27.5.10

Não há tensão fiscal do Brasil, diz FMI

27 de maio de 2010

Valor Economico (SP)

Ribamar Oliveira, de Brasília


O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse ontem que não vê "tensão na área fiscal" do Brasil este ano e nem em 2011. Ao ser perguntado se identificava risco fiscal futuro na economia brasileira, Strauss-Kahn disse que o jornalista não deveria ler muito o que está escrito nos jornais pois "não são tão acuradas" (as informações). "É melhor você ouvir o que eu falo a você", acrescentou. "Não vejo tensão do lado fiscal se o governo implementar as políticas que já decidiu".

Em entrevista coletiva concedida ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o diretor-gerente do FMI elogiou a política fiscal brasileira que está, na sua avaliação, "sendo adequadamente implementada". Para ele, "muitos países gostariam de ter a mesma situação fiscal que a brasileira", pois a relação da dívida pública líquida e o Produto Interno Bruto (PIB) está caindo e situa-se em patamar baixo.

Além disso, o diretor-gerente do FMI disse que o Brasil registra uma taxa elevada crescimento econômico, "situação que é almejada pela maioria dos países".

Durante a crise financeira internacional, observou Strauss- Kahn, o governo brasileiro não concedeu um estímulo fiscal tão grande e nem estímulo zero.

"Foi na medida exata, que se fazia necessário", afirmou. O diretor do FMI lembrou que, agora, é chegado a hora de retirar esses estímulos a fim de evitar que ocorra um "sobreaquecimento" da economia.

Para ele, a taxa de crescimento do primeiro trimestre deste ano foi tão alta que ninguém pode esperar ou querer que ela continue, pois isso seria insustentável. Strauss-Kahn disse que está vendo uma desaceleração da economia nos próximos trimestres e previu uma expansão do PIB de 4,5% a 5% no próximo ano.

O diretor-gerente do FMI Strauss-Kahn disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua força, seu carisma e sua experiência será fundamental para o êxito das reuniões do G-20. Segundo ele, os líderes do G-20 devem entender que o encontro não é apenas "um encontro legal para após retornarem todos aos seus países e manter as mesmas políticas econômicas".

Ainda segundo Strauss-Kahn, é preciso que haja a criação de uma política conjunta de regulação financeira, comércio e crescimento econômico.

No caso do Brasil, Strauss-Kahn elogiou as condições do país, disse que muitas outras nações gostariam de estar nas mesmas condições que o Brasil. "O único risco é um crescimento muito rápido, mas confiamos na condução do ministro Mantega e do presidente Lula para que isso não aconteça" (Colaborou Paulo de Tarso Lyra)

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