O empresariado brasileiro mantém o otimismo e as previsões de
investimentos no País para o próximo ano, mesmo com o agravamento da
crise internacional. Ao menos esta é a visão apresentada por cinco
executivos de companhias importantes em diversos setores da economia do
Brasil durante a premiação As Empresas Mais Admiradas do Brasil, evento da revista CartaCapital realizado na segunda-feria 31.
Rubén Osta, diretor geral da Visa do Brasil, acredita na manutenção
do crescimento sólido no mercado de cartões de crédito registrado nos
últimos cinco anos. “Esse cenário fica na casa dos dois dígitos e não
existe vislumbre de mudanças”, adianta a CartaCapital,
completando que uma possível desaceleração do consumo não é uma
preocupação da empresa para 2012. “O sistema do Brasil é
majoritariamente de pagamentos e não de financiamento, nosso revolving [crédito] fica entre 20% e 22% do total.”
A prefêrencia dos brasileiros pelo cartão de débito é usada pela Visa
Brasil para impulsionar o crescimento da empresa no mercado nacional.
“Existe uma migração muito forte de meios de pagamento, do cheque e
dinheiro para o cartão que mantém nosso avanço sustentável.”
No setor alimentício, no entanto, Ivan Zurita, presidente da Nestlé
do Brasil, mostra-se preocupado com o cenário adverso na Europa e EUA,
mas garante que os rumos da empresa no País não serão alterados.
“Continuamos em busca de oportunidades, crescimento e novas
perspectivas, mesmo porque o mercado brasileiro vem respondendo a uma
velocidade muito superior aos demais países.”
Zurita adianta que a filial brasileira deve ter crescimento orgânico
entre 8% e 9% em 2012, com perspectivas positivas inclusive de
instalação de novos projetos e aquisições. “Temos o Brasil como uma de
nossas maiores prioridades.”
Na aviação, a TAM reviu suas previsões de procura por vôos e trabalha
com um crescimento menor, mas manteve a expectativa de avanço em termos
de demanda para o próximo ano entre 8 e 10%. “Devemos aumentar a nossa
oferta no mercado doméstico em 4% e para se adequar a esse cenário
deixamos de ampliar a frota doméstica neste ano”, explica o presidente
do Grupo TAM, Marcos Bologna.
O executivo destaca que o setor é fortemente influenciado pelo
crescimento econômico do País e, por isso, um avanço menor do PIB
refletirá nos planos da empresa. “Com um crescimento de 3% para 2012,
devemos avançar cerca de 8%.”
Segundo Bologna, o aproveitamento dos vôos internacionais continua
forte e não há queda de tráfego executivo, mesmo com a volatilidade do
dólar. “O tráfego de lazer sente um pouco mais o aumento do câmbio, mas a
moeda americana parece estar se estabilizando em um novo patamar
razoável”, diz, antes de anunciar a previsão de quatro novos Boeings para essas rotas em 2012.
Novos mercados
Murilo Ferreira, presidente da Vale, garante que a mineradora não
enxerga com preocupação excessiva a crise mundial, pois a empresa
precisa pensar no longo prazo. “Das pesquisas minerais ao projeto
finalizado, demora-se cerca de oito a dez anos. Por mais que possamos
receber uma influência a curto prazo, nossa tendência é sempre analisar
mais adiante.”
Segundo Ferreira, a crise nos EUA tem menor impacto na empresa, que
não fornece minério de ferro ao país. No entanto, o mercado europeu
desperta preocupação. “As decisões na Europa podem passar por 17
parlamentos e crises exigem soluções imediatas”, diz.
“Continuamos
vendo o futuro com bons olhos e podemos levar os desafios
socioambientais como uma oportunidade de criação de bons negócios”, diz
Guilherme Leal. Foto: Tripolli
Sobre uma possível desaceleração da China, um dos maiores mercados de
commodities do mundo – itens que mantém a balança comercial brasileira
equilibrada -, o presidente da Vale aponta Indonésia, Tailândia e
Filipinas como clientes em potencial. “Não enxergamos um desaquecimento
da economia chinesa e sim um ajuste pontual da política monetária.”
A procura de novos mercados consumidores também está
nos planos da Natura, de acordo com Guilherme Leal, copresidente do
Conselho de Administração da empresa. Apesar de a crise ter atenuado o
desenvolvimento da companhia em relação ao último ano, os investimentos
continuarão.
“Faremos investimentos no Brasil e nas capacidades de desenvolvimento
da empresa no cenário global, mas de forma cautelosa”, diz Leal, que
destaca o espaço disponível para o crescimento da empresa na América
Latina e no mundo. “Continuamos vendo o futuro com bons olhos e podemos
levar os desafios socioambientais como uma oportunidade de criação de
bons negócios.”
Fonte: Carta Capital
Fonte: Carta Capital
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