27.11.11

Como o Brasil poderá se beneficiar da crise


Luis Nassif

Na coluna de ontem, mencionei a importância de um órgão que coordenasse uma ofensiva diplomático-comercial brasileira, envolvendo agronegócio, grupos industriais, mercado de capitais e bancos financiadores, para uma ofensiva nas novas fronteiras agrícolas mundiais.
Um projeto piloto já foi iniciado, entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) – órgão do Itamarati incumbido de ações de cooperação com países pobres – e o Ministério da Agricultura de Moçambique. Trata-se do ProSavana (Programa de Desenvolvimento Agrícola das Savanas Tropicais de Moçambique – Brasil, Japão e Moçambique.
O programa se baseou em alguns trabalhos conjuntos já desenvolvimento pela ABC e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e poderá ser o início de uma estratégia sistemática de expansão diplomática comercial brasileira.
O projeto tem um horizonte de vinte anos e divide-se em três frentes:
  1. Ampliar o conhecimento dos recursos naturais e socioeconômicos do Corredor de Nacala, de Moçambique;
  2. planejar e executar um projeto piloto visando a preparação de uma zona de desenvolvimento modelo em nível de comunidades;
  3. elaboração do Plano de Desenvolvimento Agrícola Regional Integral do Corredor de Nacala, que guiará os setores públicos e privados para a tomada de decisões em relação a investimentos para o desenvolvimento da agricultura.
O projeto teve início em julho de 2009, na Cúpula de Áquila, em encontro de Lula com o Primeiro Ministro do Japão, Taro Aso. A estrutura da organização havia sido definida um pouco antes pelos três países, o Brasil representado pelo diplomata Marcos Farani, diretor da ABC.
A agricultura de Moçambique emprega 14,3 milhões de pessoas, 70% da população total, e responde por 24% do PIB de US$ 8,1 bilhões.  É quase totalmente familiar, com baixo uso de tecnologia.
O país possui 36 milhões de hectares de terras agricultáveis; e apenas 5,7 milhões são explorados por cerca de 3,34 milhões de pequenas e médias propriedades, as chamadas “machambas”, com tamanho médio de 1,5 ha.
O país foi dividido em três zonas agrícolas duas banhadas- por bacias hidrográficas permanentes e uma terceira de solos pobres e pouca chuva.
O documento base no ProSavana lista as necessidades de cada região, a infraestrutura existente, a agroecologia e os principais cultivos, assim como os desafios tecnológicos, nada pelo qual a Embrapa não tenha passado no Brasil.
O governo de Moçambique definiu um conjunto de políticas para o setor, desde o fortalecimento institucional dos órgãos voltados para o tema, ao fortalecimento da agricultura comercial, com foco no mercado, serviços financeiros, tecnologia e acesso a recursos naturais.
É por aí que se insere o ProSavana, organizado em cinco componentes
No decorrer do projeto, serão criadas seis Unidades Piloto de investigação participativa. Haverá capacitação das instituições nacionais de extensão rural. Também será preparado um Plano Diretor a ser entregue em março de 2012. Depois, definição de projetos agrícolas que atraiam investimentos públicos e privados.
Fonte: Carta Capital

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