17.5.10

Países ricos passam por uma crise de confiança

17 de maio de 2010

Valor Economico (SP)

Ralph Atkins, Financial Times, de Frankfurt

Europeus e americanos veem como bastante possível que seus governo entrem em default na próxima década. Entre as maiores economias, os franceses são os mais nervosos em relação às finanças públicas de seu país.

Cerca de 53% dos entrevistados na França acham que o governo não será capaz de cumprir seus compromissos financeiros nos dentro de dez anos, segundo uma pesquisa "Financial Times"/Harris. Apenas 27% disseram que isso seria improvável. Os americanos estão apenas um pouco menos preocupados, com 46% dizendo que o default é provável, contra 33% dizendo ser improvável.

Os resultados evidenciam o quanto as preocupações em relação às finanças públicas, inicialmente focadas na Grécia, acabaram gerando um temor global. O plano de resgate europeu de € 750 bilhões, apoiado por bancos centrais, ajudaram na semana passada a acalmar os mercados. Mas o pacote não conseguiu amainar os temores em relação à sustentabilidade de longo prazo das finanças em muitos países, o que provocou a queda do euro.

Os britânicos, por outro lado, não aparentam estar muito perturbados em relação à possibilidade de um default, mesmo que as projeções do déficit do Reino Unido cheguem a 12% do PIB neste ano. Apenas um terço das pessoas pesquisadas achou que o default do governo seria provável nos próximos dez anos.

Os espanhóis também se mostram menos preocupados do que os franceses e os americanos, apesar de o déficit do país dever se aproximar dos dois dígitos neste ano. Cerca de 35% dos espanhóis disseram que um default é provável. Os alemães (28%) se mostraram os menos preocupados.

Entretanto a pesquisa mostra confiança de que os governos ainda poderão achar fundos para os programas sociais e outros investimentos. Os espanhóis são os mais otimistas - apesar de o país ter sido obrigado a anunciar novas medidas de austeridade na semana passada para conter o déficit. Um total de 86% dos espanhóis disse estar confiante que seu governo ainda sera capaz de pagar "pensões razoáveis" no futuro e 93% disseram achar que os gastos de saúde ficarão seguros.

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