Gabriel Bonis
Segundo IBGE
As regiões mais industrializadas do Brasil sofreram maior impacto na crise mundial há três anos, aponta um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado na quarta-feira 23. Segundo os dados, entre 2008 e 2009 os nove estados com maior participação no PIB somaram uma queda de 1,5%, enquanto a retração nacional do período foi de 0,3%. Por outro lado, as outras 18 unidades da federação cresceram, em média, 2%.Um cenário que parece se repetir na crise da dívida pública atual. De acordo com o IBGE, na comparação de setembro com agosto, houve uma retração de 2% da atividade industrial brasileira, o pior resultado desde abril (-1,7%). Apesar de a média de crescimento no ano ainda ser positiva (1,1%), o terceiro trimestre foi nulo e com persepctiva de perda no ritmo.
Os estados mais afetados em setembro, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, somam cerca de 70% do PIB nacional e pertecem às regiões Sudeste e Sul, que entre 2008 e 2009 registraram queda do PIB de 1% e 0,6%, respectivamente, influenciados pela indústria de transformação e a redução dos preços das commodities. Enquanto isso, o Centro-Oeste avançava 2,5% no período e o Nordeste, 1%. “Essas duas regiões contaram com o apoio de programas governamentais como o Bolsa Família e a previdência, que incentivam o consumo, além de investimentos estruturais da escala do PAC”, explica Amir Khair, especialista em contas públicas e ex-secretário municipal de Finanças de São Paulo, em conversa com o site de CartaCapital.
Segundo Khair, os estados mais prejudicados no passado também estão expostos
em maior grau à crise atual, pois concentram as empresas mais sólidas e
exportadoras. Durante a crise, explica, criam-se barreiras para a entrada de
produtos importados e a concorrência internacional aumenta. “Os mercados de
exportação da China encolheram, logo, o país vai tentar vender mais barato e
quebrar essas barreiras, dificultando ainda mais para as empresa brasileiras
competirem no exterior.”
O analista destaca também que a indústria de transformação enfrenta riscos
mais elevados neste momento. “Esse é um setor extremamente competitivo e com
alta tecnologia, portanto, a concorrência é mais dura.”
São Paulo(-4,2%), Rio de Janeiro (-3%), Paraná (-13,5) , Minas Gerais
(-2,7%) e Rio Grande do Sul (-1,4%), locais mais atingidos pela queda da
atividade industrial em setembro, foram prejudicados principalmente pela
influência do setor automobilístico. Com estoques cheios, as fábricas optaram
por conceder férias coletivas aos funcionários. Contudo, houve retração em 16
dos 27 ramos industriais.
Com estoques cheios, indústria deve reduzir produtividade nos
próximos meses
Outro fator que evidencia o desaquecimento da indústria e preocupa os
analistas é o acumulo de estoques. Pesquisa da Confederação Nacional das
Indústrias (CNI) divulgada na quinta-feira 24 indica que o índice de retenção
de mercadorias em outubro chegou a 52,4 pontos (valores acima de 50 mostram
estoques acima do planejado), o que segundo a CNI deve reduzir ainda mais a produtividade
nos próximos meses. Além disso, o estudo aponta um recuo nas vagas de trabalho
do setor no mesmo período.
Outro levantamentoto da CNI destaca, porém, que em novembro os empresários
da indústria estavam otimistas sobre as expectativas econômicas e de seus
negócios nos próximos seis meses. Um cenário, de acordo com Khair,
possivelmente menos turbulento devido a ação mais eficaz de medidas adotadas
pelo governo, como o progama Brasil Maior e os cortes na Selic.
O especialista ainda aponta o aumento do salário mínimo a partir de janeiro
de 2012 como fator de impulso ao consumo das famílias e à retomada do
investimento pelas empresas. “É preciso investir, mas o governo poderia ajudar
controlando a entrada de importados no País ou teremos problemas com o setor
industrial segurando o crescimento do PIB.”
Para Khair, o governo também precisa disponibilizar a empresas e pessoas
físicas crédito com juros menores para incentivar o consumo e financiar
investimentos. “A taxa de juros para empréstimos é o grande freio da nossa
economia e o Estado precisa exigir mudanças. Isso pode ser feito por mecanismos
que não dependem da aprovação do Congresso.”
Fonte: Carta Capital
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