O Globo (RJ)
Para presidente da instituição, ‘custos de crescer a 7,5% ao ano são muito altos’
Bruno Villa Bôas*
A TODO VAPOR: Banco Mundial alerta para risco de bolhas na América Latina
RIO e WASHINGTON. A presidente da agência de rating Standard&Poor’s do Brasil, Regina Nunes, afirmou ontem que o governo federal poderia ter reduzido mais, nos últimos meses, as medidas anticíclicas que adotou durante a crise, embora tenha considerado positivo o corte adicional de R$ 10 bilhões do Orçamento da União neste ano, anunciado na semana passada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
— O governo precisa tomar medidas tanto monetárias quanto fiscais. E eu acredito que o governo vai conseguir conter os gastos. Os custos de se crescer a um ritmo de 7,5% ao ano, como vem sendo projetado por parte do mercado, seriam muito altos, como a inflação — afirmou Regina, que participou ontem no Rio de um seminário em comemoração aos 40 anos da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec).
Os gastos do governo são uma das razões para a S&P não melhorar sua avaliação para o Brasil, que permanece com grau de investimento de “BBB” desde maio de 2008 pela agência de risco. Outros motivos são o aumento da dívida liquida do governo e os juros altos, além de barreiras estruturais para o investimento e o crescimento.
— Os motivos que levaram o Brasil a conseguir o grau de investimento são os mesmos que o impedem agora de ter um rating melhor — acrescentou Regina.
Segundo cálculos da S&P, a economia brasileira deve crescer 6% neste ano, e a inflação pelo IPCA deve ficar em 5,2%.
Nas contas da S&P, o Brasil precisaria investir pelo menos US$ 500 bilhões ao ano para sua economia conseguir crescer a um ritmo de 5,5%, considerado sustentável por não gerar inflação e desequilíbrios econômicos. Regina explica que o valor não considera investimentos específicos para a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Para Bird, crescimento pressiona taxa de câmbio
Regina acredita que o Brasil não será contaminado pela crise europeia, a menos que os problemas fiscais da Grécia se transformem em uma crise bancária de proporções mundias. Para Regina, os riscos estão concentrados na capacidade de a Grécia executar seu plano de austeridade fiscal.
— O pacote é um remédio para a febre, mas o vírus temos de esperar passar. Então vai haver volatilidade, instabilidade das moedas e de preços.
Em entrevista à agência Dow Jones, a vice-presidente do Banco Mundial (Bird), Pamela Cox, alertou que alguns países da América Latina estão crescendo aceleradamente, o que pode
superaquecer a economia e formar bolhas acionárias na região. Segundo ela, um eventual superaquecimento será especialmente ruim para os países com melhores desempenhos, sobretudo Brasil e Argentina. Ela acrescentou que México e Peru também poderiam se prejudicar.
Pamela afirmou que o crescimento econômico desses países está “exercendo uma pressão sobre as taxas de câmbio”.
— Também estamos preocupados com bolha de ativos — disse a executiva do Bird.
Pamela está preocupada particularmente com uma possível bolha na bolsa de valores ou no mercado imobiliário brasileiro: — Não é uma grande preocupação, mas creio que devemos observar (a situação).
A taxa de câmbio é bastante forte no Brasil, o que atrai a entrada de muitos capitais.
O Banco Mundial prevê um crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) para a América Latina este ano. Para o Brasil, a projeção é de um PIB acima de 5%, provavelmente perto dos 6% em 2010. México deverá crescer cerca de 5% e o Chile, entre 4% e 5% este ano.
(*) Com agências internacionais
Nenhum comentário:
Postar um comentário