Mais da metade do que a União deve estão nas mãos do setor
financeiro. Segundo o Tesouro Nacional, as instituições financeiras e
os fundos de investimento detêm 56,6% da dívida em títulos do governo
federal no mercado interno, o que equivale a quase R$ 1 trilhão.
De acordo com o último relatório da dívida pública, a dívida
mobiliária (em títulos) federal somava R$ 1,723 trilhão em setembro,
dos quais R$ 976,28 bilhões estavam em poder do segmento financeiro.
Desse total, R$ 524,85 bilhões (30,45%) pertenciam a bancos, corretoras
e distribuidoras e R$ 451,43 bilhões (26,19%) estavam sob a posse de
fundos de investimento.
Em terceiro lugar entre os detentores da dívida mobiliária, estão os
planos de previdência aberta e fechada, com R$ 267,36 bilhões (15,51%).
Os estrangeiros detinham R$ 194,65 bilhões (11,29%). Por meio de
fundos administrados pela União, como Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT), Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Fundo Soberano
do Brasil (FSB), o governo federal possuía em setembro R$ 155,32
bilhões (9,01%).
Apesar das iniciativas nos últimos anos, a proporção de pessoas
físicas na dívida pública continua pequena. O estoque do Tesouro
Direto, programa de venda de títulos públicos a pessoas físicas pela
internet, somou R$ 6,722 bilhões em setembro, o que corresponde a
apenas 0,4% da dívida mobiliária interna.
Assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc),
Eliana Graça avalia que a predominância do setor financeiro entre os
detentores dos títulos federais é estimulada pelos juros altos, que,
segundo ela, tornaram-se fonte de lucro fácil para os bancos e fundos
de investimento. “Observamos um círculo vicioso. Não é o cidadão que
detêm os títulos da dívida, mas o mercado financeiro, que lucra com
isso”.
Para a especialista, essa postura dos bancos afeta o crédito, à
medida que as instituições financeiras preferem comprar em títulos
públicos a emprestarem dinheiro. “Os bancos querem ficar no mesmo
circuito e especular com títulos públicos, em vez de emprestar para o
setor produtivo”.
Segundo o Tesouro Nacional, os investidores preferem tipos diferentes
de títulos públicos de acordo com o perfil. As instituições
financeiras têm 49,2% dos títulos públicos em sua carteira corrigidos
por taxas prefixadas – definidas com antecedência. Os fundos de
investimento possuem 54,1% de seus títulos vinculados à Selic, taxa
básica de juros da economia.
Em relação aos fundos de previdência, 69,3% dos papéis em seu poder
estão atrelados a índices de preços. As pessoas físicas também preferem
títulos indexados à inflação, que respondem por 50,55% do estoque do
Tesouro Direito.
Por meio da dívida pública, o governo pega emprestado recursos dos
investidores para honrar compromissos. Em troca, se compromete a
devolver os recursos com alguma correção, que pode ser definida com
antecedência, no caso dos títulos prefixados, ou seguir a variação da
taxa Selic (juros básicos), da inflação ou do câmbio.
fonte: http://economiabaiana.com.br/
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