13.4.10

Crise nos EUA ainda não acabou, diz NBER

13 de abril de 2010

Valor Economico (SP)

Bloomberg

A comissão americana responsável por definir quando os EUA entram e saem de períodos de recessão disse que ainda é muito cedo para declarar que a atual retração já terminou.

"Embora muitos indicadores tenham melhorado, a comissão decidiu que seria prematura afirmar que os dados já chegaram ao fundo do poço", anunciou a comissão de ciclos de negócios do Birô Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês) num comunicado veiculado ontem no seu site ontem. "Muitos indicadores são bastante preliminares neste momento e serão revisados nos próximos meses."

A comissão define a recessão como uma redução "significativa" na atividade econômica por um período de tempo sustentável. O declínio seria visível no Produto Interno Bruto (PIB), no mercado de trabalho, na produção industrial, no comércio e nos salários.

Mas a posição oficial da comissão foi bombardeada por um de seus integrantes. Robert Gordon disse que discorda "fortemente" da decisão do grupo.

"É óbvio que a recessão acabou", disse ele. Gordon é professor da Northwestern University em Evanston, no Estado de Illinois. Em uma declaração escrita, Gordon diz que a maior economia do mundo "está passando por um momento de forte recuperação que está evidente todos os dias no anúncio das vendas do varejo, na produção do setor de serviços e em quase tudo mais."

A comissão afirmou que a retração começou em dezembro de 2007. Embora a definição convencional de recessão seja de dois períodos sucessivos de contração do PIB, a comissão privada não se baseia exclusivamente nessa medida para fazer seu alerta. Seus integrantes preferem dar atenção às mudanças mensais da economia.

O número de pessoas empregadas aumentou em 162 mil em março, a terceira alta em cinco meses, segundo o Departamento do Trabalho. E a produção industrial cresceu 0,1% em fevereiro, o oitavo mês seguido de crescimento. O PIB americano teve expansão de 5,6% em taxa anual no último trimestre de 2009, no segundo trimestre seguido de alta.

A renda das família recuou em janeiro e em fevereiro depois de três meses crescendo. No caso das vendas, houve aumento nos últimos quatro meses de 2009, segundo os dados mais recentes.

Há alguns dias, o presidente da comissão, Robert Hall, professor da Universidade Stanford, disse que está "muito claro" que a recessão acabou provavelmente em meados de 2009. Mas outros economistas do grupo questionam essa visão. Para Martin Feldstein, da Harvard University, o risco de retração um segundo mergulho na recessão permanece.

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