5.11.10

Economia americana surpreende e Obama tenta virada

Criação de empregos superou o previsto. Presidente acha dado 'animador'

Fonte: veja.com.br

Barack Obama, presidente dos EUA

(Jewel Samad/AFP)

"Estou aberto a qualquer ideia, a qualquer proposta, a qualquer meio que nos permita fazer crescer mais rápido, para que as pessoas que precisam de trabalho possam encontrá-lo mais rapidamente"

Barack Obama

Três dias depois de sofrer sua maior derrota no governo, o presidente americano Barack Obama começa a tentar reconstruir sua liderança. O primeiro impulso foi uma boa notícia na economia: de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, os Estados Unidos criaram 151.000 empregos em outubro, quase o triplo de algumas previsões dos especialistas. A informação é ainda mais importante diante do que revelaram as pesquisas de opinião realizadas nas eleições legislativas - de acordo com as sondagens, a derrota dos democratas, que perderam o controle da Câmara, se deve muito ao alto índice de desemprego no país mais rico do mundo.

Em porcentual, o nível de emprego manteve-se estável. A criação de vagas em número surpreendente, porém, serviu de ânimo para Obama - ele se manifestou sobre os dados pouco depois da divulgação oficial, classificando de "animadoras" as informações sobre o mercado de trabalho. O presidente americano avisou, no entanto, que está disposto a ouvir tanto seus aliados como seus adversários para tentar reativar de vez o crescimento econômico. "Estou aberto a qualquer ideia, a qualquer proposta, a qualquer meio que nos permita fazer crescer mais rápido, para que as pessoas que precisam de trabalho possam encontrá-lo mais rapidamente", afirmou.

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A declaração acontece um dia depois da liderança republicana no Congresso avisar a Casa Branca que espera ser ouvida por Obama na tomada de decisões importantes sobre o país. Os opositores usaram a vitória nas urnas para pressionar o governo a levar em consideração suas reivindicações - além, é claro, de ameaçar barrar projetos de interesse do Obama se eles forem levados à votação na Câmara antes que os republicanos sejam ouvidos a respeito. Obama sabe que está em baixa e evitou soar otimista demais: disse, por exemplo, que sabe que o número de criação de empregos é muito pequeno se comparado ao contingente de milhões que seguem procurando trabalho.

Conforme os números do Departamento de Trabalho americano, o índice de desemprego ficou em 9,6% pelo terceiro mês consecutivo, confirmando as estimativas. Mas a criação dos 151.000 novos empregos foi a maior desde abril. O relatório do governo mostra que as remunerações subiram de 22,68 dólares a hora em setembro para 22,73 dólares a hora em outubro. A taxa de subemprego - das pessoas que têm emprego em tempo parcial mas queriam conseguir um de tempo completo e das pessoas que queriam estar empregadas mas abandonaram a busca por trabalho - caiu levemente nos EUA, de 17,1% em setembro para 17% em outubro.

'Dar o tom' - Em entrevista concedida ao programa 60 Minutes, da rede CBS, Obama fez uma nova avaliação de sua derrota nas urnas - e disse que não conseguiu mostrar aos americanos os avanços alcançados por sua administração. "Acho que estávamos tão ocupados e focados em fazer um monte de coisas que paramos de prestar atenção ao fato de que liderar não significa apenas legislar. É também uma questão de persuadir as pessoas", afirmou ele. "Não fomos sempre bem sucedidos neste aspecto. Assumo pessoalmente a responsabilidade por isto, e é algo que tenho que examinar com cuidado à medida que sigo em frente", completou o presidente na entrevista.

Obama já havia admitido o retumbante fracasso de seu partido nestas eleições, mas disse recusar-se a enxergar o resultado como um repúdio a sua agenda doméstica de reformas, culpando a impaciência dos americanos diante da lenta recuperação econômica do país. Muitos críticos já vinham dizendo que Obama não estava conseguindo convencer os americanos de suas conquistas legislativas, e que os democratas corriam o risco de sofrer nas urnas devido à inabilidade do governo de vender os aspectos positivos de sua atuação. Na CBS, disse que precisa "dar confiança e unir o país, dar o tom, explicar as coisas de modo que as pessoas entendam".

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