13.4.10

Mercado não espera corte da Selic em 2011

13 de abril de 2010

Valor Economico (SP)

Fernando Travaglini, de Brasília

Em mais uma semana de deterioração das expectativas inflacionárias, os economistas e analistas que respondem à pesquisa Focus do Banco Central elevaram a estimativa da Selic para o próximo ano. O nível de fechamento da taxa básica para 2011 passou de 11% ao ano para 11,25% ao ano. Isso mostra que o mercado não espera mais que o BC faça uma política de redução dos juros no início do próximo governo, já que a projeção para a Selic em dezembro deste ano se manteve no mesmo patamar do levantamento anterior, 11,25% ao ano.

"A Selic esperada para esse ano segue em 11,25%, mas para 2011 subiu de 11,0% para 11,25%, ou seja, já não são esperados cortes no próximo ano", afirma José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, em relatório para clientes.

Essa mudança no cenário de juros reflete a piora generalizada nas projeções referente à semana até 9 de abril. A estimativa para o fechamento em dezembro do IPCA, índice oficial de preços do regime de metas para inflação, subiu de 5,18% para 5,29%, décima segunda semana consecutiva de alta, enquanto a mediana do IGP-M aumentou de 6,80% para 7,69%. Apenas o IGP-DI registrou leve queda, de 7,14% para 7,11% para o fim deste ano.

Na projeção para os próximos doze meses, o IPCA pulou de 4,63% para 4,69%. Para 2011, a mediana nas expectativas para o índice de preços apontou elevação para 4,8%, contra 4,74% na pesquisa da semana anterior, segunda alta consecutiva.

De acordo com análise do Banco Santander, a alta da mediana das expectativas para o IPCA de 2010 mostrou um "ajuste muito maior que a surpresa inflacionária" do IPCA de março, que fechou em alta de 0,52% no mês, contra os 0,49% esperados. Como a Selic esperada se manteve estável para este ano, "o cenário de consenso continua sendo mais atividade econômica com mais inflação, dado que o ciclo de aperto monetário esperado segue limitado a 250 pontos base", diz, em relatório, a equipe econômica do banco.

Ainda de acordo com a pesquisa Focus, a mediana das projeções para o crescimento do PIB para este ano passou de 5,52% para 5,60%, quarta alta consecutiva. Para 2011, o avanço do PIB se manteve estável em 4,5%. A estimativa de crescimento da produção industrial passou de 9% para 9,31%. Para o câmbio a mediana permaneceu em R$ 1,80.

Nenhum comentário: