12.5.10

Mantega minimiza risco para o Brasil

12 de maio de 2010

Valor Economico (SP)

Paulo de Tarso Lyra, de Brasília

A crise grega poderá afetar as bolsas brasileiras em médio e longo prazos, mas não da forma dramática como aconteceu em 2008. A avaliação foi feita ontem, durante a reunião de coordenação política marcada para ouvir o ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com Mantega, não há razões para receios a curto prazo. Em um período mais longo, poderá haver preocupação com a saída de capitais para cobrir déficits na europa ou suspensão de investimentos por aversão ao risco.

Mesmo assim, a avaliação da equipe econômica, compartilhada com os demais integrantes da coordenação de governo, é de que não há necessidade de preocupação quanto a um possível retorno da recessão, o que os especialistas chamam de efeito W.

Para a equipe econômica, a crise atual será circunscrita e poderá afetar ainda outros países mais frágeis do continente, como Espanha, Portugal e Irlanda. Mas nada que se compare a 2008.

Naquele período, houve uma escassez na liquidez internacional, com o desaparecimento do crédito internacional. O Brasil, dependente de 30% de financiamento externo, viu "secar" as suas linhas de crédito, obrigando as empresas nacionais - inclusive a Petrobras - a recorrer a bancos nacionais, como a Caixa Econômica e o BNDES. Além disso, lembrou um ministro próximo do presidente, muitos setores da economia brasileira "puxaram o freio de mão de maneira abrupta", com base em avaliações precipitadas da conjuntura global, o que diminuiu a atividade econômica brasileira.

A análise de que a crise atual é de menor proporção não evitou que Mantega e os integrantes da coordenação considerassem que tanto a União Europeia quanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) subestimaram os problemas gregos. Prova disso seria a primeira avaliação de que, com US$ 50 bilhões, seria possível conter a recessão da Grécia.

Esse valor aumentou para US$ 150 bilhões e chegou a um pacote mais amplo de socorro, de quase US$ 1 trilhão, para atenuar os efeitos da crise. "Não há dúvida que as imposições feitas ao governo grego são draconianas, o que implica em impactos políticos e sociais", afirmou um integrante da coordenação política. "Além disso, há uma queda de confiança na Europa, uma vez que países mais conservadores, como a Alemanha, questionam se vale a pena investir em países que não tiveram austeridade fiscal."

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