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Pacote de austeridade apresentado pelo governo socialista quer reduzir à metade o déficit do orçamento nos próximos dois anos.
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- O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodrigues Zapatero, anunciou nesta quarta-feira uma série de medidas com o objetivo de reduzir o gasto público em até 15 bilhões de euros (US$ cerca de 34 bilhões) nos próximos dois anos.
As medidas, apresentadas no Parlamento, em Madri, incluem cortes no financiamento dos governos regionais e o fim dos reajustes para aposentadorias a partir de 2011.
O governo espanhol quer reduzir o seu déficit orçamentário, hoje equivalente a 11% do Produto Interno Bruto (PIB), para 4,7% do PIB até o fim do ano que vem.
Zapatero disse que pretende reduzir em 5% os salários do funcionalismo público neste ano e congelá-los a partir do ano que vem. Entre os ministros do governo o corte será ainda maior: 15%.
"Não é fácil para qualquer governo (propor medidas de austeridade) e menos ainda para um governo que se empenhou, durante os anos de bonança, em dirigir o melhor de seus esforços à melhora da situação da maioria", disse o premiê socialista espanhol.
Entretanto, ele insistiu que o aperto, um "esforço coletivo sem precedentes" no país, é necessário para manter a atratividade da Espanha aos olhos dos investidores estrangeiros, fortalecer a economia do país e preservar o modelo estatal de bem-estar social.
A estimativa da União Europeia é de que a economia espanhola tenha uma contração de 0,4% neste ano.
O país já é um dos mais atingidos pela crise econômica, registrando uma taxa de desemprego recorde de 20% - o dobro da média dos países da zona do euro.
Contágio
O plano de austeridade espanhol é anunciado em meio a temores de que a crise da dívida iniciada na Grécia contagie também a economia de outros países, inclusive da Espanha.
O país, assim como Portugal e Irlanda - economias também percebidas como problemáticas -, está sob pressão das autoridades europeias para adotar medidas de austeridade antes que essa fragilidade contagie a moeda comum, o euro.
No domingo, as autoridades europeias e o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciaram recursos para blindar o euro que alcançam US$ 1 trilhão.
Em janeiro, o governo espanhol já havia anunciado um pacote de austeridade de cerca de US$ 60 bilhões (mais de R$ 70 bilhões). Mas segundo a repórter da BBC em Madri, Sarah Rainsford, as medidas surtiram pouco efeito até agora.
Zapatero disse que está comprometido com o objetivo de reduzir o seu déficit orçamentário para 3% do PIB em três anos.
Espanha cortará salários para reduzir déficit
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MADRI, 12 DE MAIO - A Espanha cortará o salário dos funcionários públicos e reduzirá os gastos com investimento, enfurecendo os sindicatos na tentativa de garantir aos mercados que conseguirá controlar seu déficit orçamentário e deter o espalhamento da crise de dívida na Europa.
"Nós precisamos fazer um esforço singular, excepcional e extraordinário para reduzir nosso déficit público e nós precisamos fazê-lo agora que a economia está começando a se recuperar", disse o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ao Parlamento.
Nas mais rígidas medidas de redução de déficit adotadas pelo governo socialista, Zapatero disse que planeja economizar 15 bilhões de euros em 2010 e 2011 com uma série de cortes de gastos, incluindo a redução de mais de 6 bilhões de euros em investimento público.
Os salários do setor público serão reduzidos em 5 por cento em 2010 e congelados em 2011, o que gerou reação imediata dos sindicatos, que já bloquearam uma medida do governo de elevar a idade de aposentadoria de 65 para 67.
As medidas adotadas agora diminuirão o déficit orçamentário para 9,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 11,2 por cento em 2009. Segundo o governo espanhol, o déficit cairá para 6 por cento em 2011 e para 3 por cento em 2012.
(Reportagem de Elisabeth O'Leary e Martin Roberts)
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