11.11.10

No Senado, Maria da Conceição Tavares fala sobre economia brasileira

11/11/10
Fonte: cofecon.org.br


conceicaotavares2A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado realizou na última terça-feira (09) o seminário "Desenvolvimento Econômico Brasileiro: Evolução e Desafios". A palestrante foi a Profª Maria da Conceição Tavares, autora de diversos livros sobre desenvolvimento econômico. O evento contou com a presença de várias autoridades, além de deputados e senadores.

A sessão foi presidida pelo senador Delcídio Amaral (PT/MS), vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos. Também participou da mesa o deputado Pepe Vargas (PT/RS). Delcídio deu as boas vindas a todos, enquanto Vargas afirmou que tanto a Câmara quanto o Senado tiveram iniciativas semelhantes (o debate com Maria da Conceição Tavares) e, ao saber disso, decidiram realizar o seminário de forma conjunta.

Conceição iniciou sua fala comentando de forma bem humorada sua atuação na Câmara dos Deputados, e logo abordou a crise financeira internacional, agravada em 2008. "Desde que se rompeu com Bretton Woods o sistema bancário foi se liberalizando", apontou Conceição, enquanto falava sobre os produtos financeiros que foram criados. E arrematou, com o mesmo bom humor que marcou sua fala: "O Congresso americano precisava ter apenas metade do progressismo do nosso para regular os bancos".

"A crise foi dramática para os países do centro e da periferia imediata", afirmou. E apontou para o Japão e a Alemanha, que tiveram as maiores crises industriais. "Eles se complicaram mais porque foram ainda mais conservadores do que o Fed (banco central norte-americano)", apontou. Sobre a América Latina, "quem reagiu mais rápido à crise fomos nós. Mais que o Chile, mais que o México. Esta crise foi menos grave que a dos anos 80, que nos jogou na estagnação". Sobre a Europa, afirmou esperar uma crise em formato de L e disse que o ajuste fiscal em Portugal, Espanha, Grécia e Itália "está sendo muito maior que o do Fundo Monetário Internacional".

Conceição também comentou a situação da Ásia. Estimou que a China "continuará puxando a demanda de matéria prima por, no mínimo, mais dez anos. E se o Japão não estivesse no buraco, ele seria o dínamo da Ásia, e não a China". Destacou ainda que os chineses "fazem déficit (na balança de pagamentos) com os países asiáticos e superávit conosco e com os Estados Unidos".

Sobre os fatores que levaram o Brasil a recuperar-se mais rapidamente da crise, Conceição apontou o salário mínimo crescente ("trouxe uma nova classe média baixa que não havia antes. Estamos recuperando o poder de compra de 1958"), baixa vulnerabilidade externa, alto investimento externo direto e a presença de três grandes bancos públicos (importantes no momento em que diminuiu a oferta de crédito nos bancos privados). "Só a China tem mais bancos públicos que o Brasil, porque lá todos os bancos são públicos", comentou. E arrematou com ironia: "Já a Rússia não tem mais bancos e sim tamburetes. Privatizaram os bancos públicos que havia".

A maior urgência brasileira, na visão da professora, é a questão cambial. "Fomos os primeiros a dar o aviso, antes mesmo que o FMI o fizesse do alto de sua autoridade moral", comentou, acrescentando ainda que não crê em acordo na reunião do G-20. "E não havendo acordo para colocar esta situação em ordem, nós temos que nos defender".
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