Valor Economico (SP)
David Oakley e Kerin Hope, de Londres e Atenas
A Grécia fará neste mês um lançamento multibilionário de títulos nos EUA, em sua caça a novos investidores, vendendo-se pela primeira vez como país de mercado emergente, à medida que a demanda por sua dívida diminui na Europa.
O Morgan Stanley está sendo considerado para gestor do negócio, depois que os planos do Goldman Sachs de vender títulos gregos a investidores asiáticos e americanos neste ano foram frustrados, em meio a rumores de que os chineses tinham se recusado a comprar papéis da dívida grega.
George Papaconstantinou, ministro das Finanças da Grécia, conduzirá um "roadshow" nos EUA após 20 de abril, mas, em contraste com planos existentes no início do ano, não viajará à Ásia, disse um funcionário governamental.
A Grécia está buscando levantar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões junto a investidores americanos para ajudar a cobrir suas necessidades de financiamento em maio - cerca de € 10 bilhões (US$ 13,5 bilhões) - para rolar dívidas vincendas e honrar pagamentos de juros.
A emissão é a primeira da Grécia nos EUA em quase dois anos.
Atenas está deliberadamente visando investidores que costumam adquirir dívida de mercados emergentes, que só compram dívida que paga altos rendimentos, pois a demanda caiu significativamente em sucessivos negócios com títulos na Europa.
"A Grécia está procurando diversificar sua base de investidores com essa emissão, o que significa atrair fundos que atuam em mercados emergentes, assim como outros investidores", disse um funcionário governamental.
A Grécia atraiu uma demanda superior a € 25 bilhões com sua primeira venda de títulos no ano, em janeiro, mas a demanda subiu para apenas € 6 bilhões com seu lançamento de papéis no fim do mês passado.
Como os rendimento de títulos gregos, ou custos de tomada de empréstimos, são muito superiores aos de muitos países do mundo em desenvolvimento, como Brasil, México e Polônia, e aproximadamente iguais aos da Hungria, socorrida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no ano passado, analistas dizem fazer sentido, para Atenas, atrair fundos especializados em mercados emergentes.
O rendimento referencial grego para títulos de 10 anos é de aproximadamente 6,5%, em comparação com 4,9% no caso do Brasil, 4,8% no México, 5,5% na Polônia e 6,6% na Hungria.
A última vez em que a Grécia realizou uma captação em dólares foi em junho de 2008, quando emitiu US$ 1,5 bilhão em títulos com maturação em cinco anos.
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