O Estado de S.Paulo (SP)
Indústrias recorrem ao Finame para comprar máquinas e equipamentos com juro reduzido até 31 de dezembro
Irany Tereza e Débora Thomé, RIO
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) montou um plano de contingência com equipes extras que estão aprovando 1.500 operações de crédito do Finame (linha específica para aquisição de máquinas e equipamentos) por dia, no plano de financiamento a juros reduzidos que termina no fim do mês. "Estamos assistindo a uma modernização silenciosa que acontece na indústria", afirma o superintendente de Operações Indiretas do banco, Cláudio Bernardo.
Os incentivos do governo, com o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), inverteram o perfil do Finame, antes marcado principalmente por operações de compra de ônibus e caminhões, que ocupavam 60% dos empréstimos. Agora o programa é voltado à aquisição de máquinas para indústria, agricultura e construção.
Do fim de julho, quando entrou efetivamente em operação, até 19 de novembro, o PSI aprovou, pelo Finame, R$ 8,8 bilhões em financiamentos indiretos para a compra de bens de capital, em pouco mais de 33 mil operações. Desse total, R$ 4,5 bilhões se destinaram à compra de máquinas. No total, considerando financiamentos diretos e indiretos, estão disponíveis no PSI R$ 17,5 bilhões para a compra de ônibus e caminhões (também considerados pelo banco bens de capital)e R$ 12 bilhões para os demais equipamentos industriais.
O PSI foi criado para oferecer financiamento com taxas de juros bem inferiores às utilizadas pelo Finame. No PSI elas estão em 4,5% - 1,5% do BNDES e 3% do agente financeiro intermediador - para máquinas e equipamentos. No caso do Finame, os juros totais alcançam os 10% ao ano. Diante de um capital disponível e a custo tão convidativo, as empresas reagiram bem e as aprovações foram aumentando. Em novembro, 90% desse tipo de empréstimo saiu pelo PSI.
"O que estamos identificando é que várias empresas resolveram antecipar investimentos. Acreditamos que essa nova onda de projetos possa ter o mesmo papel modernizador que o Moderfrota teve em outro momento", comentou Bernardo. O Moderfrota foi criado em 1999 para recuperar o setor agrícola com modernização de máquinas e equipamentos. O novo programa para a indústria acaba em 31 de dezembro. O banco não fala sobre uma eventual prorrogação, como a que ocorreu no caso das isenções de IPI para automóveis e eletrodomésticos.
Porém, recurso para isso não deve faltar. Até agora, considerando todos os empréstimos - diretos e indiretos -, foram aprovados R$ 11 bilhões. Isso significa que ainda há R$ 18,5 bilhões disponíveis para financiar bens de capital (cuja dotação no PSI é de R$ 29,5 bilhões) que precisariam ser aprovados em pouco mais de um mês.
O valor médio dos empréstimos por meio do PSI é bastante modesto perto das cifras que o BNDES costuma financiar: ao redor os R$ 260 mil. Para impedir que grandes empresas acabassem estourando o orçamento do programa, houve uma limitação de R$ 1 bilhão por grupo econômico. De qualquer forma, qualquer operação acima dos R$ 20 milhões tem de ser aprovada pela diretoria.
Os empréstimos têm se concentrado sobretudo nos setores de alimentação, construção civil e transportes. A aprovação para compra de caminhões, que costuma ser a maior parte desse tipo de financiamento, foi ultrapassada pela liberação para máquinas e equipamentos.
"Só vivemos um movimento semelhante a esse em 2004, com a busca por equipamentos agrícolas. Vamos ter de fazer um plano de contingência trabalhando inclusive nos fins de semana para conseguir atender a todos os pedidos", diz o superintendente do BNDES. Pelos seus cálculos, nessa reta final estão sendo processados diariamente 1.500 pedidos. Em princípio, os financiamentos do PSI terão de ser aprovados até 31 de dezembro, mas eles têm 2 anos para serem executados.
FRASES
Cláudio Bernardo
Superintendente de Operações Indiretas do BNDES
"Estamos assistindo a uma modernização silenciosa que acontece na indústria"
" Só vivemos um movimento semelhante a esse em 2004, com a busca por equipamentos agrícolas. Vamos ter de trabalhar até nos fins de semana para atender a todos os pedidos"
Nenhum comentário:
Postar um comentário