12.4.10

Países da zona do euro aprovam pacote de 30 bi para salvar Grécia

12 de abril de 2010

O Globo (RJ)

Ajuda pode ter mais 10 bi a 15 bi do FMI, no maior socorro do organismo

BRUXELAS, ATENAS e SIDNEY. Os ministros das Finanças da zona do euro aprovaram ontem um gigante plano de ajuda emergencial de C30 bilhões à Grécia — acima de estimativas iniciais de C 20 bilhões a C 22 bilhões. O país ainda não solicitou a ajuda, mas poderá fazê-lo nos próximos dias. Em teleconferência, as 16 nações apoiaram o plano que prevê empréstimos da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) a taxas abaixo das de mercado. Com o FMI, esse será o maior resgate feito por organismos multilaterais.

— Com a decisão, a Europa envia uma clara mensagem de que ninguém pode brincar com nossa moeda, com nosso destino conjunto — disse o primeiro-ministro grego, George Papandreau, em comunicado em referência ao fato de que a crise coloca em xeque o euro e a rede de segurança do bloco.

A Grécia receberia C 30 bilhões da zona do euro no primeiro ano — os valores dos anos seguintes seriam determinados mais tarde, dependendo da situação financeira do país.

Isso seria feito em empréstimos bilaterais coordenados pela Comissão Europeia e pagos através do Banco Central Europeu (BCE). Esses empréstimos terão juros de cerca de 5% — abaixo dos de mercado, acima de 7%.

Os países da zona do euro pagariam em proporção à participação no BC europeu, tornando a Alemanha o maior credor, seguida por França e Itália.

— Se o mecanismo tiver que ser ativado, não seria uma violação da cláusula de não-resgate (no tratado da União Europeia), já que os empréstimos são retornáveis e não contêm nenhum elemento de subsídio — informou Jean-Claude Juncker, chefe do Eurogroup.

A contribuição do FMI não foi revelada, mas, fontes estimam um socorro de C10 bilhões e, segundo o jornal francês “Le Monde”, a ajuda pode ser de C15 bilhões. Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, disse que começará a dialogar hoje com Grécia, União Europeia e BCE em Bruxelas.

— O FMI está disposto a se unir ao esforço, inclusive por acordo multianual, na medida necessária e solicitada por autoridades gregas — disse, em comunicado, Strauss-Kahn, para quem o acordo é importante para proteger a estabilidade financeira da zona do euro.

Grécia deve leiloar títulos de dívida de curto prazo

O acordo era aguardado pois a Grécia deve leiloar títulos de dívida de curto prazo amanhã.

Investidores subiram os custos dos empréstimos gregos por causa do risco de calote e dúvidas sobre a rede de segurança da UE. Para Papandreou, o resgate seria o último esforço para deter a especulação.

— Permanece a dúvida sobre se esse mecanismo convencerá os mercados... Se não os convencer, é um mecanismo que está ali para ser usado — disse ele ao jornal “To Vima”.

A Grécia chocou a UE em outubro, quando Papandreou, recém-eleito, revisou o déficit público para 12,7% do PIB em 2009, ante a projeção anterior abaixo de 4%. O limite fixado pela UE é de 3%. A crise elevou o custo dos títulos da dívida grega para patamares estratosféricos.

Autoridades europeias exigiram austeridade para reduzir o déficit fiscal, antes do socorro.

Para o governo alemão, o pacote pode ajudar a acalmar os mercados e permitir que a Grécia reduza seu déficit fiscal. Nas primeiras operações dos mercados da Ásia hoje, o euro já subiu ao maior nível do último mês

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