19.5.10

Crise europeia pode atingir o Brasil dentro de dois meses

19 de maio de 2010

Jornal do Brasil (RJ)

Marta Nogueira

Os efeitos da crise na Europa devem chegar ao Brasil nos próximos 30 ou 60 dias e atrapalhar as exportações brasileiras para o continente, segundo o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral. Durante o segundo dia do 22º Fórum Nacional, realizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), Barral explicou que a forte contração da demanda internacional, a maior em 70 anos, as pressões protecionistas e a falta de confiança no mercado mundial prejudicaram o país no comércio exterior.

Barral informou que, de janeiro a abril deste ano, as contas de vendas de manufaturados registram déficit de quase US$ 10 bilhões, US$ 3 bilhões a mais que no mesmo período do ano passado. Ele defendeu a necessidade de estímulos às exportações do setor, como as já adotadas criação do “drawback verde-amarelo” (suspensão do IPI, PIS e Cofins nas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e embalagem), criação do seguro de crédito para exportação e alíquota zero para promoção comercial no exterior.

Para o ministro, o efeito da crise tem impacto muito grande, principalmente na confiabilidade de negócios e de garantias e que ela está centrada em alguns países europeus. “Não houve alastramento pelos principais importadores do Brasil que são Alemanha e Holanda”, ressalta Barral. De acordo com ele, os efeitos da crise no Brasil devem estar relacionados com a expectativa e com credibilidade.

Outra preocupação é em relação a administração do câmbio por alguns concorrentes do Brasil, como a China, que mantém a moeda desvalorizada, fazendo com que seu produto chegue muito mais barato no comércio internacional e diminua a competitividade do Brasil.

– O câmbio (alto) está afetando as exportações brasileiras para alguns mercados tradicionais, como é o caso da América Latina e da África, onde estamos concorrendo muito acirradamente com outros países. O grande problema não é o câmbio que temos hoje, mas administração do câmbio por alguns concorrentes do Brasil – completou.

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