problema é que o Brasil não pode dispensar esses recursos. Não haverá o que chegue para o financiamento do pré-sal, para o PAC, para os projetos de infraestrutura, para as obras da Copa e da Olimpíada e para a capitalização da empresa brasileira, pública e privada. Enquanto o País não aumentar sua poupança, o único jeito de dispensar a entrada de capitais é parar os investimentos, com as consequências conhecidas. E, outra vez, até agora não se viu grave contraindicação à compra de dólares pelo BC. Mas, atenção, este é um expediente enxuga-gelo. Os dólares estão afluindo porque o Brasil tem reservas de US$ 240 bilhões. E muito mais afluirão quando elas saltarem para, digamos, US$ 400 bilhões. Por mais renomado que seja um economista, é complicado ele descer do avião, assumir uma tribuna e desovar recomendações.
Há semanas os jornais têm apresentado esse projeto entre outros tantos que estão sendo considerados pelo BC para aumentar a demanda de dólares e, assim, reduzir a pressão baixista do câmbio interno. Essa ideia não tem como ser colocada em prática porque o Banco Central não teria condições de supervisionar os bancos brasileiros no exterior. |
4.12.09
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